Brasil

Centenária, Vila Maria é forte no comércio e no transporte de cargas


O bairro nasceu de um loteamento ao lado do Tietê. No início, os moradores só conseguiam cruzar as águas do rio de barco. Jânio Quadros, que virou nome de ponte na região, tornou a vila mais famosa em seus discursos


  Por Wladimir Miranda 01 de Fevereiro de 2017 às 13:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


A Vila Maria comemora neste ano o centenário de fundação. O marco de nascimento do bairro da Zona Norte foi no dia 17 de janeiro de 1917, quando o loteamento do Sítio Bela Vista começou a ser negociado pela Companhia Paulista de Terrenos.

Quem comprava a terra, ganhava tijolos e telhas. Um incentivo para o comprador iniciar a construção de sua casa.

Como as terras ficavam do lado direito do Tietê, eram uma autêntica várzea, de difícil fixação.  A famosa ponte da Vila Maria foi construída um ano após o surgimento do bairro.

Foi um grande progresso para os moradores, que até então só conseguiam cruzar as águas do rio de barco.

Uma característica marcante naqueles tempos é que os moradores tinham embarcação própria, que era guardada em casa para os casos de enchentes rotineiras.

GUILHERME COTCHING, QUE SE TORNOU A PRINCIPAL AVENIDA DO BAIRRO

Os imigrantes portugueses tiveram um papel fundamental na formação do bairro. Estavam lá desde o início, mas a maior parte deles fixou residência na região entre as décadas de 1930 e 1970.

No início, a Vila Maria abrigou também uma colônia de húngaros. Hoje o perfil da população é bem variado. Além dos nativos, existem descendentes de portugueses, migrantes nordestinos, paranaenses e imigrantes bolivianos.

Muitos dos que desembarcam no bairro procedentes da Bolívia, trabalham em pequenas indústrias têxteis, muitas clandestinas, em bairros próximos, como Vila Guilherme, Canindé e Pari.

A principal avenida do bairro é a Guilherme Cotching, que tem como núcleo comercial mais importante as proximidades da Igreja Candelária.

Mais de 100 mil paulistanos residem atualmente na Vila Maria. Além do comércio, outra atividade fundamental para a economia do bairro é o transporte de cargas.

Uma grande quantidade de empresas especializadas no setor está localizada na região.

A Vila Maria foi um importante reduto eleitoral de Jânio Quadros, presidente do Brasil de 31 de janeiro a 25 de agosto de 1961, quando renunciou, e prefeito de São Paulo por duas vezes.

Em seu primeiro mandato como prefeito, de 1953 a 1955, Jânio tornou célebre a frase “Povo da Vila Maria”, que usava nos discursos que gostava de fazer no bairro.

Foi ele, Jânio, quem em 1956, como governador, inaugurou a Ponte da Vila Maria, que cruza o Rio Tietê. A ponte de concreto substituiu uma outra, de madeira, que existia desde 1918.

O bairro também marcou presença nas artes. Foi lá que nasceu o movimento musical Vanguarda Paulistana, que virou tese de Marília Pacheco Fiorillo, jornalista e acadêmica da USP.

A vanguarda tinha o grupo de teatro Lira Paulistana como inspiração e Arrigo Barnabé e Itamar Assunção como expoentes. Os shows do grupo aconteciam na Praça Santo Eduardo, uma das principais do bairro.

Em seu livro "A Capital da vertigem", o jornalista e escritor Roberto Pompeu de Toledo destaca as transformações de São Paulo e a importãncia que a Vila Maria teve para o progresso da metrópole.

As enchentes de décadas passadas, que dificultavam o acesso à Marginal Tietê, ficaram no passado. A principal preocupação dos responsáveis pela administração municipal no momento é a zeladoria.

A gestão do atual prefeito regional, Dario José Barreto, atende às reivindicações dos comerciantes e moradores das ruas onde se encontram as lojas comerciais da região.

As principais vias de comércio do bairro são as avenidas Cerejeiras e Guilherme Cotching e a Rua da Gávea. Dario afirma que encontrou a regional com uma estrutura deficiente para resolver os principais problemas do bairro.

“Minha equipe sou eu”, afirma Barreto, que já saiu ás ruas para fazer limpeza, podas de árvores, colocar em funcionamento a operação tapa-buracos e a revisão dos corredores de ônibus e ciclovias.

O objetivo é fazer com que os consumidores voltem a frequentar as lojas de ruas. Nos últimos anos, os consumidores locais se habituaram a fazer suas compras em shoppings que ficam próximos à Vila Maria, como o Anália Franco, Tatuapé, Santana e Tucuruvi.

A OPERAÇÃO CIDADE LINDA, EM ANDAMENTO NO BAIRRO

“Com as nossas ruas mais limpas, estes clientes vão voltar a fazer suas compras no bairro”, afirma Michel Wiazowski, diretor superintendente da Distrital Nordeste da Associação Comercial de São Paulo – ACSP.

Outro negócio que cresceu muito nos últimos anos na Vila Maria é o imobiliário. Proliferam ofertas de lançamentos imobiliários na região, graças à boa localização e à rede de comércio e variedades.

Uma extensa programação de festividades está marcada para acontecer durante todo o ano, preparada pela regional da Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, Igreja Nossa Senhora da Candelária, Companhia de Engenharia de Trânsito –CET_, Polícia Militar do Estado de São Paulo, Guarda Civil Metropolitana e a Distrital Nordeste, da ACSP.

Os eventos serão realizados no salão paroquial da igreja.