Brasil

Eventual governo Temer tem horizonte de dificuldades


Em debate na ACSP, Fernando Brant (foto) aborda obstáculos que novo presidente enfrentaria, como a crise gerada pelo PT e a "guerrilha" dos petistas


  Por Redação DC 11 de Abril de 2016 às 15:22

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Embora argumentassem que há apenas uma forte tendência para a aprovação do impeachment no próximo domingo (17/04), os dois debatedores desta segunda-feira (11/04) na ACSP (Associação Comercial de São Paulo) apontaram as armadilhas a serem encontrados pelo eventual governo Michel Temer.

“O PT não está preparado para perder, e os chamados movimentos sociais estão dispostos a incendiar o país e estabelecer a desordem”, afirmou Roberto Brant, ex-deputado federal (PMDB-MG) e o principal redator de “Uma Ponte para o Futuro”, documento que vem balizando as intenções do provável futuro presidente.

“Com as Olimpíadas, vamos promover uma festa com um país em crise” e com os hospitais do Rio sem condições de atendimento. “Vai ser a primeira ação do PT em guerrilha nas ruas para desgastar o novo governo”, disse o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI).

Brant e Fortes participaram de encontro do Conselho Político e Social da ACSP, presidido e coordenado pelo ex-senador Jorge Konder Bornhausen.

O encontro foi aberto por Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).

Os dois debatedores também levaram em conta a possibilidade de o atual governo sobreviver à votação de domingo, o que, segundo eles, desembocaria num cenário sombrio para a sociedade e para a economia.

Para Brant, a presidente Dilma Rousseff se veria reduzida a um apoio de apenas 120 deputados na Câmara, algo politicamente trágico após pouco mais de cinco anos de governo.

E passaria a contar, nas ruas, com uma classe média de perfil militante. Um setor que saiu às ruas para exigir o impeachment e se sentiria furtada pelo prosseguimento do atual governo.

Além do mais, o mandato da presidente permaneceria ameaçado pela decisão a ser tomada ainda pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde ela é objeto de processo pela origem supostamente criminosa do financiamento de sua reeleição.

Pesa ainda sobre ela o potencial de revelações da operação Lava Jato.

Heráclito Fortes disse acreditar que o impeachment seja aprovado por 357 votos (acima dos 342 necessários). “O discurso do PT está envelhecido”, e persistem as pressões para que os hesitantes ou favoráveis ao governo mudem de lado.

O deputado citou o exemplo da pressão familiar, exercida sobre um deputado federal de Pernambuco. Na lista dos indecisos, ele visitou seu pai de 90 anos, em Recife, e teria recebido o seguinte recado:

“Volte para Brasília, ajude a pôr aquela mulher para fora, ou então nunca mais ponha os pés aqui em casa.”

Fortes também afirmou que o PT “só se senta no banco dos réus em regime de coautoria”. Quer arrastar Temer para o processo do TSE e ainda usa Eduardo Cunha para confundir a opinião pública.

Cunha é um problema sério do Congresso; mas ele não diz respeito aos demais Poderes, enquanto Dilma é um personagem próprio a uma tragédia de extensão nacional”.

Fernando Brandt discorreu amplamente sobre as dificuldades que Temer poderá encontrar. “As multidões que saíram às ruas e gritaram Fora Dilma não voltarão de verde e amarelo para reivindicar reforma da Previdência e equilíbrio fiscal.”

A seu ver, ainda, “o novo governo não terá um discurso unificado”, que precisará do apoio de entidades da sociedade civil – citou a ACSP e a Confederação Nacional da Agricultura – para que elas construam uma “forte muralha” de defesa.






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