Brasil

Delator procura comprometer Temer com o lodo do Petrolão


Depoimento do empreiteiro Júlio Camargo à Procuradoria não cita operação de suborno; vice-presidente - que é uma alternativa constitucional para a atual crise política - nega envolvimento


  Por Redação DC 22 de Agosto de 2015 às 14:41

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Depoimento de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PRG) envolve pela primeira vez o vice-presidente Michel Temer, personagem central nos cenários para a solução da atual e aguda crise política.

Temer prontamente publicou nota neste sábado (22/08) em que negou qualquer envolvimento. A acusação do delator Júlio Camargo foi formulada em termos vagos e não cita nenhum pagamento específico ao vice-presidente.

Trata-se, mesmo assim, de um novo elemento que agita o já confuso panorama desencadeado pela Operação Lava Jato, com fortes repercussões na economia.

Caso, por algum dos motivos até agora evocados, a presidente Dilma Rousseff for afastada da Presidência da República, o vice seria seu substituto constitucional.

Ele vinha também exercendo a coordenação política do Planalto com o Congresso, cargo que anunciou nesta sexta-feira (21/08) que estará deixando. Comunicará a decisão à presidente no início da semana.

Por mais que o motivo apresentado por Temer aos seus mais próximos seja bastante compreensível – o Congresso terminou a tramitação dos decretos de ajuste fiscal -, sua saída seria também interpretada como uma ruptura com a presidente.

Ou corresponderia a um afastamento, o que beneficia os planos do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que está disposto a favorecer a votação do impeachment, embora seu indiciamento por corrupção pela PRG o tenha enfraquecido nos últimos dias.

O DEPOIMENTO

Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, o lobista Júlio Camargo - que relatou pagamento de propina a Eduardo Cunha - afirmou que o lobista Fernando Soares era conhecido por representar o PMDB, o que incluiria, além de Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o vice-presidente Michel Temer.

"Havia comentários de que Fernando Soares era representante do PMDB, principalmente de Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. E que tinha contato com essas pessoas de 'irmandade'.".

A afirmação consta em relatório dos investigadores sobre o primeiro depoimento prestado por Júlio Camargo à PGR, em março.

Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, foi responsável por intermediar pagamento de propina combinada com Júlio Camargo para facilitar um contrato de aquisição de navios-sonda pela Petrobras com a coreana Samsung Heavy Industries Co.

Em outro ponto do depoimento, ao mencionar que o PMDB deu apoio ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Camargo volta a citar de forma vaga os três nomes e também o nome do empresário José Carlos Bumlai.

O relatório da Procuradoria aponta no depoimento de Camargo que Bumlai seria amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Na área interna o depoente negociava diretamente com Paulo Roberto Costa. Fernando Soares - era corrente - que representava o PMDB.

Depois o PMDB também 'entrou para fortalecer' Paulo Roberto Costa. Ambos então 'ficaram muito fortes'. Fala-se de Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Michel Temer, José Carlos Bumlai (o amigo de Lula)", aponta o relatório da PGR sobre o depoimento de Camargo.

Os três depoimentos de Camargo ao grupo de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, permaneciam até agora em sigilo e serviram de fundamento para o oferecimento de denúncia contra o peemedebista por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A NOTA DE TEMER

Temer divulgou nota, dizendo não conhecer dois dos delatores da operação Lava Jato: Fernando Baiano e Júlio Camargo.

O comunicado foi uma resposta ao depoimento de Camargo, com informações que foram tornadas públicas, segundo as quais o lobista Fernando Soares era conhecido por representar o PMDB, em afirmação em que o nome do vice-presidente foi citado.

"Havia comentários de que Fernando Soares era representante do PMDB, principalmente de Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. E que tinha contato com essas pessoas de 'irmandade'", diz trecho do relatório dos investigadores sobre o primeiro depoimento prestado por Júlio Camargo à Procuradoria Geral da República (PGR), em março.

Temer, na nota, disse que apoia as investigações da Operação Lava Jato e que essas apurações contribuem para o fortalecimento das relações institucionais brasileiras e da República. O comunicado, no entanto, contesta as informações dadas pelo delator e as classifica como "inteiramente falsas".

"Michel Temer não conhece Fernando Soares, nunca teve ou tem com ele qualquer relação ou contato de 'irmandade'; também não conhece Júlio Camargo", diz a nota.

"O vice-presidente incentiva apurações sérias, profundas e responsáveis sobre os fatos. Apenas se insurge contra informações falsas e inverídicas", concluiu o comunicado.

Com Estadão Conteudo

 






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