Brasil

Há menos vagas para trabalhadores mais escolarizados


Índice de emprego para quem possui ensino médio completo caiu 2% no segundo trimestre de 2015, segundo o Ipea


  Por Agência Brasil 27 de Outubro de 2015 às 15:52

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), revelou nesta terça (27/10), por meio do Boletim Mercado de Trabalho: Conjuntura Econômica e Análise, a piora na taxa de ocupação da população brasileira no segundo trimestre do ano. 

Além da queda nessa taxa entre os trabalhadores com ensino médio, também houve recuo de 1,4% entre os empregados com ensino fundamental completo e de 1,2% para os que possuem fundamental incompleto. Os homens também foram mais afetados do que as mulheres, com queda de 1,6% contra 0,5%, respectivamente. 

No recorte por faixa etária, os mais jovens foram os que apresentaram a maior piora nos indicadores. A taxa de ocupação caiu 3,5% para a população de 14 a 24 anos, e 0,4% para a de 25 a 59 anos. Para os idosos houve uma surpresa boa – um aumento de 1,4% na taxa de ocupação.

Os dados foram medidos pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao contrário dos últimos três anos, o segundo trimestre de 2015 não conseguiu superar a população ocupada que o país tinha no último trimestre do ano anterior. Em geral, a população ocupada cai do quarto para o primeiro trimestre, mas sobe para um patamar maior no segundo. No segundo trimestre de 2015, a população ocupada era de 92,211 milhões, contra 92,875 milhões no quarto trimestre de 2014, o maior número registrado na série histórica da Pnad.

A pesquisa aponta que a piora dos números vem principalmente da redução das admissões e não das demissões. Outro número que teve a inversão de sua tendência de queda foi a taxa de informalidade, que subiu de 44,3% para 44,7% do primeiro para o segundo trimestre de 2015.

O diretor da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, André Calixte, avaliou a situação como preocupante porque o mercado de trabalho "tem sido um dos pilares da inclusão social no país" e agora o cenário apresenta uma tendência de reversão.

"Metade da redução da desigualdade veio do mercado de trabalho", disse Calixte, acrescentando que as políticas sociais e os investimentos em infraestrutura foram os outros fatores que reduziram a desigualdade no Brasil.

CORRIDA PARA SALVAR O NATAL

Calixte afirmou que o Brasil "está em uma corrida contra o tempo" para reverter as expectativas do mercado a tempo de garantir uma retomada da economia e "salvar o Natal". A pesquisa aponta que uma conjuntura mais favorável depende de uma retomada das expectativas positivas "o mais rápido possível".

"Essa corrida contra o tempo se torna cada vez mais difícil conforme a gente demora a sair da crise", afirmou Calixte, que explicou que o tempo de duração do desemprego dificulta a volta do desempregado ao mercado de trabalho.

Para o pesquisador, se a retomada não for anterior ao Natal, a situação pode se agravar com as demissões dos temporários contratados para atender à demanda do fim do ano.

Calixte considera que políticas como o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) podem ter um efeito já no curto prazo, evitando demissões.

Outra iniciativa destacada como positiva foi o fórum tripartite com representantes dos trabalhadores, empresas e governo, que deve elaborar propostas para o médio e longo prazo no país.

"Os números mostram um mercado de trabalho pujante, que ainda é estruturado e sofreu um abalo no primeiro semestre deste ano".

FOTO: Thinkstock





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