Brasil

Confiança do consumidor é estável, mas em patamar baixo


Indicador da Associação Comercial de Sáo Paulo registra 76 pontos em fevereiro e aponta recorde de brasileiros que conhecem alguém que perdeu o emprego nos últimos 6 meses


  Por Karina Lignelli 08 de Março de 2016 às 12:55

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou 76 pontos em fevereiro – um a mais do que no mês anterior e 52 a menos sobre fevereiro de 2015.

De acordo com o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a baixa confiança do consumidor brasileiro é resultado da crise que afeta o País.

“São três meses seguidos nesse patamar. Enquanto não houver solução para o impasse político-institucional que derruba a nossa economia, não há perspectivas de melhora. Precisamos urgentemente que o Brasil volte a andar e a crescer”, diz Burti.

Os dados do INC, medido pelo Instituto Ipsos, ficaram abaixo dos 100 pontos pelo 11º mês consecutivo.

Um dos grandes destaques do Indicador é o número recorde de brasileiros que conhecem alguém que perdeu o emprego nos últimos seis meses. Em fevereiro, os entrevistados disseram conhecer, em média, 5,25 pessoas que foram demitidas. No mesmo mês de 2015, a média era de 3,25. 

Alguns indicadores específicos demonstram que a expectativa do consumidor continua bastante baixa: 53% dos mil entrevistados em todas as regiões do país consideraram sua situação atual ruim em fevereiro do ano passado, ante 35% em igual mês de 2015.

Já os que se sentem seguros no emprego são 13%, ante 32% em fevereiro do ano passado. Do total, 61% se sentem menos à vontade em comprar eletrodomésticos, e 67% em comprar veículos ou imóveis. Em igual período de 2015, os números eram 37% e 46%, respectivamente. 

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Em fevereiro, apenas 24% dos entrevistados consideravam sua situação financeira boa. Em 2015, esse percentual era de 40%.

“Principalmente a insegurança no emprego faz com que essa intenção de compra de bens duráveis se mantenha no campo do pessimismo”, diz Emílio Alfieri, economista da ACSP. 

REGIÕES E CLASSES 

Na análise por regiões, a confiança no Sul, apesar da ligeira alta, de 63 pontos em janeiro para 68 em fevereiro, foi a menor do INC, provavelmente por conta renegociação de repasses de dívidas estaduais com o governo federal, segundo Alfieri. 

Na sequência, vem o Sudeste, também com ligeira alta de 66 para 70 pontos. “As chuvas podem ter impulsionado o agronegócio no interior”, afirma, lembrando que, na análise por estado, São Paulo teve o menor resultado, se mantendo nos 60 pontos.    

No Norte e no Centro-Oeste, a confiança caiu de 85 para 79 pontos. A queda rápida, segundo Alfieri, tem a ver com o clima, que prejudicou a safra de milho, assim como o baixo preço das commodities. 

“A proximidade com Brasília e o agravamento da crise política também podem ter gerado reflexos na região”, diz o economista. 

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Já o aumento do salário mínimo em janeiro, que só entrou no bolso a partir de fevereiro, pode ser o responsável pelo Nordeste ficar no topo do ranking da confiança, que se manteve estável em 91 pontos. 

Questionado se o reajuste teria influenciado a melhora em outros indicadores - como o Índice de Confiança do Consumidor da FGV, que subiu 2,1 pontos em fevereiro por conta da melhora das perspectivas das finanças das famílias - Alfieri afirma que "o impacto só se deu nas classes D e E.” 

Quanto às classes sociais, mais umas vez as classes A/B, mais informadas sobre o impasse político-institucional, registraram estabilidade na confiança, que ficou em 63 pontos em fevereiro, ante 62 em janeiro. 

Nas D/E, a queda foi grande, de 92 para 87 pontos, puxada pela alta do desemprego mas periferias das regiões metropolitanas, afirma o economista. 

A surpresa ficou com a classe C, que havia parado de ser a mais confiante, mas ficou no topo do ranking, com alta de 73 para 77 pontos em fevereiro. 

“Essa resultado é puxado pelo agronegócio, único setor que contabilizou vagas positivas no CAGED, assim como pelas exportações de commodities”, conclui.  

Foto: Thinkstock / Infográfico: William Chaussê