Brasil

Confiança dos paulistas tem maior recuo mensal desde 2015


Crise política, lenta retomada e elevado desemprego explicam a queda no indicador da Associação Comercial de São Paulo em abril


  Por Redação DC 11 de Maio de 2018 às 10:07

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Índice de Confiança de São Paulo (IC-SP) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou 57 pontos em abril, uma queda de 14 pontos em relação ao mês anterior (71).

Foi o maior recuo mensal do indicador desde a passagem de janeiro (126) para fevereiro de 2015 (107 pontos). No Brasil, o índice de confiança ficou estável na passagem de março (75 pontos) para abril (74).

“A economia se recupera a passos lentos. A taxa de desemprego ainda é muito elevada. O desempenho industrial nos primeiros meses do ano foi fraco ? e esse setor tem forte peso na economia do Estado de SP. Tudo isso contribui para o maior pessimismo do consumidor paulista”, analisa Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

“A crise política persiste e continua a minar a confiança da população, em especial das camadas mais bem informadas. E a proximidade das eleições reforça o cenário de indefinições quanto ao futuro das políticas estadual e brasileira. Não sabe como vai ficar no ano que vem. A mudança de governador e presidente, juntamente com debates políticos acalorados, têm provocado insegurança nas pessoas”.

A pesquisa abrange todo o território paulista e é realizada mensalmente pelo Instituto Ipsos a partir de entrevistas domiciliares, com margem de erro de três pontos. O IC-SP deste mês foi feito entre 1º e 15 de abril. O índice varia entre zero e 200 pontos; o intervalo de zero a 100 é o campo do pessimismo e, de 100 a 200, o do otimismo.

PESSIMISMO

A pesquisa revela que aumentou a parcela dos consumidores paulistas que acreditam que a economia da região piorará nos próximos seis meses.

Em março, essa parcela era de 23%, e em abril subiu para 27%. Ao mesmo tempo, o percentual de entrevistados que apostam numa melhora caiu de 23% para 16% na mesma base de comparação.

Em abril, 71% dos respondentes não estavam à vontade para realizar uma compra de médio porte (67% em março), enquanto 79% não se sentiam seguros para uma aquisição de grande porte (casa ou carro), ante 75% no mês anterior.

O pessimismo generalizado do consumidor paulista se estendeu ao mercado de trabalho. Em abril, 67% estavam inseguros no emprego, ante 63% no mês anterior. Aumentou a quantidade de pessoas que disseram conhecer alguém que foi demitido (77% em abril contra 72% em março).

COMO É FEITA A PESQUISA

O IC-SP é elaborados a partir de entrevistas pessoais e domiciliares, com base em amostra probabilística e representativa da população de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2014). Trata-se de uma medida da extensão de confiança e segurança da população quanto à sua situação financeira ao longo do tempo. Além de indicar a percepção da população quanto à economia, o índice visa a prever o comportamento do consumidor no mercado.

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