Brasil

Deu Brasil. De bico. No sufoco


O Brasil derrotou a Costa Rica por 2 a 0, em São Petersburgo, e está muito perto da vaga para as oitavas-de-final da Copa da Rússia. Quarta-feira, 27/06, enfrenta a Sérvia. Assim que o jogo terminou, Neymar, muito pressionado após o empate contra a Suíça, na estreia, chorou no gramado


  Por Wladimir Miranda 22 de Junho de 2018 às 11:37

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


O placar de 2 a 0 não dá a medida do sofrimento. No sufoco, com o primeiro gol, de bico, marcado por Phillippe Coutinho aos 45 minutos do segundo tempo, o Brasil derrotou a Costa Rica e, com a vitória da Suíça sobre a Sérvia, por 2 a 1, só precisa de um empate para se classificar ás oitavas-de-final da Copa da Rússia.

O jogo da Seleção Brasileira com a Sérvia, será quarta-feira, 27/06, às 15 horas, horário de Brasília.

A falta de confiança ficou evidente na Seleção Brasileira em boa parte do primeiro tempo. O time de Tite não se impunha, mesmo tendo como adversário uma equipe do terceiro escalão do futebol mundial.

A Costa Rica tem dois jogadores conhecidos: Navas, goleiro do Real Madrid, e Bryan Ruiz, meia que está sendo cogitado para atuar pelo Santos.

Mas Bryan movimentava-se pouco. E Navas nem teve chance de mostrar porque joga no Real. O Brasil pouco fez. Até os 25 minutos, quase nada produziu. Contra a Suíça, no empate por 1 a 1, havia feito mais.

Neymar insistia em ir buscar a bola no campo do Brasil. Dava as costas para o adversário, repetindo o erro do jogo anterior.

A ordem pode ter vindo do banco, mas o fato é que, a partir dos 25 minutos, Neymar passou a receber a bola no campo de ataque. E, melhor, de frente para os seus marcadores (sim, sempre mais de dois), e as jogadas ofensivas começaram a surgir.

Gabriel Jesus, aos 26, marcou, mas estava impedido. Foi o sinal de que a equipe de Tite tinha condições de se impor diante da envelhecida seleção da Costa Rica.

Na copa passada, a de 2014, disputada no Brasil, os costa-riquenhos fizeram uma ótima campanha, e só foram eliminados nas quartas-de-final, pela Holanda, após a classificação em primeiro lugar, em um grupo, com três  campeões mundiais: Itália, Inglaterra e Uruguai.

Mas a Costa Rica atual não mostra o mesmo desempenho. O time não foi renovado. Envelheceu.

A Seleção Brasileira foi para o intervalo deixando na torcida brasileira a sensação de que poderia melhorar e ganhar, enfim, seu primeiro jogo na Rússia.

Tite trocou Willian por Douglas Costa, que entrou para mudar o cenário do jogo. Ele partiu com a bola dominada para cima da Costa Rica em todas as oportunidades que teve. Entrou com vontade, mostrando velocidade, talento, garra.

Mesmo assim, o Brasil não encontrava espaço para finalizar. Aos 32 minutos, veio o lance que poderia ter transformado Neymar no maior vilão da partida.

Com o braço, o zagueiro da Costa Rica impediu Neymar de chutar, dentro da área. O problema é que ele encenou demais ao cair. Abriu os braços, desabou no gramado, como se tivesse sido atropelado por uma jamanta.

Não precisava exagerar.

Após ver as imagens no monitor, alertado que foi pelo árbitro de vídeo, o juiz da partida, Bjorn Kuipers, da Holanda,  voltou atrás em sua decisão e não deu o pênalti.

O Brasil sentiu o golpe. Os jogadores ficaram nervosos. A Costa Rica se animou e criou algumas chances para marcar. Mas, aos 45 minutos, Phillippe Coutinho, de bico, após uma boa jogada de Marcelo pela direita, marcou e tirou o Brasil do sufoco. 1 a 0.

O Segundo gol brasileiro veio nos acréscimos, aos 52 minutos. Em outra jogada de Douglas Costa pela direita, Neymar entrou sozinho e consolidou o triunfo brasileiro.

No final do jogo, Neymar desabou no gramado, chorando. Ele passou por momentos de incertezas nos últimos meses, por causa da lesão que sofreu, e foi muito criticado após o empate por 1 a 1 com a Suíça, na estreia brasileira.

A imagem de Neymar chorando com as duas mãos no rosto foi simbólica. Ele e o Brasil tinham acabado de tirar uma tonelada das costas.

* Wladimir Miranda trabalhou durante anos como jornalista esportivo. Cobriu as copas de 1990, na Itália, e de 1998, na França, além de inúmeros torneios internacionais, como a Copa Libertadores da América, Copa América e Mundial Interclubes. Foi repórter nas editorias de esportes da Gazeta Esportiva, Diário Popular, Agência Estado e Jornal da Tarde. É autor da biografia Artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa, publicado pela Publisher, na terceira edição.

 

IMAGEM: Fifa/divulgação