Brasil

Datafolha: Bolsonaro não decola, e Alckmin ainda patina


Ex-capitão do Exército oscilou apenas 2 pontos, apesar da notoriedade que involuntariamente ganhou com o atentado que sofreu. Ex-governador de São Paulo ganhou apenas 1 ponto


  Por João Batista Natali 10 de Setembro de 2018 às 22:00

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Pesquisa do Datafolha divulgada na noite desta segunda-feira (10/9) demonstra que Jair Bolsonaro (PSL) não foi beneficiado pelo atentado que sofreu em Juiz de Fora. Ele apenas oscilou para cima, dentro da margem de erro, de 22% - na pesquisa anterior, em 21 de agosto - para agora 24%.

Outra constatação é de que Geraldo Alckmin (PSDB), apesar de dez dias de horário eleitoral na TV e com a metade do tempo disponível, praticamente não saiu do lugar. No Datafolha anterior, ele tinha 9% das intenções de voto. Passou agora para 10%. Atingiu dois dígitos, se é que há nisso um fator de consolo.

O levantamento do instituto da Folha de S. Paulo vinha sendo bastante aguardado porque duas teses circulavam com insistência entre os candidatos mais viáveis à sucessão de Michel Temer.

Pela primeira tese, Bolsonaro não apenas confirmaria sua liderança, mas obteria tantas intenções de voto que ele até mesmo dispensaria um segundo turno. Já estaria eleito no primeiro, em razão da facada que recebeu no ventre e da espantosa exposição na mídia que passou a merecer.

Pois não foi isso que aconteceu.

A segunda tese diz respeito a Alckmin. Ter tempo de televisão e fazer uma campanha competente - antes do atentado de Juiz de Fora ele bateu firme em Bolsonaro e nas teses armamentistas do ex-capitão do Exército - não foram suficientes para que o ex-governador de São Paulo se tornasse a partir de agora uma promessa em que seja possível apostar. 

HADDAD AINDA NÃO EXISTE

Fernando Haddad (PT) passou de 4% para 9%. Foi uma ascensão bem pequena para um nome que provavelmente a partir desta terça-feira (11/9) substituirá o ex-presidente Lula como cabeça da chapa petista.

Lula é inelegível, e o PT fez de tudo para prorrogar o período em que Haddad seria apenas um candidato a vice. Apesar de preso em Curitiba desde 7 de abril, o dirigente petista fez uma aposta arriscada. Poderia ter inviabilizado eleitoralmente o ex-prefeito de São Paulo para firmar posição como chefe de seu partido, aproveitando-se ainda do horário eleitoral para reafirmar que é inocente - apesar de o Judiciário ter dito o contrário, em primeira e em segunda instância.

O curioso é que, segundo o Datafolha, 30% dos eleitores em geral - e não apenas simpatizantes do PT -afirmam que votariam no candidato que Lula recomendasse. Mas quando Haddad é colocado como opção, as intenções de voto que ele recolhe são incomparavelmente menores.

Em outras palavras, Lula está tendo uma séria dificuldade para transferir para seu candidato as intenções que o colocavam como candidato virtualmente mais votado, diante até de Bolsonaro.

CIRO E MARINA

É provável que o fato de Haddad não demonstrar tanto brilhantismo (por contraste, o Datafolha chegou a atribuir a Lula 37%) se deva ao fato de Ciro Gomes (PDT) estar emergindo vagarosamente como a opção eleitoral das esquerdas.

Ele cresceu pouco, de 10% para 13%. Mesmo assim, ele o fez acima da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.

Com Marina Silva (Rede) aconteceu o inverso. Ela tinha em agosto 16% das intenções de voto e vinha em segundo lugar, depois de Bolsonaro, no cenário em que o nome de Lula não mais aparecia. Pois ela caiu agora cinco pontos e está com apenas 11%.

Ela está em terceiro lugar, e empatada tecnicamente com os 10% de Geraldo Alckmin.

Na sequência, o Datafolha constata que estão empatados Álvaro Dias (Podemos) João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB), os três com 3% de intenções. Mas o ex-governador do Paraná oscilou para baixo em um ponto. Ele estava com 4% em agosto. Amoêdo e Meirelles oscilaram para cima. Ambos estavam com 2% e registram essa simbólica ascensão dentro da margem de erro.

Quanto aos demais concorrentes, permanecem com 1% Vera (PSTU), Cabo Daciono (Patriotas) e Guilherme Boulos (Psol). João Goulard e Emayel não pontuam.

SEGUNDO TURNO

A exemplo do que o Ibope havia demonstrado na semana passada, Jair Bolsonaro seria derrotado por seus principais concorrentes, caso venha a enfrentá-los no segundo turno.

Marina Silva o derrotaria por 43% a 37%, Geraldo Alckmin por 43% a 34%, e Ciro por 45% a 35%. E também repetindo um resultado apontado pelo Ibope, o Datafolha revela que Bolsonaro teria alguma esperança de vitória, caso seu adversário fosse Fernando Haddad. Os dois estão em empate técnico, com 39% para o ex-prefeito de São Paulo e 38% para o ex-capitão do Exército.

Nos cenários em que Bolsonaro não aparece como finalista, temos um fogo-cruzado do qual não é possível extrair constantes ideológicas. Ciro Gomes derrotaria Alckmin por 39% a 35% (no limite do empate técnico). Marina (38%) estaria empatada com o ex-governador de São Paulo (37%), que por sua vez derrotaria com facilidade Fernando Haddad (43% a 29%). 

Haddad também perderia de Ciro (41% a 35%) e de Marina (42% a 31%). Desde a redemocratização e a eleição presidencial de 1998, o ex-prefeito de São Paulo se tornou - por enquanto - o patinho mais feio entre os candidatos de esquerda.

A pesquisa do Datafolha também procurou medir a rejeição dos principais concorrentes. O mais prejudicado por esse parâmetro é Jair Bolsonaro, com 43% de eleitores que disseram em nenhuma hipótese estarem dispostos a votar nele. Seguem-se Marina (25%), Alckmin (24%) e Haddad (22%).

Em seu levantamento, o Datafolha ouvou os mais de 4 mil entrevistados nesta segunda-feira (10/9), com eleitores segmentados segundo o gênero, a renda, a região e o tamanho do município em que moram.

FOTO: Agência Brasil/Fotos Públicas