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Empresários prejudicados pelas chuvas pedem isenção de impostos


Em encontro organizado por Luiz Carlos Castan (foto), Diretor Superintendente da Distrital Mooca da ACSP, ficou decidido que os empresários devem encaminhar para a associação, até dia 26/03, documento relatando suas perdas


  Por Wladimir Miranda 21 de Março de 2019 às 20:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


A Distrital Mooca da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reuniu empresários da região na noite de quarta-feira, 20/03, para debater os prejuízos causados pelas chuvas do dia dez de março. Além da Mooca, Vila Prudente e Ipiranga foram os bairros mais atingidos pelas águas em São Paulo. O Grande ABC também sofreu com a tempestade, que deixou ao menos 12 mortes e seis feridos.

Além do grande número de desabrigados, a forte chuva também causou prejuízos financeiros para pequenos, médios e grandes comerciantes. Eles, juntos com representantes de indústrias da região, foram convidados pela distrital da ACSP com o objetivo de buscar soluções para amenizar os prejuízos.

A isenção de impostos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano, IPTU, e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, ISS, foi a principal reivindicação dos empresários.

Grandes empresas, como a Lorenzetti, Ferrolenk, Vestem Indústria e Comércio de Roupas e Novalata, foram representadas no encontro, que contou com a participação de 110 empresários.

Para Luiz Carlos Castan, Diretor Superintendente da Distrital Mooca, “a Associação Comercial cumpre o seu papel de ser a mediadora entre os empresários e o poder público.”

110 EMPRESÁRIOS PARTICIPARAM DE ENCONTRO NA DISTRITAL MOOCA
DA ACSP PARA DEBATER OS ESTRAGOS CAUSADOS PELAS CHUVAS

O QUE FICOU DECIDIDO

A proposta feita pela ACSP, e aceita pelos empresários, é para que cada um deles envie à entidade um amplo relatório, em papel timbrado da empresa, constando o número do CNPJ, e dando conta de todos os prejuízos causados pelas chuvas.

O documento terá de ser enviado à Distrital Mooca até a próxima terça-feira, 26/03.

De posse da documentação, com o relato de tudo que foi perdido, e que inclui também os lucros cessantes, pois muitas empresas tiveram de interromper suas atividades por causa do alagamento que, em muitos casos, impediu a entrada dos funcionários, o embarque e o desembarque de mercadorias, além de danificar maquinas e ferramentas.

“Com esta documentação a Associação Comercial vai solicitar providências das autoridades municipais para que estes empresários sejam ressarcidos. Vamos lutar pela isenção de impostos e por indenizações", disse Antonio Carlos Pela, Coordenador geral do Conselho de Política Urbana da ACSP.

Ele falou ainda da necessidade de se realizar um detalhado estudo para avaliar se houve responsabilidades do poder público pela enchente. "Teremos de verificar se o problema foi ocasionado só pelas fortes chuvas ou se é mesmo verdade que tiveram de abrir as comportas do piscinão de São Caetano do Sul”, disse Pela.

O subprefeito da Mooca, Guilherme Kopke, foi convidado para participar do evento, mas não compareceu.

Alguns empresários presentes à reunião estimam em mais de R$ 500 mil de prejuízos.

EMPRESÁRIOS RELATAM PREJUÍZOS

Amleto de Piero, gerente administrativo da Lorenzetti, da Av. Presidente Wilson, disse que o setor produtivo da empresa foi bastante prejudicado. A invasão das águas obrigou a empresa a conceder férias para mais da metade dos seus 4 mil funcionários.

“Perdemos equipamentos, ferramentas e móveis. Ainda estamos avaliando, mas posso adiantar que os prejuízos foram grandes”, disse.

LEIA MAIS: Comerciantes contabilizam os prejuízos provocados pelas chuvas 

RICARDO, DONO DE OFICINA NA
MOOCA, CONTABILIZA R$ 80 MIL
EM PERDAS

Ao seu lado, Marcelo Soares, gerente do Recursos Humanos da empresa, afirmou que o problema não foi provocado só pelo grande volume das chuvas. Em sua opinião, houve falha humana. “As comportas foram abertas e por isto o piscinão não suportou”, afirmou ele, favorável à entrada de processo Judicial por parte do grupo de empresários para exigir que o poder público indenize os prejudicados.

Ricardo Baptista Carneiro é dono do Posto de Molas Radial, localizado na Av. Presidente Barão de Guajará, na Mooca. Trata-se de uma oficina de pequeno porte, que teve móveis, maquinários e sete caminhões danificados pela tempestade.

Ele contabiliza R$ 80 mil de prejuízos. “Os caminhões são de clientes, que não querem saber se o problema foi provocado pelas fortes chuvas. O que não querem, é ser prejudicados”, contou, acrescentando que os veículos tiveram seus módulos eletrônicos totalmente comprometidos pela tempestade.

 

Foto: Divulgação