Brasil

Geraldo Alckmin: o sonho acabou


Em lugar de captar o voto útil contra o PT, candidato tucano, segundo o Ibope, se distancia do segundo turno, para o qual se desenha o confronto entre Haddad e Bolsonaro


  Por João Batista Natali 19 de Setembro de 2018 às 08:48

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


A pesquisa Ibope divulgada na noite desta terça-feira (18/9) foi uma ducha de água fria nas pretensões de Geraldo Alckmin (PSDB) de virar o jogo e se viabilizar para a sucessão presidencial.

O ex-governador de São Paulo oscilou para baixo – de 8% a 7% nas intenções de voto -, em lugar de atrair, como era o plano de sua campanha, eleitores liberais que temem a polarização, no segundo turno, entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

O movimento de voto útil realmente ocorreu, mas em benefício desses dois adversários do candidato tucano.

Bolsonaro oscilou positivamente de 26% para 28% das intenções, e Haddad, em prosseguimento a sua espetacular ascensão, foi de 8% para 19%. Cresceu em uma semana 11 pontos.

O petista está não apenas refazendo o capital eleitoral do ex-presidente Lula, mas também esvaziando as outras candidaturas com componentes de esquerda. Quanto ao capitão da reserva, ele passou a atrair eleitores tucanos para os quais a prioridade é evitar a vitória eleitoral do PT.

A PRESSÃO DE HADDAD

As candidaturas esvaziadas por Haddad são as de Ciro Gomes (PDT), que deixou de crescer, sobretudo no Nordeste, e estagnou nos 11% das intenções. E de Marina Silva (Rede), que cai de 19% para 14%. E isso em apenas uma semana. A última pesquisa Ibope foi divulgada em 11 de setembro.

Diante desse quadro, apenas um milagre permitiria que Alckmin crescesse 11 pontos, para alcançar Haddad, ou 21 pontos, para empatar com Bolsonaro.

Com o desenho de tamanho desastre, perde-se a possibilidade de eleger um presidente capaz de executar as reformas, não aumentar a carga tributária e batalhar pelo equilíbrio fiscal.

O Ibope também demonstra que oscilaram para baixo três outras candidaturas que poderiam alcançar esses mesmos objetivos, numa tendência de migração para Bolsonaro, em razão da capacidade dele em barrar o caminho a Haddad.

Álvaro Dias (Podemos) e João Almoêdo oscilam de 3% para 2%, enquanto Henrique Meirelles (MDB) mantém os 2% da pesquisa anterior. Os três candidatos somam 5% das intenções de voto.

Mesmo que os três se retirassem da competição, em favor de Alckmin, o candidato tucano ficaria longe de alcançar Haddad, e mais longe ainda de Bolsonaro.

AQUECIMENTO PARA O SEGUNDO TURNO

O que prevaleceu, entre as duas pesquisas do Ibope, foi um raciocínio de olho no segundo turno. Diante da polarização Bolsonaro x Haddad, a prioridade era a de posicionar esses dois nomes para a disputa final, em lugar de ameaçá-los com concorrentes menos capacitados a derrotar a direita ou o PT.

Com relação à rejeição, as notícias são ruins para Bolsonaro. Ele oscila de 41% para 42%, um patamar que os especialistas apontam como de difícil superação para uma vitória em segundo turno.

Haddad tem sua rejeição aumentada de 23% para 29%. Apesar disso, e só por esse critério, sua candidatura é mais viável que a de seu adversário do PSL.

Com relação às intenções de voto para o segundo turno, as informações são desta vez positivas para Bolsonaro. Pela pesquisa anterior do Ibope, ele perderia de Alckmin, Ciro e Maria, e empataria com Haddad.

Agora, no entanto, Bolsonaro empataria com Ciro Gomes (teria 39%, contra 40% para o ex-governador do Ceará), com Geraldo Alckmin (38% para os dois lados) e também com Fernando Haddad (em 40% para cada lado). Mas ganharia de Marina Silva (41% a 36%). 

Esse conjunto de conclusões poderá ser confirmado pela próxima pesquisa do Datafolha, a ser divulgada na madrugada desta quinta-feira (20/9). Dificilmente, no entanto, as tendências mais amplas se modificarão. Apesar de diferenças metodológicas, Ibope e Datafolha têm apontado, desde o início da campanha presidencial, nas mesmas direções.

FOTO: José Cruz/Agência Brasil