Brasil

Doria sai na frente na corrida ao governo paulista


Prefeito paulistano derrotaria no primeiro turno Paulo Skaf (PMDB) e se distanciaria com maior folga do candidato petista


  Por João Batista Natali 28 de Fevereiro de 2018 às 14:44

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Embora esteja ainda se firmando, num mercado dominado pelo Ibope e pelo Datafolha, o Instituto Paraná ocupou desta vez um espaço relevante, ao sair na frente em pesquisa para o governo de São Paulo e ao apontar João Doria (PSDB) como o maior favorito.

O prefeito de São Paulo encabeça as intenções de voto em três cenários, e num quarto aparece em empate técnico com Celso Russomanno (PRB), que, no entanto, não deverá disputar o Palácio dos Bandeirantes.

Com um histórico eleitoral de muito fôlego no início das campanhas em que se envolveu, ele acaba perdendo velocidade na reta para o primeiro turno, como ocorreu em 2016, na corrida pela Prefeitura de São Paulo.

O PRB quer que Russomanno seja um puxador de votos para o partido e se reeleja deputado federal. Mas o vice-governador Márcio França (PSB), que aspira à sucessão de Geraldo Alckmin, o convidou para ser o seu vice.

A pesquisa do Instituto Paraná foi feita com 2 mil eleitores, em 84 municípios paulistas, entre 20 e 25 de fevereiro. Sua margem de erro é de 2 pontos. Os números foram divulgados nesta terça-feira (27/02).

É por eles que Doria empata com Russomanno (respectivamente, 30,1% a 29,1%). Nos demais cenários, no entanto, a vantagem do prefeito paulistano é acachapante.

Ele obtém, sem Russomanno, 39,8% dos votos, bem adiante de Paulo Skaf (PMDB), o segundo colocado, com 19,1%.

Caso esse resultado se reproduza a 7 de outubro, ambos disputariam o segundo turno.

Nesse caso, o PT chegaria em terceira colocação, com Luís Marinho obtendo apenas 3,6% das intenções.

Doria e Skaf continuariam encabeçando a preferência dos eleitores, mas com uma quantidade ligeiramente menor de votos (37,3% e 17,5%), num cenário em que o PT tivesse como candidato Fernando Haddad.

O ex-prefeito petista chegaria em terceiro lugar, com 13,4%.

Por mais que João Doria não esteja em campanha, o bom resultado que ele demonstra não se justifica apenas pelo recall das eleições municipais de 2016.

Sua imagem como gestor permanece firme no interior de São Paulo, por mais que na Capital a oposição procure reiteradamente qualifica-lo como um prefeito de factoides.

Pelos números do Instituto Paraná, os demais candidatos, com o conhecimento que os eleitores têm hoje deles, seriam simples figurantes.

A começar do vice-governador Márcio França, que reconhece não ser ainda um nome conhecido, o que, segundo ele, deixaria de acontecer a partir de abril, quando substituirá Geraldo Alckmin, que se desincompatibiliza para concorrer ao Planalto.

França, dependendo do cenário, tem apenas de 2,5% a 3 % das intenções de voto.

Rodrigo Garcia (DEM), deputado federal e ex-secretário de Habitação de Alckmin, aparece com 1,9%, na pior das possibilidades, e com 4,9%, na melhor delas.

Uma curiosidade. No único cenário em que Doria não representa o PSDB, o nome submetido ao eleitor pela pesquisa, Luiz Felipe D´Ávila, tem apenas míseras 2,8% das intenções.

VOTO PAULISTA PARA PRESIDENTE

Esse conjunto de prognósticos é rigorosamente precoce, em razão da inexistência de um debate público específico em torno da eleição para governador.

As atenções estão bem mais mobilizadas na disputa presidencial. E com relação a ela – embora não disponha de resultados nacionais – o Instituto Paraná reserva algumas surpresas quanto ao eleitorado de São Paulo.

A maior delas: o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), em situação de empate técnico, supera o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB). Eles têm, por enquanto, 23,4% e 22,1% das intenções.

Ainda entre os paulistas, Marina Silva (Rede) chega em terceiro lugar, com 12,3%, e Ciro Gomes (PDT), em quarto, com 6,5%;

Uma última curiosidade. Mesmo estando fora da disputa presidencial, por ter-se transformado em ficha suja, o ex-presidente Lula obteria um resultado vergonhoso entre os eleitores paulistas.

Na alternativa que dá empate técnico entre Bolsonaro e Alckmin, ele chegaria apenas em terceiro lugar, com 19,7% das intenções.

O resultado é muito ruim, e ele pode ser justificado tanto pelo declínio do PT quanto pelo fato de os eleitores conhecerem a impossibilidade legal de Lula aparecer na urna eletrônica.

 

FOTO: Wilson Dias/Agência Brasil