Brasil

Governo vai desligar termelétricas


Com a situação dos reservatórios considerada favorável pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), sete usinas serão desligadas. Medida terá impacto na conta de luz. Conta de luz pode reduzir 7%


  Por Agência Brasil 03 de Fevereiro de 2016 às 20:00

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O governo decidiu desligar as usinas térmicas com custo de geração acima de R$ 420 por megawatt-hora (MWh). A decisão vai permitir que, a partir de março, seja adotada a bandeira amarela no sistema de bandeiras tarifárias, que gera um acréscimo menor na conta de luz: de R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. 

Atualmente, a bandeira aplicada é a vermelha, patamar 1, que responde pelo acréscimo de R$ 3,00 a cada 100 kWh consumidos.

A decisão, foi tomada nesta quarta-feira (03/02) pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), permite o desligamento de sete usinas térmicas com capacidade de geração de cerca de 2 mil megawatts em geração térmica a partir de março. 

Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, a medida vai permitir uma redução do custo do setor elétrico de R$ 720 milhões por mês em 2016.

Nos cálculos dele, somando o desligamento das térmicas em agosto do ano passado com as de agora, mais a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) 30% menor que a de 2015, as tarifas devem cair cerca de 7% a partir de março. Apenas com as próximas sete térmicas que serão desligadas, seria gerado um recuo entre 3% e 4%. 

Em agosto, o CMSE já tinha determinado o desligamento de usinas térmicas com custo de geração acima de R$ 600 MWh. A medida permitiu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reduzisse o valor da bandeira tarifária vermelha de R$ 5,50 para R$ 4,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. 

Recentemente, a Aneel criou um novo patamar de bandeira tarifária vermelha, que custa R$ 3 para cada 100 kWh.

A decisão foi tomada após análise do comitê de que a situação dos reservatórios das hidrelétricas está mais favorável. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível dos reservatórios do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que é responsável por cerca de 70% do armazenamento de água para geração de energia no país, está em 45% atualmente. 

Em fevereiro do ano passado, o nível estava em 20,5%. Segundo o CMSE, o risco de déficit de energia no país é zero nos subsistemas analisados.

Com a falta de chuvas registrada nos últimos anos, o governo vem mantendo a maior parte das usinas termelétricas acionadas para garantir que não falte energia para o país. Sem água nos reservatórios, as usinas hidrelétricas não conseguem gerar toda energia possível, e pode haver desabastecimento. 

No entanto, a energia térmica é mais poluente e mais cara do que a gerada por hidrelétricas, e o custo acaba sendo repassado para os consumidores.

TARIFA

Depois de fechar 2015 com aumento médio superior a 50%, as tarifas de energia elétrica deverão subir este ano também, mas abaixo da inflação. A avaliação é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Para Tolmasquim, a melhora nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas (em relação aos últimos dois anos) poderá contribuir para o desligamento das usinas térmicas (que produzem energia mais cara) até o final de abril. Isso possibilitará um reajuste menor das tarifas.

“Posso garantir que a energia este ano vai subir bem menos. E a energia elétrica, que foi um problema no ano passado, vai contribuir para segurar a taxa de inflação. Isso não quer dizer que [as tarifas] não vão subir, mas subirão, sem dúvida, abaixo da inflação”, disse Tolmasquim 

Imagem: Agência Brasil