Brasil

Desemprego é o maior "fantasma" para 57% dos brasileiros


O consumidor está pessimista com a situação econômica do país. O lado bom disso é que está controlando melhor suas finanças e espera melhora em 2016


  Por Rejane Tamoto 10 de Março de 2016 às 16:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


Se para quase 10 milhões de brasileiros o desemprego se tornou uma dura realidade em 2015, para 57% dos entrevistados de uma pesquisa nacional da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) ele é o maior fantasma na atual recessão.

A perda do emprego está no topo da lista de preocupações, seguida da inflação elevada, mencionada por 23%, a diminuição da renda (para 11%) e a redução das linhas de crédito (9%). 

Flavio Calife, economista da Boa Vista SCPC, diz que esse comportamento reflete a rápida deterioração do mercado de trabalho e da renda no ano passado, que deve prosseguir neste ano, com a projeção de que a taxa de desemprego cresça 10% ao fim de 2016. 

Com os preços elevados nas contas básicas, como água, luz e telefone, mais a queda de 6,4% na renda, o brasileiro viu-se forçado a apertar o cinto. O gasto real (descontada a inflação) teve retração de 5,6% no ano passado. Tido como um consumista de mão cheia nos tempos de crédito farto, agora se protege com o corte de gastos. 

Segundo o estudo Consumer Insights, elaborado pela Kantar Worldpanel, no ano passado houve, em média, quatro visitas a menos aos pontos de venda em comparação com 2014. A pesquisa mostra que 1,6 milhão de famílias pararam de comer em restaurantes nos últimos 2 anos, sendo o jantar a refeição mais impactada: mais de meio milhão de famílias deixaram de jantar fora. 

Essa situação de corte de gastos e ajuste fez as pessoas controlarem de maneira mais atenta o orçamento doméstico para evitar a inadimplência.

E esse pode ser um hábito bom que esse período de escassez, o que aparece na pesquisa, quando 88% dos consumidores disseram que esperam que as próprias finanças pessoais em 2016 estarão melhor ou no mesmo nível do ano anterior. Na pesquisa anterior, de 2015, esse contingente era de 74% dos entrevistados. 

Quando questionados sobre as contas pessoais, 48% disseram que consideram que elas estão equilibradas, embora uma fatia expressiva, de 42%, tenha informado que gasta mais do que recebe.

Ainda assim, o estudo mostrou também que 46% dos entrevistados se classificam como “equilibrados” em relação a seus hábitos de consumo. 

Para Calife, essa mudança de comportamento mostra não só uma reação à piora do cenário econômico, mas também guarda uma forte incerteza em relação ao futuro.

A maioria dos consumidores, ou 73% deles, avaliou que a economia brasileira está em pior situação em 2016 do que em 2015. Outros 17% acham que está igual e apenas 10% consideram que melhorou. O pessimismo foi maior em 2015, quando 83% acreditavam que o ano seria pior do que o anterior.

O consumidor de perfil econômico e mais controlado é o mais pessimista em relação à situação da economia brasileira.

Uma fatia de 89% desse perfil de pesquisado espera um ano negativo para a economia, porcentagem que cai para 70% entre os “muito consumistas”, que costumam ter uma natureza mais otimista.

REGIÕES E CLASSES

A Pesquisa Hábitos de Consumo – Dia Mundial do Consumidor 2016, da Boa Vista SCPC, foi realizada com 504 pessoas em fevereiro e trouxe dados de acordo com as regiões do país e a classe social dos entrevistados.

Na região Norte, por exemplo, o temor de ficar desempregado atinge 71% dos consumidores. Nas classes D/E, é um fantasma que atinge a maioria: 67% dos entrevistados.

O desânimo com a atual situação da economia foi maior no Sudeste, onde a fatia de pessimistas foi de 78%, em comparação a 74% no Centro-Oeste e também no Sul, 73% no Nordeste e 50% no Norte.
 
O consumidor da classe A/B é mais pessimista com a economia brasileira, o equivalente a uma fatia de 83% dos entrevistados. Nem tão otimista, 74% dos entrevistados das classes C e D/E pensam o mesmo.
 

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