Brasil

Defesa de comerciante agredido vê elementos para crime de tortura


O comerciante iraniano Navid Saysan (foto) considerou brandos demais os crimes atribuídos pela Corregedoria da Polícia a seu agressor, o investigador José Camilo Leonel


  Por Renato Carbonari Ibelli 11 de Março de 2016 às 20:00

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


O investigador José Camilo Leonel foi indiciado na última quinta-feira (11/03) pela Corregedoria da Polícia Civil por agredir o comerciante iraniano Navid Saysan, proprietário de uma loja de tapetes da região dos Jardins. A defesa do comerciante, entretanto, considerou brandos demais os crimes imputados ao investigador.

Segundo a Secretaria de Segurança Publica de São Paulo (SSP-SP), Leonel foi indiciado pela Corregedoria pelos crimes de corrupção passiva, constrangimento ilegal, injúria e falsidade ideológica. “Esperávamos acusações mais graves, compatíveis com a gravidade dos atos praticados por ele”, disse Maria José Ferreira, advogada do comerciante.

A advogada comentou que há elementos para atribuir ao investigador os crimes de tortura e abuso. Maria José disse que seu cliente ainda não teve acesso aos termos do indiciamento, mas soube dos fatos pelo noticiário. “Navid não achou justo, mas busquei explicar que o Ministério Público ainda pode acrescentar novos crimes”, disse.

O resultado do inquérito formulado pela Corregedoria da Polícia deve ser encaminhado nesta segunda feira (14/03) ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) do Ministério Público, que vai analisar as denúncias e dar ou não prosseguimento ao processo na Justiça. 

Paralelamente ao processo na Justiça, o investigador é alvo também de um processo administrativo na Corregedoria. Mas esse caso corre em segredo.

O investigador foi flagrado por câmeras de segurança agredindo o comerciante em 21 de janeiro. O fato foi desencadeado pela venda de um tapete de R$ 5 mil a estudante de direito Iolanda Delce dos Santos, que desistiu da compra cerca de um mês depois e não obteve o ressarcimento que queria.

A estudante então chamou o investigador, que nas imagens das câmeras de segurança da loja de Navid aparece dando socos e apontando a arma para o comerciante. 

Um outro vídeo mostra que, pouco antes da agressão, o investigador e a estudante haviam se encontrado em um restaurante a poucos quarteirões da loja de tapetes.

Segundo a SSP-SP, a estudante foi indiciada por constrangimento ilegal, falsidade ideológica e exercício arbitrário das próprias razões. Essas acusações também foram consideradas leves demais pela defesa do comerciante. “Ela teve coparticipação nos crimes do investigador. Esperávamos que fosse indiciada pelos mesmos crimes dele”, disse Maria José.

IMAGEM: Estadão Conteúdo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto de abertura: Newton Menezes/Estadão Conteúdo