Brasil

Executivos brasileiros: recordistas mundiais em pessimismo


Levantamento internacional conduzido no país pela FGV revela que os brasileiros projetam uma retração em todas as formas de contratação neste trimestre


  Por Estadão Conteúdo 24 de Setembro de 2015 às 10:48

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Os executivos brasileiros são os mais pessimistas do mundo. A pesquisa Panorama Global dos Negócios mostra que, numa escala de 0 a 100 pontos, o otimismo dos CFOs (diretores financeiros) está em 36,9 pontos, um pouco acima do verificado na pesquisa do trimestre anterior (35,7 pontos), embora ainda na lanterna mundial.

O levantamento mostra que os executivos dos Estados Unidos (60 pontos) são os mais otimistas. Em seguida, estão os diretores financeiros da Europa (57,9), Ásia (55,6) e África (48,2). No recorte feito para a América Latina, excluindo o Brasil, o otimismo apurado está em 45,3 pontos.

A pesquisa trimestral - realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Duke University e CFO Magazine - também apurou pontos preocupantes em setores-chave da economia brasileira, como emprego e investimento.

No mercado de trabalho, os executivos projetam uma retração em todas as formas de contratação neste trimestre. Recuo de 1% no emprego permanente, de 2% no temporário, e de 3,6% no terceirizado.

PERCEPÇÃO RECORRENTE

Na leitura realizada no trimestre anterior, já havia uma sinalização da piora no mercado de trabalho. A queda prevista nas contratações permanentes era de 6,6%, na dos trabalhadores temporários de 4,2% e na dos terceirizados de 9,6%.

"A nossa impressão é que as empresas já fizeram um forte ajuste no pessoal, mas ainda existe uma tendência de aumento do desemprego", afirma Antonio Gledson de Carvalho, professor da Fundação Getúlio Vargas e um dos autores do levantamento. O estudo também teve a participação do professor Klenio Barbosa.

Com relação ao investimento, a queda projetada é de 1,9%. No trimestre anterior, era de 8,3%. A pesquisa foi concluída em 3 de setembro e entrevistou 1 mil diretores financeiros, sendo 194 na América Latina e 55 no Brasil.

IMAGEM: Thinkstock