Brasil

Dilma derrotada na Câmara; impeachment segue para o Senado


Às 23h07 deste domingo foram alcançados os 342 votos necessários para o prosseguimento do processo. “Estamos confiantes em que, na próxima etapa, seja sacramentado o impeachment", disse Alencar Burti, presidente da Facesp e da ACSP


  Por Estadão Conteúdo 17 de Abril de 2016 às 23:00

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A Câmara dos Deputados aprovou neste domingo, 17/04, o prosseguimento (admissibilidade) do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso.

A vitória da oposição, que atingiu o quorum de 342 votos necessários às 23h07, dimensiona o isolamento político da petista. O placar final da votação foi de 367 votos pelo impeachment ante 137 contrários.

Apesar de ter oferecido cargos em troca de votos, Dilma não conseguiu reunir os 172 apoios para travar o impedimento na Casa. Apenas PT, PC do B e PSOL permaneceram totalmente fiéis ao lado de Dilma na votação em plenário, que começou 17h46.

A presidente, segundo relatos colhidos pela reportagem, afirmou que não renunciará ao cargo para o qual foi eleita pela segunda vez em 2014 e disse que vai lutar para manter o mandato no Senado.

A vitória da oposição foi comemorada nas ruas das principais capitais brasileiras, logo após o plenário da Câmara dos Deputados ter referendado o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que recomendou o julgamento de Dilma no Senado pelo crime de responsabilidade.

De acordo com o relator, a presidente desrespeitou a lei na abertura de créditos suplementares, por meio de decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional e tomou emprestados recursos do Banco do Brasil para pagar benefícios do Plano Safra, nas chamadas pedaladas fiscais.

Dilma nega ter cometido crime. A sessão deste domingo foi presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta das investigações da Operação Lava Jato.

A partir de agora, confirme o rito do impeachment determinado pelo Supremo, o processo será analisado pelos senadores. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) acompanhou a votação no Palácio do Jaburu, junto de aliados.

Conforme o STF, Temer só assumirá o cargo se Dilma renunciar ou após o Senado considerar a denúncia admissível e decidir que ela precisa ser afastada por até 180 dias, período no qual acontecerá o julgamento final da presidente na Casa, composta por 81 senadores. A previsão é de que essa etapa do processo dure ao menos até a primeira quinzena de maio.

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Neste domingo, o Placar do Impeachment no Senado do jornal O Estado de S. Paulo mostra que a situação é desfavorável ao governo: 44 favoráveis ao impeachment e 21 contra o afastamento da presidente.

APOIO

“É mais uma etapa vencida. Estamos confiantes em que, na próxima etapa, seja sacramentado o impeachment. Que os senadores também atendam às expectativas da sociedade. Mas precisamos ter cautela e continuar atentos, acompanhando os acontecimentos”, disse Alencar Burti, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ambas as entidades se manifestaram a favor do processo de impeachment e convocaram seus membros para participar das manifestações pró-impeachment.

 “Reiteramos que uma mudança de governo não garante que os problemas do Brasil vão se resolver automaticamente. Será necessário muito trabalho e união para que se possa, pelo menos, começar o processo de retomada de crescimento da economia”, concluiu Burti.

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FOTO: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo