Brasil

Comerciante quer banda e propaganda nas ruas


Antônio Abrão Jorge Metne, dono da De Casa Decorações, em Santana, acha que uma boa música na calçada pode fazer o movimento crescer


  Por Wladimir Miranda 05 de Agosto de 2016 às 16:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Aos 79 anos, muito conhecido na região da Rua Voluntários da Pátria, em Santana, na Zona Norte, onde há 15 anos fundou a De Casa Decorações, Antônio Abrão Jorge Metne, propõe que se transforme as calçadas das ruas do bairro em palcos festivos, com bandas de músicas e shows variados.

É que, segundo ele, um ambiente descontraído e musical pode colaborar para que as pessoas visitem as lojas da região e, principalmente, sintam-se motivadas a comprar. 

“Esta é a sugestão que faço ao futuro prefeito, ou prefeita. Estamos precisando de alegria. E a música pode, sim, colaborar para que as pessoas se sintam motivadas a comprar”, afirma.

O comerciante também quer flexibilidade na Lei Cidade Limpa.

Em vigor em São Paulo desde 1 de janeiro de 2007, foi criada pelo ex-prefeito Gilberto Kassab, atual Ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações.

A lei regula o tamanho de letreiros e placas de estabelecimentos comerciais e proíbe a propaganda em outdoors na cidade, entre outras providências.

Elaborada pela arquiteta e urbanista Regina Monteiro, à frente da Diretoria de Meio Ambiente e Paisagem Urbana da Emurb, à época, a lei proíbe, em seu artigo 18, toda e qualquer forma de publicidade exterior.

"Fica proibida, no âmbito do Município de São Paulo, a colocação de anúncio publicitário nos imóveis públicos e privados, edificados ou não.”

“Converso bastante com outros comerciantes da região e todos dizem que precisamos mudar a lei em alguns pontos. Claro que não podemos poluir a rua com excesso de propaganda. Mas precisamos divulgar os nossos produtos. Como a música, acho que a propaganda faz com que o comércio fique mais alegre. A publicidade feita serve para chamar a atenção do consumidor. A publicidade ajuda muito”, afirma.

Antônio é de uma família de comerciantes. Já teve lojas em outros bairros de São Paulo. Sempre no ramo de decorações -cortinas e tapetes. Segundo ele, a venda de tapetes caiu 70% nos últimos anos. E não culpa a crise pela queda de movimento.

“O problema é que hoje os pisos normalmente são de laminados e madeiras. E muitas pessoas não querem usar tapetes, por causa da alergia”, disse.

A LOJA É UMA DAS MAIS TRADICIONAIS DA RUA VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA

As cortinas continuam vendendo muito bem, obrigado.

Com um faturamento mensal em torno de R$ 50 mil, Antônio faz poucas ressalvas ao esquema de segurança implantado no bairro.

Observa diariamente policiais andando em duplas pela Voluntários, uma das ruas mais movimentadas de Santana. Só faz restrições à maneira de operar dos policiais.

Na avaliação dele, o fato de os policiais militares e guardas civis metropolitanos andarem em duplas, não é o mais propício.

“Eu acho que, em duplas, os policiais ficam dispersos. Eu os observo e vejo que ficam conversando. O mais correto seria que andassem separados, para que realmente prestassem atenção no movimento. Juntos, ficam conversando sobre vários assuntos e esquecem o primordial, que é a segurança do cidadão”, afirma.

FOTOS: Divulgação