Brasil

Há 521 pontos interditados em 25 unidades da Federação


O balanço é da Abcam, que não aderiu à trégua proposta pelo governo; municípios paulistas decretam emergência e, na capital, vans escolares aderem ao movimento


  Por Estadão Conteúdo 25 de Maio de 2018 às 09:50

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Municípios de São Paulo e de Minas Gerais, que continuam sentindo os efeitos da greve dos caminhoneiros, adotaram medidas drásticas para enfrentar a situação.

Em Teófilo Otoni (MG), no Vale do Mucuri, a prefeitura decretou situação de calamidade pública. O motivo é falta de combustível, que acabou por completo na cidade e afeta serviços essenciais.

Em Botucatu (SP) o Executivo municipal decretou estado de emergência, mesma medida tomada pelo prefeito de Campinas (SP). Quem também sofre com a situação de emergência é a população de Barbacena (MG).

A prefeitura de São Lourenço da Serra, município da Grande São Paulo, decretou estado de calamidade pública em razão da greve dos caminhoneiros.  

A cidade está sitiada pelos bloqueios dos grevistas nos dois sentidos da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que fecham também os principais acessos à área urbana do município. Apesar do acordo anunciado pelo governo federal, as pistas da Régis continuavam bloqueadas na manhã desta sexta-feira (25).

De acordo com o procurador-geral do município, Edgar Hualker Dias, os bloqueios resultaram em desabastecimento geral na cidade, onde todos os postos já estão sem combustível.

O número de ônibus em circulação é reduzido. As aulas estão suspensas nas escolas municipais e apenas os serviços de urgência, como o atendimento no pronto-socorro municipal, estão mantidos. O decreto permite que a prefeitura compre combustível sem licitação em outras cidades.

Os ônibus de Belo Horizonte funcionam nesta sexta-feira, 25, com horários de domingo por conta da paralisação dos caminhoneiros. De acordo com a BHTrans, operadora do transporte coletivo viário da capital, isso significa viagens em número 45% menor que o previsto para um dia de semana.

"Estamos monitorando as linhas e estações e solicitando viagens extras nos casos mais críticos. No momento, as estações estão com grande demanda", diz nota da empresa.

Cresceu o número de interdições em rodovias pelo movimento de paralisação dos caminhoneiros no dia seguinte ao acordo comemorado pelo governo.

LEIA MAIS: Governo sela trégua, mas protestos continuam

Balanço divulgado pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) - entidade que deixou a reunião no Palácio do Planalto e não concordou com o acordo fechado ontem - diz que há 521 pontos interditados nesta manhã em 25 unidades da Federação.

No fim da manhã de quinta, eram 402 pontos interditados em 23 Estados. Apenas Amazonas e Amapá não têm interdições nesta manhã desta sexta-feira, 25. 

Grandes Estados produtores agrícolas são os que têm mais trechos rodoviários interrompidos nesta manhã. O Rio Grande do Sul lidera o ranking com 74 pontos interditados.

Em seguida, aparecem Paraná (73 pontos), Minas Gerais (51 pontos), Santa Cataria (54), Mato Grosso do Sul (36), Goiás (28) e Mato Grosso (28). São Paulo tem 15 pontos interditados, Rio de Janeiro conta com 14 pontos e o Distrito Federal, sete, informa a Abcam.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos (CNTA), principal entidade que assinou o acordo na quinta, não divulgou balanço na manhã desta sexta.

VANS PARAM

Motoristas de vans escolares de São Paulo aderiram à paralisação dos caminhoneiros nesta sexta-feira, 25, promovendo protestos. Motoristas saíram em carreatas em diversos pontos da cidade de São Paulo. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a maior concentração está nas Marginais do Tietê e do Pinheiros. 

Na Marginal do Pinheiros, altura da Ponte do Morumbi (zona sul), no sentido da Rodovia Castelo Branco, os motoristas de vans escolares ocupavam todas as pistas por volta das 9h30 e o tráfego estava bloqueado no local.

Outros dois grupos estavam neste mesmo horário na Marginal do Tietê, um no sentido da Rodovia Castelo Branco, altura da Ponte Tatuapé (zona leste) e o outro, no sentido da Rodovia Ayrton Senna, altura da Ponte Freguesia do Ó (zona norte).

De acordo com a CET, um outro grupo permanecia parado na Ponte do Socorro, na zona sul da cidade de São Paulo.

FOTO: Agência Brasil