Brasil

Huck não garante ser candidato, mas prepara projeto para 2022


O apresentador disse, em evento na ACSP, que hoje o governo não tem capacidade para executar ideias


  Por Renato Carbonari Ibelli 21 de Setembro de 2020 às 14:31

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


Possível candidato à presidência da República em 2022, o apresentador Luciano Huck diz que falta capacidade ao governo para execução de ideias que ajudem o país a atravessar a crise da covid-19 e voltar a crescer no pós-pandemia.

Ele usa como exemplo do que chama de “desgoverno” a volta às aulas, que começa a acontecer em alguns estados, mas de maneira desorganizada, segundo ele.

“Todos sabiam que as aulas precisariam ser retomadas mais cedo ou mais tarde, mas o MEC [Ministério da Educação], que deveria centralizar a inteligência dessa ação, não tem projeto, está sem norte”, disse Huck em palestra no Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Outra crítica feita pelo apresentador ao governo é a falta de interesse em debater agendas globais. “Não lideramos mais nenhuma agenda global. Estive em Davos [onde aconteceu o Fórum Econômico Mundial] e fiquei desapontado. Não tivemos representantes para discutir tecnologia, educação, clima. Só fomos representados na economia”, disse.

Huck enfatizou que não fala como candidato às eleições de 2022, mas como alguém que tem por objetivo mobilizar novas gerações a participar do debate político.

No momento, ele trabalha para reunir ideias e pessoas com as quais possa construir um projeto de governo para as próximas eleições, mas não confirmou se conduzirá essa plataforma como candidato.

Em 2018, o apresentador se colocou como pré-candidato à Presidência, estimulado principalmente por Paulo Guedes, antes deste se tornar ministro da Economia de Bolsonaro. Mas Huck desistiu da candidatura.

O projeto de governo que está elaborando agora tem como diretrizes a redução da desigualdade por meio da educação, ciência e tecnologia.

“A pandemia tornou evidente como o ensino público ainda é analógico no país, com 90% das escolas públicas desconectadas. Escola de pobre precisa ter a mesma qualidade da escola de rico porque a geração de oportunidades precisa da educação”, disse o apresentador.

Durante a palestra ele citou estudos que mostram que pessoas nascidas em famílias pobres só se tornariam classe média após nove gerações. Ter a educação como prioridade do estado reduziria esse tempo.

Outro atalho citado por Huck para reduzir a desigualdade seria o investimento em ciência e tecnologia. “Precisamos de uma identidade digital única para saber quem é cada brasileiro, assim como a Índia fez com mais de 1,2 milhão de pessoas, o que facilitou a transferência de renda por lá durante a pandemia. Aqui sabemos as dificuldades que tivemos”, comentou.

Huck vê duas forças definidas na economia brasileira, o empreendedorismo e o agronegócio, mas cada uma delas sentindo os impactos da pandemia de maneira distinta.

O empreendedorismo durante esse período de economia estagnada foi dependente do auxílio emergencial. Programas de transferência de renda, segundo ele, são positivos, mas tendem a ser usados politicamente.

“Não podemos cair em armadilhas populistas e adotar medidas economicamente irresponsáveis. Esses programas são importantes, o auxílio salvou o país do colapso social, mas e daqui para frente, como será?”, questionou o apresentador.

No outro extremo, Huck vê o agronegócio como setor mais estruturado e que passa mais tranquilamente pela pandemia. “Não conseguiremos nunca produzir brinquedos mais baratos que a China, mas temos a vocação agrícola. Nosso lugar é ser a maior potência verde do planeta”, disse.

Ele critica a inação do governo na construção de políticas que melhorariam a imagem do país junto de parceiro comerciais. “Ainda temos um extrativismo devastador, queimadas que constrangem o agronegócio”, disse.

Para o apresentador, o caminho ideal seria unir o melhor do agronegócio ao melhor do ativismo ambiental para criar uma agroindústria sustentável.

“Temos de fugir do debate rasteiro da polarização. Não podemos dar ouvidos para essa ignorância estruturada que preenche as redes sociais. Precisamos de projetos factíveis para fazer o Brasil se tornar um país mais eficiente e afetivo”, disse Huck.  





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