Brasil

Celular será usado para consultar população sobre ciclovias, diz Marta


Candidata a prefeita pelo PMDB foi a segunda participante do ciclo de debates que a ACSP organiza com os concorrentes à eleição de outubro em São Paulo


  Por Redação DC 05 de Setembro de 2016 às 22:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Em palestra na ACSP (Associação Comercial de São Paulo), a candidata do PMDB à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, afirmou nesta segunda-feira (05/09) que submeteria o atual traçado das ciclovias à população, por meio de consultas das subprefeituras que, para tanto, criariam um aplicativo de celular.

"Este é um dos problemas sobre os quais as pessoas mais me perguntam na periferia. É um verdadeiro nó. Para desatá-lo, eu proponho uma solução que poderia ter sido adotada antes. Temos hoje tecnologia para que cada subprefeitura libere um aplicativo específico, pelo qual cada cidadão possa explicar, por um determinado período de consulta, em quê as ciclovias estão atrapalhando. Se a comunidade decidir que não dá mais, a ciclovia seria retirada", disse a candidata.

Ela foi a segunda concorrente à Prefeitura de São Paulo a participar de um ciclo de debates promovido pela ACSP. Na semana anterior, o convidado foi João Doria (PSDB), e na próxima segunda-feira (12/09) será a vez de João Bico (PSDC). 

O encontro desta segunda foi presidido por Alencar Burti, presidente da ACSP e também da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), acompanhado pelo vice Roberto Mateus Ordine.

 

SEGUNDO DEBATE PROMOVIDO PELA ACSP EM MESA PRESIDIDA PELO EMPRESÁRIO ALENCAR BURTI

 

Participou também do evento Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Sebrae-SP. Marta estava acompanhada de seu candidato a vice-prefeito, Andrea Matarazzo (PSD).

Marta Suplicy, que já foi prefeita de São Paulo pelo PT (2001-2004) e é hoje senadora peemedebista, disse haver hoje uma grande afinidade e coincidência de suas posições com as de seu candidato a vice, "que antigamente falava muito mal de mim", mas sobre quem descobriu "pensar de um modo muito semelhante sobre os problemas de São Paulo".

São mais para sombrios os diagnósticos que ela faz da gestão do atual prefeito Fernando Haddad, do mesmo PT ao qual ela já pertenceu. Há na atual administração um conjunto de nós e entraves, afirmou.

INEFICIÊNCIA DA PREFEITURA

Referiu-se, num plano geral, à "ineficiência da Prefeitura, à dificuldade de se tirar qualquer documento" e à impossibilidade de expansão do comércio em regiões como a Brasilândia, que necessitam de programas agressivos de regulamentação fundiária para viabilizar a abertura de estabelecimentos maiores e com melhor capacidade de criação de empregos.

Sobre a inspeção veicular, programa abandonado pelo atual prefeito, ela acusou "Haddad de estar fazendo uma pegadinha, afirmando que eu reinstalarei os serviços a Controlar" (empresa que monopolizava o serviço). 

"Não é nada disso", disse. "A inspeção será gratuita e opcional, e os proprietários dos veículos que se submeterem receberão algum incentivo, como o abatimento no IPTU".

Afirmou, no entanto, ser impossível ter a respeito uma posição rígida que prejudique pessoas que, em razão da precariedade do emprego, precisam de veículos mais antigos para trabalhar.

"A posição mais dura será adotada com relação aos ônibus", disse ela. "Eles poluem muito" e vamos desencadear também um programa para que eles comecem a utilizar outros tipos de combustível."

Marta também se referiu às áreas invadidas. "Há hoje uma ocupação predatória nas regiões da Billings e Guarapiranga. "Precisamos ver se conseguimos a ajuda do Banco Mundial para preservar nossos mananciais", protegendo a cidade de um mecanismo de invasões "em que há de tudo".

Mas chamou também a atenção para o fato dessa forma de ocupação estar crescendo como consequência da recessão econômica.

Citou o caso de uma jovem mãe de dois filhos, demitida da loja em que trabalhava, e que, ao final de três meses, despejada por não poder pagar aluguel, acabou se tornando moradora de rua com suas crianças e se abrigou numa das invasões da Billings.

CIDADE MAIS BONITA

Num plano mais geral, Marta Suplicy disse assumir o compromisso de, nos primeiros seis meses de sua administração, criar uma cidade "mais bonita, com recapeamento e limpeza, com o fim dessa imundice que existe no Centro". 

A Guarda Civil Metropolitana, disse ela, tem o mesmo contingente que possuia quando ela foi prefeita, embora suas funções tenham aumentado. Prometeu que contratará 1.200 novos guardas, aliás já concursados, e fazer com que a corporação volte a ser uma guarda comunitária, conhecedora da população onde atua.

A candidata do PMDB se referiu à degradação das regiões comerciais como a Santa Efigênia, o Brás ou o Bom Retiro, "que não têm a necessária cooperação da Prefeitura para que se tornem, com iluminação adequada e calçadas reconstruídas, algo como shopping centers a ceu aberto.

Disse, por fim, que o comércio é fundamental, mas que ele precisa funcionar de maneira integrada a outros equipamentos da cidade - gastronomia, cinemas e teatros, museis e atividades culturais - para que possam, com isso, atrair por mais tempo os visitantes de outros municípios ou mesmo estrangeiros.