Brasil

Compras motivam quase 2 milhões de viagens motorizadas por dia


Pesquisa Origem Destino 2017, feita pelo Metrô-SP, foi tema de discussão em evento promovido pelo Núcleo de Estudos Urbanos da ACSP, com a presença de Luiz Cortez, gerente de planejamento do Metrô-SP


  Por Mariana Missiaggia 26 de Setembro de 2019 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Com muitos endereços comerciais e polos varejistas consolidados, a cidade de São Paulo realiza pouco mais de 1,9 milhão de viagens motorizadas por dia, motivadas exclusivamente, pelas compras.

A informação foi levantada pela Pesquisa Origem Destino (OD) 2017, realizada pelo Metrô de São Paulo. Esse número representa um aumento de aproximadamente 35%, em relação a 2007, ano da pesquisa anterior.

As viagens motorizadas são aquelas feitas por metrô, trem, ônibus, automóveis e motocicletas, sendo as não motorizadas realizadas por bicicleta ou a pé.

O número foi divulgado por Luiz Antônio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento e Meio Ambiente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP), durante uma reunião com integrantes do Núcleio de Estudos Urbanos (NEU), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“O número é muito relevante, especialmente se considerar que estamos presenciando o crescimento do e-commerce e que a pesquisa foi realizada num período de crise econômica. Mesmo assim, esse movimento confirma a importância do comércio físico nos últimos dez anos”.

Outro recorte de pesquisa mostra que pequenos negócios também são a razão de muitas viagens não-motorizadas. O uso de bicicletas com a finalidade de fazer compras cresceu de 4% para 11%, de 2007 para 2017. São distâncias menores, que segundo Cortez, também acabam originando as chamadas compras por impulso.

O gerente do Metrô destaca que embora nenhuma pesquisa confirme essa intuição, outras cidades do Brasil e do mundo já realizaram alguns estudos que confirmam uma relação muito forte entre o uso da bicicleta e o aumento nos números do comércio, especialmente, nos negócios de bairro.

“Os ciclistas têm a mesma facilidade de um pedestre. Conseguem parar em qualquer lugar e os próprios comerciantes apontam o ciclismo como muito favorável ao comércio, especialmente, de alimentos e para pequenas compras”, diz.
Cortez esclarece que as entregas não são contabilizadas nessa conta, pois são consideradas como, fretes e carga. Números da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apontam que a cidade de São Paulo soma 30 mil contratados para serviços de entrega feitos por bicicletas.

Outro destaque da pesquisa revela que o horário do meio-dia se tornou o mais movimentado na Região Metropolitana de São Paulo, com 5,2 milhões de viagens diárias, ficando a frente dos picos da manhã e da tarde. Os picos da manhã e da tarde registraram 4,5 milhões e 4 milhões de viagens, respectivamente.

Na opinião de Cortez, esses deslocamentos no meio do dia refletem as dificuldades econômicas do país e o estabelecimento de um novo padrão do mercado de trabalho. Parte da população se divide entre dois empregos, outras empresas reduziram a carga horária como alternativa ao desemprego e ainda há muita gente buscando emprego, segundo o executivo.

Larissa Campagner, coordenadora técnica do Conselho de Política Urbana (CPU), da ACSP, exaltou a importância do estudo e da série histórica para entender o comportamento do usuário e a eficácia do transporte sobre trilhos na cidade de São Paulo.

O arquiteto e urbanista Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie e membro do NEU, também falou sobre a validade de manter o mesmo padrão para a pesquisa há tantas décadas.

“Por ter uma base tão consolidada, esses dados se tornam fundamentais não só para o planejamento do transporte coletivo, mas também para o desenvolvimento dos eixos de estruturação de São Paulo e na forma como a cidade se relaciona com a região metropolitana”, diz.

PESQUISA OD

Realizada há 50 anos, essa é a sexta edição da Pesquisa OD – o maior levantamento de mobilidade urbana realizado no Brasil. Os dados são apurados a cada dez anos pelo Metrô e, a partir dos resultados, é possível entender a mobilidade e a forma como as pessoas se deslocam na Região Metropolitana de São Paulo. Isso possibilita o mapeamento dos deslocamentos e das atividades econômicas da Grande São Paulo para o planejamento do transporte público.

Na edição de 2017, foram 11 meses de trabalho para a coleta das informações com mais de 156 mil pessoas nas 39 cidades que formam a Região Metropolitana de São Paulo. As entrevistas foram feitas em residências, rodovias, aeroportos e terminais rodoviários.

FOTO: Beatriz Sanches/ACSP