Brasil

G20: Temer mantém tom otimista em reuniões da cúpula de países


Citando o ajuste fiscal, o teto para despesas e os investimentos em infraestrutura, o presidente disse que já há sinais de retomada da economia com as medidas em andamento


  Por Estadão Conteúdo 04 de Setembro de 2016 às 11:17

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A economia do Brasil já começa a reagir. Essa foi a mensagem central do discurso inicial do presidente Michel Temer na reunião informal dos cinco grandes emergentes do grupo conhecido como Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Michel Temer está na China participando da Cúpula do G20, grupo das 20 maiores economias do planeta. O presidente retoma a tradição da presença presidencial no encontro, interrompida pela ex-presidente Dilma Roussef nos últimos anos.

Em pedido de última hora do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, Temer terá o encontro de maior peso com um líder estrangeiro depois de se reunir com o chinês Xi Jinping. 

VOLTAR A CRESCER

Temer ressaltou as reformas propostas e mencionou até o Congresso Nacional ao afirmar que a Casa ajudará a executar as mudanças estruturais que permitirão ao país a voltar a crescer.

"No Brasil, o caminho do crescimento está sendo reconstruído", disse Temer. “Estamos promovendo um ajuste fiscal amplo e sustentável. Juntamente com o Congresso Nacional, instituiremos um teto constitucional para o crescimento das despesas governamentais. O crescimento real zero do gasto público levará à redução da dívida do Estado brasileiro.”

Atualmente, o Brasil é o país com pior desempenho econômico entre os cinco grandes emergentes.

Aos demais líderes dos grandes emergentes, Temer afirmou que "uma ambiciosa agenda de reformas estruturais também está em curso para elevar a produtividade da economia e gerar ambiente de negócios mais favorável". 

O presidente brasileiro destacou que serão estimulados os investimentos em infraestrutura, sobretudo por meio de concessões de estradas, portos, aeroportos, ferrovias e sistemas de geração e transmissão de energia.

"Estamos seguros de que, em breve, a nossa economia voltará a crescer, em benefício dos brasileiros e da economia global", afirmou o presidente.

Sobre os BRICS, Temer falou rapidamente que os países do grupo "são forças positivas" para estabilidade econômica global. "O Novo Banco de Desenvolvimento e o arranjo contingente de reservas ilustram como podemos trabalhar em conjunto de modo inovador e eficiente. Um trabalho coletivo em prol de sociedades mais prósperas e mais justas", disse aos demais líderes. 

ALINHAMENTO

Em comunicado conjunto, os países do Brics anunciaram que vão reforçar sua cooperação e apelaram à comunidade internacional a lutar contra os desafios globais.

Ao final de encontro informal realizado no âmbito da Cúpula do G20, líderes do bloco concordaram que, apesar de a economia mundial e a de seus países enfrentarem novos desafios, há perspectiva e força motriz para o crescimento.

Após a reunião em Hangzhou, na China, o Brics observou que a recuperação da economia global continua desigual e que é preciso que o G20 reforce a coordenação da política macroeconômica.

No comunicado, o grupo condenou fortemente atos terroristas praticados em todo o mundo e apelou à Organização das Nações Unidas (ONU) e à comunidade internacional para que desempenhem papel fundamental na luta contra o terrorismo.

RETOMADA COM O JAPÃO

Solicitada pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, Temer terá na segunda-feira uma reunião bilateral com o dirigente. 

Nos últimos anos, os contatos de alto nível entre os dois países foram marcados por cancelamentos. A ex-presidente Dilma Rousseff cancelou duas visitas oficiais que faria ao Japão, em 2013 e 2015. A mais recente desistência foi comunicada aos anfitriões dois dias antes da viagem.

Com Agência Brasil
Imagem: Agência Brasil