Brasil

Campo liberal continua fraquíssimo, aponta Datafolha


Entre candidatos a presidente que defendem as reformas, Geraldo Alckmin tem apenas 6% das intenções de voto, com a oscilação de um ponto a menos ante pesquisa do final de janeiro


  Por João Batista Natali 15 de Abril de 2018 às 12:50

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Entre as leituras possíveis da pesquisa do Datafolha publicada neste domingo (15/04), a mais gritante está na estagnação dos candidatos liberais de centro e no perigo de essa corrente não ter fôlego para chegar ao segundo turno presidencial.

Geraldo Alckmin (PSDB) segue o relativamente menos fraco. Mas registra apenas 6% das intenções de voto, com um ponto de oscilação negativa em relação à pesquisa que o mesmo Datafolha publicou em 31 de janeiro.

Abaixo dele, oscilando entre 3% e 4%, aparece Álvaro Dias (Podemos), com sua candidatura regionalizada na região Sul e cujo único mérito, por enquanto, tem sido o de bloquear a candidatura de Alckmin.

Quem também prejudica o ex-governador de São Paulo é o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Provável concorrente à Presidência  pelo PSB, ele tem boa penetração entre eleitores de maior escolaridade e mais informação política, nichos que no passao pendia para os tucanos.

Pelo Datafolha, Barbosa tem 8% das intenções, caso Lula concorra. E 9%, caso Lula - como tudo indica - ficar fora do pleito.

Além da Alckmin, os demais nomes do centro têm um desempenho praticamente simbólico. Michel Temer (MDB), por exemplo, tem 1% ou 2%. Rodrigo Maia (Democratas) aparece também com 1% quando é apresentado ao entrevistado como opção.

A mesma percentagem pífia é registrada por João Almoêdo (Novo) ou Henrique Meirelles (MDB). Paulo Rabelo de Castro (PSC), das cinco ocasiões em que seu nome é submetido, tem 1% em apenas uma delas. Nas demais, não chega a pontuar. É a mesma condição de Guilherme Afif Domingos (PDS), que aparece com 0%. 

Faltando menos de seis meses para o primeiro turno presidencial de 7 de outubro, esse conjunto de resultados é preocupante para a parcela de brasileiros partidária das reformas e da modernização da economia.

UM SIMPLES CONSOLO

Se for para servir de consolo ao bloco liberal, a constatação também predominante é que nenhum dos outros blocos se destaca em termos de intenção de votos.

Mas os números exibidos pela esquerda dividida e pela extrema-direita de Jair Bolsonaro (PSL) permitem a construção de um cenário pelo qual esses dois grupos se enfrentariam no segundo turno, deixando aos liberais, como única opção, partir para o voto útil, a fim de derrotar o candidato que julgarem menos conveniente.

O Datafolha submeteu aos eleitores três cenários irrealistas, em que Lula (PT) ainda aparece como candidato a presidente.

O ex-presidente, preso em Curitiba desde o sábado passado (07/04), aparece, no entanto, com percentuais inferiores de intenção ante os registrados em janeiro.

Tem 31% das preferências, contra até 37% na última pesquisa. E isso, provavelmente, por duas razões.

A primeira delas, majoritária, está na certeza de que, preso e inelegível pela Lei da Ficha Limpa, ele não poderá concorrer.

A segunda, bem minoritária entre os que preferiam o nome dele, estaria na convicção de que a prisão confirma a tese de que ele cometeu os crimes pelos quais foi condenado no Judiciário.

Com Lula fora da disputa, Ciro Gomes (PDT) dá um salto modesto de poucos pontos, indo de uma oscilação de 3% a 4% para 4% a 5%.

O salto maior é registrado por Marina Silva, que sai dos 10%, com a hipotética candidatura Lula, para 15%, sem o nome do ex-presidente na urna eletrônica.

Por paradoxal que pareça, o eleitor enviuvado de Lula também salta, em proporção menor, no colo de Jair Bolsonaro. Com 15% ou 16% se enfrentar no primeiro turno Lula, o deputado fluminense e ex-capitão do Exército vai, sem Lula, para 17%.

No campo da esquerda, a fragmentação também coincide com baixa intenção de votos.

Manuela D´Ávila (PCdoB), que cumpriu o papel de papagaio de pirata - aparecia em todas as fotos - do último comícilio de Lula em São Bernardo do Campo, antes de ser recolhdio pela Polícia Federal, tem um mínimo de 1% e um máximo de 3% das intenções.

O outro papagaio de pirata, Guilherme Boulos (Psol), que também é o dirigente do MTST, não lucra com a prisão de Lula. Tem entre traço e 1% dos votos.

É por fim notável a proporção de votos em branco ou nulos. Com Lula na urna eletrônica, essa parcela de eleitores já é expcionalmente elevada, com 13% a 14%. Sem Lula, no entanto, ela pula para 23%.

Em outras palavras, o eleitor habituado a votar em Lula não se dispõe a apoiar um nome alternativo do Partido dos Trabalhadores. Dentro do PT, Fernando Haddad registra apenas 2%, e Jaques Wagner somente 1%.

FOTO: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo