Brasil

Empresário se mata em evento com ministro


Sadi Gtiz era dono de uma fábrica de revestimentos cerâmicos que enfrentava dificuldades em consequência da crise econômica e aumento de custos


  Por Estadão Conteúdo 04 de Julho de 2019 às 13:23

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Um empresário do setor de cerâmica se matou com tiro na cabeça na frente do governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, e do Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, durante abertura de um seminário sobre o mercado de gás que aconteceria em Aracaju nesta quinta-feira (4/7).

Segundo relatos de pessoas que presenciaram o suicídio, o empresário Sadi Gitz se levantou após a fala do governador, ameaçou dizer algumas palavras e se matou.

Fontes do governo estadual contaram que o empresário era dono de uma fábrica de revestimentos cerâmicos que estava com as atividades suspensas por causa do alto preço do gás. Com isso, ele teria falido.

A Cerâmica Escurial vinha enfrentando dificuldades há algum tempo e atualmente está em recuperação judicial. A empresa passou a consumir gás com pagamento antecipado e há cerca de dois meses paralisou as atividades por falta de condições de caixa.

Belivaldo Chagas lamentou a morte do empresário e disse: “Vida que segue”. Ante de se matar, Gitz chamou o governador de “mentiroso”. Belivaldo responsabilizou a Petrobrás pelos preços do gás praticados pela Sergas.

O governo do Estado de Sergipe lamentou o ocorrido nas redes sociais e informou que o evento estava cancelado: “O Governo do Estado de Sergipe lamenta o ocorrido com o empresário Sadi Gitz, da cerâmica Escurial, que cometeu suicídio durante o evento. Por conta do ocorrido, o Simpósio de Oportunidades para o novo cenário do gás natural em Sergipe está cancelado”.

CRÍTICA AO GOVERNO

Em maio deste ano, o empresário Sadi Gitz, 70 anos, decidiu pela suspensão das atividades da fábrica de revestimento cerâmicos Escurial e, em nota distribuída à imprensa, culpou o o governo do Estado pela medida.

“O motivo determinante para essa decisão foi o preço do gás cobrado pela Sergas, empresa do governo do Estado de Sergipe”, afirmou.

Com a hibernação, foram perdidos 200 empregos diretos e 400 indiretos.

Sadi Gitz havia contestado judicialmente a Sergas pelo preço que considerou abusivo, inclusive com um “pedido de perdas e danos”.

O empresário afirmou, em maio, que “a perda de arrecadação de tributos, redução de ambiente de negócios, são fatos que se sobrepõem a qualquer discurso teórico-político. Nenhuma empresa ou empresário tem satisfação em hibernar, mudar ou relocar uma unidade, mas as condições operacionais só existem se houver uma política real de fomento à atividade produtiva”.

O empresário era natural de Porto Alegre e chegou ao Estado de Sergipe na década de 1980. Em 1993, fundou a Cerâmica Escurial, no Distrito Industrial de Nossa Senhora do Socorro, região metropolitana de Aracaju. Em 2014, a Escurial viveu o melhor momento financeiro e fez um investimento de R$ 70 milhões.

Gitz chegou a ocupar cargos na prefeitura de Aracaju: foi superintendente municipal de Transportes e Trânsito e da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). Também foi presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Ascese).