Brasil

Comerciantes contabilizam os prejuízos provocados pelas chuvas


O estabelecimento comercial de Ariovaldo da Silva (foto) foi um dos inundados no temporal do último dia 10. Ele contabiliza R$ 30 mil em perdas


  Por Wladimir Miranda 18 de Março de 2019 às 18:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Uma geladeira com o motor queimado, um Corsa, ano 1998, com perda total, todo o estoque de comida feito para o almoço do dia seguinte inutilizado.

Uma semana após as fortes chuvas do domingo, 10/03, que provocaram alagamentos, com 12 mortes, no Grande ABC e nos bairros do Ipiranga, Vila Prudente e Mooca, em São Paulo, o comerciante Ariovaldo da Silva, dono do Bar e restaurante show do lanche, ainda contabiliza os prejuízos que teve.

O estabelecimento fica na Rua Capitão Pacheco Chaves, 168, próximo da estação Ipiranga, da CPTM.

“Meu prejuízo supera os R$ 30 mil. Estou aqui há 10 anos e nunca vi nada igual. Foram mais de 5 horas de chuva intensa”, disse Ariovaldo, enquanto mostrava a altura da parede do bar que as águas alcançaram.

Resignado, ele não mostra disposição para tentar recuperar o que perdeu.

“Não adianta nada reclamar. Os poderes públicos não dão a mínima importância para os comerciantes”, disse.

Elza Miranda é dona de um pequeno comércio, a poucos metros do bar do Ariovaldo. Nos fundos, uma moradia coletiva, onde vivem 20 famílias, incluindo a dela, de forma precária. Na frente, Elza vende lanches e comidas rápidas, como pratos feitos.

Enquanto falava dos problemas provocados pelo alagamento, ela preparava a carne para o churrasco.

“Perdi tudo, da comida que tinha feito para a janta dos fregueses, aos colchões onde meus filhos dormem. Agora vou sobrevivendo”, disse ela.

Nas proximidades da área atingida existe um piscinão, feito pela prefeitura exatamente para evitar as enchentes.

Para Elza, o que foi feito no local nada tem de piscinão. “Aquilo não é piscinão, e sim uma banheirona, já que a água não escoa”, critica.

O domingo, 10 de março, nunca mais vai sair da cabeça de Elza.

“Eu estava lá dentro e comecei a ouvir o barulho da água caindo. Quando corri para o lado de fora, vi que tudo que tinha estava boiando. Foi uma tristeza. A água foi lá em cima”, contou apontando para o local na parede atingida pelas águas.

Dois freezers queimados, um aparelho de som totalmente danificado, quilos de comida perdidos no aguaceiro.

O prejuízo de Edson Lima de Souza, do Bar Barão, também na Rua Pacheco Chaves, ultrapassa os R$ 5 mil. Uma soma considerável para quem luta com muita dificuldade para sobreviver.

Uma das lideranças da região, Edson lembra o trabalho de solidariedade que foi feito por comerciantes e religiosos da Vila Prudentes para amenizar os efeitos da enchente.

Algumas padarias doaram alimentos para os moradores que ficaram desalojados. O mesmo foi feito por igrejas, que abrigaram quem ficou sem ter onde dormir. A favela que fica próxima, conhecida como Favelão da
Vila Prudente, também foi muito prejudicada pelas fortes chuvas. O local serve de moradia para oito mil famílias.

“Eu participei do grupo de ajuda a estas pessoas. Fui prejudicado, mas fiz questão de ajudar quem precisava de apoio”, disse ele.

E não foram apenas os pequenos comerciantes que foram afetados pelas águas.

O Supermercado Sonda, da região da Mooca, teve a sua área de recebimento de carga alagada.

É pelo local que chegam diariamente dezenas de caminhões com mercadorias para abastecer o estabelecimento.

O gerente Osias do Nascimento disse que os prejuízos foram enormes, mas não quis fornecer mais informações.

O Central Plaza Shopping foi outro grande estabelecimento comercial da região que foi bastante atingido pelas águas.
Indústrias da Vila Prudente e do Ipiranga também contabilizaram perdas importantes por causa do aguaceiro.

As mais prejudicadas foram a Cyberglass, na Av. Henry Ford, 1268, no Parque da Mooca, a Anobril, na Rua Guamiranga, 1506, na Vila Independência, e a Lorenzetti, na Av. presidente Wilson, 1230, Mooca

FOTO: Wladimir Miranda/Diário do Comércio