Brasil

Confiança do brasileiro se mantém em patamar baixo


Após três meses de alta, Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo para de crescer em novembro. "O consumidor está tentando ajustar seu orçamento", diz Alencar Burti, presidente da ACSP (foto)


  Por Redação DC 25 de Novembro de 2016 às 09:56

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A confiança do consumidor brasileiro ficou estável em patamar baixo em novembro, de acordo com o Índice Nacional de Confiança (INC), levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A pesquisa registrou 77 pontos, contra 78 em outubro. A oscilação foi dentro da marguem de erro, que é de três pontos.

O resultado interrompe uma trajetória de melhora da confiança do consumidor nos últimos três meses no Brasil – o INC marcou 68 pontos em agosto, 74 em setembro e 78 em outubro. A pesquisa foi feita entre os dias 1º e 13 de novembro.

“O INC parou de subir e isso é um sinal de que o consumidor está cauteloso e em compasso de espera, tentando ajustar seu orçamento”, avalia o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti.

O índice varia entre zero e 200 pontos, sendo que o intervalo entre zero e 100 é o campo do pessimismo e, de 100 a 200, do otimismo.

PRESENTE E FUTURO

Um dos componentes que integram o INC revela ligeira melhora na visão dos brasileiros quanto à sua situação financeira atual.

Na pesquisa de novembro, 52% apontaram como ruim a situação, ao passo que em outubro eram 56%.

“Isso não é decorrente da situação da economia, que não melhorou, mas sim do fato de o consumidor aguardar um sinal de melhora e, ao mesmo tempo, evitar assumir novos compromissos - ele está procurando ficar em dia com as dívidas já existentes”, diz Alencar Burti.

Os inseguros no emprego hoje são 51% - mesma parcela do mês anterior. Como reflexo dos níveis recordes de desemprego, os entrevistados de novembro conhecem uma média de 5,94 pessoas que foram demitidas, contra 6,11 em outubro, quando foi o mais alto número da séria histórica do INC, com início em 2005.

A pesquisa revela também que os consumidores evitam compras de bens duráveis (ver tabela “Situação, emprego e consumo”).

REGIÕES

Com 97 pontos em novembro – seis a mais do que em outubro - o Sul se aproxima do campo neutro do INC (100 pontos). A melhora vem do agronegócio e da perspectiva de recorde para a próxima safra.

O mesmo fator impulsionou a confiança de quem mora no Norte e no Centro-Oeste: esse grupo de regiões apresentou INC de 92 pontos (86 em outubro).

No Sudeste, a confiança caiu quatro pontos na passagem de outubro para novembro e ficou em 70 pontos.

No Nordeste, diminuiu de 72 pontos em outubro para 68 em novembro, provavelmente pela seca.

Nas regiões metropolitanas analisadas pelo INC, a queda da inflação de alimentos pode ter ajudado no salto de 11 pontos na passagem de outubro (48) para novembro (59).

No interior do País e nas capitais a confiança ficou estável em 84 pontos e em 72, respectivamente.

O Instituto realizou entrevistas pessoais e domiciliares em todas as regiões brasileiras, com base em amostra probabilística e representativa da população brasileira de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2014).

VEJA A PESQUISA DA ACSP NA ÍNTEGRA

INDICADOR DA CNI SINALIZA PESSIMISMO

O pessimismo do brasileiro aumentou em novembro em relação à inflação, ao desemprego, à renda pessoal e à situação financeira.

É o que mostra o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) divulgado nesta sexta-feira (25/11), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Em novembro, o Inec caiu para 103,2 pontos. O valor é 1,1% menor do que o de outubro e está 5,2% abaixo da média histórica, de 108,8 pontos. 

O resultado marca uma reversão na curva de recuperação da confiança dos consumidores. De acordo com a entidade, o índice estava em alta havia quatro meses. 

"A queda do Inec acende um sinal amarelo para a recuperação da economia, porque a confiança é importante para o aumento da demanda", disse Marcelo Azevedo, economista da CNI 

Para ele, se a confiança do consumidor continuar caindo não haverá crescimento do consumo.
A piora do índice é explicada principalmente pela perspectiva da inflação.

A pesquisa apurou uma queda de 5,6% no índice de expectativa para os preços. Pela metodologia da CNI, quanto menor é o índice, maior é o número de pessoas que esperam aumento da inflação.

Da mesma forma, a pesquisa indicou queda de 0,8% no índice para perspectiva de emprego, 2,6% para a renda pessoal e 1,7% na situação financeira. 

Por outro lado, foi detectado um aumento na propensão de comprar bens de valor elevado. Segundo Azevedo, esse resultado é influenciado pela proximidade do Natal.

Esta edição do Inec, realizada em parceria com o Ibope, ouviu 2.002 pessoas em 143 cidades no período de 10 a 14 de novembro.

*Atualizado às 13h20