Brasil

Governo cria comitê para desburocratizar setor público


Conselho irá assessorar a presidência na formulação de políticas que simplifique a prestação de serviços públicos. Grupo poderá ter colaboração de todos os ministérios


  Por Estadão Conteúdo 09 de Março de 2017 às 09:09

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O governo decidiu criar um novo "conselhão" para decidir quais serão as ações prioritárias para reduzir a burocracia que trava a máquina pública e engessa o desenvolvimento. A medida foi recebida com reservas pelo setor privado.

Pelo decreto publicado na última quarta-feira (08/03), no Diário Oficial da União (DOU), o chamado "Conselho Nacional para a Desburocratização - Brasil Eficiente" vai assessorar a presidência na formulação de políticas que simplifique a prestação de serviços públicos. Sua estrutura, porém, não tem nada de simples.

Pelas regras, o conselho, que será presidido pelo ministro da Casa Civil, vai reunir ainda os ministérios da Fazenda, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Controladoria-Geral da União (CGU) e o chefe da Secretaria de Governo.

Além disso, serão convidados a participar dos trabalhos um deputado federal indicado pelo presidente da Câmara; um senador indicado pelo presidente do Senado; e um membro do Poder Judiciário indicado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

O conselho terá a colaboração de todos os ministérios, que devem elaborar e encaminhar ao grupo de ministros, até o dia 31 de março de cada ano, suas propostas de desburocratização.

Cada ministério deve manter um comitê permanente para identificar as ações e os projetos que favoreçam a simplificação na gestão pública. De acordo com o texto, as reuniões do conselho devem acontecer a cada três meses.

POLÍTICA VELHA 

Para Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE) e professor da UFRJ, a criação do novo conselho - que lembra o extinto Ministério da Desburocratização, órgão que funcionou durante o período militar, entre 1979 e 1986 - demonstra "boa vontade" do governo, mas não aponta soluções práticas.

"No fundo, estamos burocratizando para desburocratizar. Estar preocupado em acabar com a burocracia é ótimo, mas falta objetividade, pragmatismo e visão executiva nesse governo. Essa ideia vem de uma política velha. Quando se cria isso, no fundo a gente sabe que é para não resolver. Não leva a lugar nenhum", diz Pires.

O fato de o governo de Michel Temer se encerrar no fim do ano que vem, de acordo com o presidente CBIE, também dificulta que se chegue a resultados práticos.

"É preciso ter a noção de que só tem um ano e meio de governo pela frente. Não dá para ficar em discussões intermináveis. O Brasil está precisando de centroavante, não desse tipo de atitude que não resolve."

A "vontade política" sinalizada pela criação do Conselho Brasil Eficiente é vista com "bons olhos" por César Borges, ex-ministro dos Transportes do governo Dilma e atual presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

"No setor público, é necessário que haja vontade política. Sem ela, não se avança. É preciso ter agilidade para propor ações, além de metas e prazos para cumpri-las", afirma. "Uma coisa é a intenção, outra é ver isso convertido em medidas reais."

DEMANDA

Questionada sobre a decisão de criar o novo conselho, a Casa Civil informou, por meio de nota, que "a demanda de criação de um fórum ou instância para desburocratização surgiu no conselhão", grupo de empresários e representantes de organizações civis que fez sua segunda reunião em Brasília nesta semana.

De acordo com a pasta, a necessidade de se ter um novo grupo foi a mais votada entre as 15 propostas do conselhão apresentadas ao governo. Os membros do conselho não serão remunerados. 

*FOTO: Thinkstock