Brasil

Facesp pode ser estratégica para governo direcionar crédito às empresas


Alfredo Cotait (foto), presidente da Facesp e da ACSP, participou de conferência pela internet com o ministro da Economia Paulo Guedes. O encontro foi organizado pela Unecs


  Por Renato Carbonari Ibelli 04 de Abril de 2020 às 21:30

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


O ministro da Economia Paulo Guedes disse neste sábado, 4/04, durante conferência pela internet com representantes dos setores do comércio e serviços, que a rede de associações comerciais pode ser estratégica para ajudar o crédito a chegar na ponta, ou seja, nas mãos dos empresários, sem empoçar no sistema bancário.

A proposta foi apresentada ao ministro por Alfredo Cotait, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), e considerada por Guedes uma alternativa para focalizar melhor o destinatário dos recursos emergenciais que estão sendo disponibilizados às empresas para que consigam atravessar esse período de inatividade econômica causado pela pandemia de coronavírus.

“Usar os cadastros que as associações possuem nesse momento pode nos ajudar a fazer o crédito chegar na ponta. Pode ser algo feito juntamente com a Caixa Econômica Federal”, disse o ministro na conferência.

Liberando só o compulsório, o dinheiro empoça nos bancos. Então o governo tem buscado direcionar os recursos emergenciais, principalmente para pagamento da folha das empresas, por meio de dois programas.

São R$ 51 bilhões através do Programa de Suplementação Salarial e outros R$ 40 bilhões pelo crédito Fopas (Folha de Pagamento Salarial).

Nesse primeiro momento, disse Guedes aos empresários, as medidas buscam dar fôlego aos micro e pequenos empresários, além dos informais. “Mas sabemos que teremos de atender as médias e grandes empresas mais para frente”, afirmou.

Além da disponibilidade de crédito, outra preocupação comum aos empresários que participaram da conferência é a tributação. Cotait lembrou que o recolhimento de alguns impostos federais foi flexibilizado e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) zerado.

Mas segundo o presidente da Facesp, “estados e municípios são insensíveis e não aceitam fazer o diferimento do ICMS e ISS.”

Guedes disse estar sensível também às questões tributárias. Segundo ele, a retomada da economia e a geração de empregos acontecerão com a redução e simplificação de impostos. “Precisamos atacar o mais cruel deles, que é sobre a folha de pagamento das empresas”, disse o ministro.

Segundo ele, essa será uma prioridade do governo quando a crise da saúde passar e os estímulos à retomada da economia serão necessários.

Guedes apelou aos empresários que, apesar do momento de dificuldade econômica, não interrompam o fluxo de pagamento para não quebrar a cadeia de serviços, o que causaria a desestruturação da economia.

“Se pararmos de pagar luz, telefonia, em pouco tempo não teremos mais luz e energia”, afirmou o ministro. “Não podemos cair na tentação fatal do calote, porque isso descontinua a rede de produção.”

A conferência com o ministro da Economia foi organizada pela União Nacional de Entidades de Comércio e Serviços (Unecs), que reúne representantes de empresas que, juntas, respondem por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, geram mais de 9 milhões de empregos diretos e vendem R$ 1 trilhão por ano.