Brasil

Doria vence em São Paulo


Primeiro colocado no primeiro turno, o tucano e ex-prefeito da capital fez uma campanha abertamente colada à imagem do presidenciável Jair Bolsonaro


  Por Estadão Conteúdo 28 de Outubro de 2018 às 19:40

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) foi eleito governador de São Paulo no segundo turno das eleições de 2018. Com 97,26% das seções apuradas, o tucano tinha 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% do atual governador, Marcio França (PSB)

Apesar de ter o resultado matematicamente garantido, Doria, que acompanhou a apuração em casa, deve vir para o local de comemoração, na Avenida Paulista apenas às 20h30, informou sua assessoria de imprensa. Em sua residência, ele também recebeu um telefonema de França cumprimentando-o pelo resultado.

Primeiro colocado no primeiro turno, o ex-prefeito da capital anunciou o apoio a Jair Bolsonaro (PSL) logo após o resultado no domingo, 7, e fez uma campanha abertamente colada à imagem do presidenciável, desde então. Ao mesmo tempo, ele atacou o adversário por ser aliado dos governos petistas, o que França negou.

Apesar de ter liderado durante toda a corrida, Doria viu Franca ganhar terreno na última semana e chegar à noite anterior numericamente empatado (50% a 50%), segundo o Ibope.

Doria tem 60 anos e nasceu em São Paulo. Filiado ao PSDB desde 2001, foi eleito prefeito da capital em 2016 no primeiro turno, fato inédito na história de São Paulo. Trazido ao cargo pelas mãos do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), Doria e seu padrinho político se distanciaram pouco mais de um ano depois, quando o primeiro deixou correr solta a especulação de que poderia ser o candidato do partido à Presidência este ano.

A situação levou os dois a montar estruturas de campanha separadas e, entre aliados do ex-governador, Doria é acusado de ter trabalhado pelo voto "Bolsodoria" já no primeiro turno.
 
PERFIL
 
João Doria Júnior, 61 anos, tem  carreira construída principalmente no mercado empresarial e na TV, Doria entrou na política em 2016, quando foi eleito prefeito de São Paulo, no primeiro turno.

Apesar das críticas de quase todos os adversários pelo fato de ter deixado a Prefeitura de São Paulo para disputar as eleições 2018, Doria liderou a corrida ao Palácio dos Bandeirantes praticamente de ponta à ponta.
 
Os únicos momentos de alternância na liderança das pesquisas de intenção de voto aconteceram ainda no primeiro turno, mas sempre com o tucano tecnicamente empatado com Paulo Skaf (MDB).

Com a derrota do emedebista do páreo no final do primeiro turno, Doria enfrentou o atual governador Márcio França (PSB) na segunda fase da disputa estadual. Em sua bem sucedida estratégia, o tucano declarou apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e procurou associar a imagem de seu adversário a movimentos de esquerda.

A vitória deste domingo (28/10), assegura a hegemonia do PSDB no Estado de S. Paulo. O partido acumula vitórias nas disputas pelo governo paulista há 24 anos.

Nos últimos dois anos, o governador eleito deixou a prefeitura, foi acusado de tentar substituir seu padrinho político Geraldo Alckmin na vaga de candidato à presidência nessas eleições 2018 e recebeu críticas de líderes tucanos, dividindo o partido em São Paulo.

Filiado ao PSDB desde 2001, as polêmicas no caminho político do tucano começaram ainda nas prévias do partido para a definição do candidato a prefeitura de São Paulo, em 2016. Doria era apoiado por Alckmin. Já seus concorrentes, Andrea Matarazzo e Ricardo Trípoli, tinham a benção de Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Aloysio Nunes.

Durante a escolha do candidato, a equipe de Doria foi acusada de fraudar urnas nas convenções do partido. O fortalecimento da candidatura do tucano fez com o vereador Andrea Matarazzo, filiado ao partido por 25 anos, mudasse de sigla, e desistisse de concorrer ao segundo turno das prévias.

Pela primeira vez, em 2016, a prefeitura de São Paulo foi definida no primeiro turno. Na época, Doria tinha o apoio, inclusive, do atual governador Márcio França (PSB), na época vice.

Com o palanque dividido entre França e Doria, Alckmin apoiou oficialmente o companheiro de partido no primeiro turno nas eleições 2018.

Desde o início da campanha, a polarização mais forte acontecia entre os dois candidatos, apesar do fraco desempenho do atual governador nas pesquisas. A estratégia de Doria foi associar o Márcio França ao PT e a políticas públicas de esquerda.

França acusou Doria de "fazer Geraldo Alckmin chorar", após o tucano não ter feito um apoio enfático ao candidato tucano nas eleições presidenciais. Em uma reunião do PSDB em Brasília, após o resultado do primeiro turno, Alckmin insinuou que Dória teria cometido uma traição.

O curto período de Doria a frente da Prefeitura foi marcado, principalmente, por três projetos do então prefeito: Cidade Linda, Corujão da Saúde e Alimento para Todos. Vestido de gari, Dória lançou o primeiro programa no começo de 2017 com o objetivo de revitalizar áreas degradadas de São Paulo.

As polêmicas começaram quando grafites começaram a ser pintados de cinza nos muros da cidade. O prefeito prometeu endurecer o combate às pichações. Apesar de ressaltar que tinha políticas diferentes para o grafite e para a pichação, Doria teve sua imagem desgastada, principalmente entre os artistas de rua.

O programa Corujão da Saúde foi uma das bandeiras do então prefeito. A ideia era utilizar a rede privada em horários com pouca procura para conseguir a diminuição da fila de exames na rede pública.
 
No começo, o programa ajudou a alavancar a popularidade de Doria, mas uma auditoria do Tribunal de Contas do Município apontou que as filas não diminuíram de tempo depois que o projeto foi encerrado.

No fim de 2017, quando já existiam especulações sobre uma possível candidatura de Doria ao governo ou à presidência, a Prefeitura lançou o programa Alimento para Todos, que utilizaria farinatas - composto processado a partir de produtos próximos da data de vencimento - nas merendas das escolas municipais. Após questionamentos de especialistas e do Ministério Público, o projeto foi descartado.

Entre a eleição e a saída da prefeitura, a aprovação de Dória caiu de 44 para 18%, segundo pesquisas do Datafolha.

João Doria nasceu na capital paulista em 1957, filho do publicitário e político João Agripino da Costa Doria. Quando era criança, morou por dois anos em Paris com a família, depois de seu pai ser obrigado a se exilar pela ditadura militar. Doria voltou ao Brasil com a mãe e o irmão.

O governador eleito começou a trabalhar com 13 anos na fábrica da família. Como sua família tinha boas relações, conseguiu um estágio em uma agência de propaganda e começou a estudar comunicação social na Faap, formando-se aos 21 anos.

Depois de formado, assumiu cargos de chefia nas extintas TV TUPI e Bandeirantes, além da agência de propaganda MPM, na época a maior do Brasil. Em 1983, assume a primeira função pública, como secretário municipal de turismo na gestão de Mário Covas.

Durante o governo de José Sarney, foi presidente da Embratur e do Conselho Nacional de Turismo. Nos anos 1990, montou a produtora Videomax e começou a produzir o programa Sucesso, da Bandeirantes, dando início a sua carreira na televisão. Além do Sucesso, Doria apresentou o programa Business, que passou pela Manchete, pela RedeTV, onde teve o nome alterado para Show Business.

Doria também fundou um grupo composto por seis empresas: Doria Administração de Bens, Doria Internacional, Doria Editora, Doria Eventos, Doria Marketing & Imagem e Lide - Grupo de Líderes Empresariais, que reúne mais de 1.600 empresas, representando cerca de metade do PIB privado do país. Ao TSE, Doria declarou um patrimônio de R$ 180 milhões.

Em 2010 e 2011, o futuro governador apresentou os programas Aprendiz Universitário e Aprendiz Empreendedor. Em 2015, comandou o programa de entrevistas "Face a Face", na Band, mas saiu do talk show para ficar à frente da campanha para prefeito de São Paulo.