Brasil

Como SP está reduzindo os índices de criminalidade do Estado


Evento na ACSP, com General João Camilo, secretário de segurança pública, discutiu o efeito da integração entre os órgãos policiais e as ações do atual governo para combater crimes e colher as demandas da população


  Por Mariana Missiaggia 22 de Outubro de 2019 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Com o desafio de tornar permanente as quedas nos índices de criminalidade, o secretário estadual da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, comemorou os últimos dados apresentados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), em setembro deste ano. Até agosto, o Estado acumulou oito meses consecutivos de redução nos casos e vítimas de homicídios dolosos e latrocínios, além da queda nas ocorrências de roubos a banco e de carga, e roubos e furtos de veículos.

Na última segunda-feira (21/10), o secretário de segurança pública participou de uma sessão plenária conjunta promovida pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), coordenada por Alfredo Cotait, presidente da ACSP e Facesp, pelos vice-presidentes da ACSP, Roberto Mateus Ordine e Carlos Monteiro e Ary de Oliveira Russo, diretor e vice-presidente da Facesp.

Durante sua apresentação, general João Camilo destacou que o trabalho realizado pelas polícias Militar, Civil e Técnico-Científica no mês de agosto deste ano resultou em 17,5 mil prisões – um aumento de 1,06%, e que mais de 1 mil armas de fogos foram retiradas das ruas e 4,1 flagrantes de tráfico de drogas foram registrados. Com queda de 9,38%, os casos de homicídios dolosos passaram de 224 para 203.

Já os roubos de veículo recuaram 26,3%, de 4,8 mil para 3,5 mil. Os furtos de veículos também diminuíram 7,67% em agosto. A quantidade passou de 8,5 mil para 7,9 mil – a primeira vez que o indicador fica abaixo de 8 mil ocorrências no período, segundo o general.

Os roubos de carga registraram queda de 20,86%, de 748 para 592. A redução se estendeu para os roubos a banco que passaram de cinco para um, atingindo o menor total contabilizado pela série.

O QUE ESTÁ SENDO FEITO

A melhora nos índices é resultado das megaoperações São Paulo, Rodovia e Interior Mais Seguro, que de acordo com o general são fundamentais no combate à criminalidade do Estado de São Paulo. Ele também cita a eficiência do chamado triângulo da Segurança Pública, que promove a integração de inteligência, por meio dos Centros de Operações Integradas (COIs), ao uso da tecnologia, como o aplicativo SOS Mulher e o programa Dronepol e a valorização policial, que contempla o programa de bonificação por resultados e o Policial Nota 10.

“Esses números nos estimulam, como entidade, a estar cada vez mais alinhados com os trabalhos do governo do Estado e para ampliar a nossa atuação local por meio de nossas Distritais contribuindo para a promoção da segurança pública”, diz Cotait.

Durante sua apresentação, o secretário também falou sobre as ações de combate à violência contra a mulher. Neste ano, São Paulo aumentou de um para dez o número de delegacias de defesa a mulher 24 horas e também lançou o aplicativo SOS Mulher para intensificar o atendimento a mulheres com medidas protetivas concedidas pelo Tribunal de Justiça.

O general também atribui a melhora nos índices de criminalidade à aproximação dos policiais do Estado para com a população por meio da ativação dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs)  - um conselho formado por pessoas de uma mesma comunidade que se reúnem para discutir e acompanhar os problemas e soluções de seus problemas de segurança. O objetivo é justamente estreitar a relação entre comunidade e polícia, e fazer com que estas cooperem entre si, com ações visando a prevenção e a solução de problemas diagnosticados por esses grupos.

Como exemplo das demandas recebidas, o secretário citou o caso de bairros como Morumbi e Santo Amaro, que se mobilizaram para cobrar segurança pública diante do aumento de delitos nos bairros.

Apenas no primeiro semestre deste ano, os moradores das regiões oeste e sudoeste, registraram mais de cinco mil boletins de ocorrência relativos a roubos, arrastões e tentativas de assaltos. A situação levou um grupo de moradores a criar um movimento pedindo por maior policiamento na região, o “Vizinhança Solidária”.

“Essa parceria com a população tem sido fundamental. Vejo que cada vez mais, a integração policial, o uso de tecnologia e a valorização da classe policial nos levarão a ter mais eficácia dentro do sistema, com mais efetividade. Crescemos juntos e contribuímos para melhorar o trabalho de investigação e da polícia”, diz o secretário.

Para Russo, diretor e vice-presidente da Facesp, é preciso ir além do crime comum. Ele cita as chamadas “feirinhas da madrugada” que tem afetado pequenas cidades com mercadoria falsificada.

“O interior de São Paulo tem sofrido com a violência da feirinha da madrugada, que tem arrebentado a nossa economia, especialmente, nas pequenas e médias cidades. Além das recomendações feitas às prefeituras, pedimos uma legislação que trate dessas feirinhas. Precisamos de apoio no combate a esse crime de sonegação e contra a micro e pequena empresa”, diz.

FOTO: Danielle Pessanha/ACSP