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Calçadões do Centro ficam prontos até 2020


Em entrevista ao DC, Vitor Aly, secretário municipal de infraestrutura urbana e obras, afirma que comerciantes terão acesso ao cronograma de obras e serão consultados sobre possíveis prejuízos durante a reforma


  Por Mariana Missiaggia 05 de Setembro de 2019 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Cartão-postal da cidade de São Paulo, as calçadas da região central da capital estão sendo repaginadas. Buracos e desníveis tomam conta da passagem por onde circulam mais de 2 milhões de pessoas por dia. 

As reformas vão desde a ampliação de calçadas a renovação da iluminação, instalação de novo mobiliário urbano e o plantio de árvores. A região da Praça da Sé, os calçadões próximos a praça da República e o entorno do Mercado Municipal fazem parte do projeto.

A reformulação dará adeus as pedras portuguesas, tão comuns no centro de São Paulo. A substituição, segundo a prefeitura, se dá pelos sérios problemas relativos à acessibilidade e a difícil manutenção, nunca livre de cicatrizes.

Além disso, esse tipo de piso é instalado sobre camada de farofa de areia e cimento, o que torna inadequado sua utilização em locais onde há passagem de veículos pesados, tais como carros-fortes, bombeiros e ambulâncias.

Atualmente, a prefeitura promove uma grande reforma também no Vale do Anhangabaú, ao custo de R$ 80 milhões, com enterramento da rede elétrica e a troca do piso.

VITOR ALY GARANTE QUE COMÉRCIO SERÁ CONSULTADO

Em entrevista ao Diário do Comércio, Vitor Aly, secretário municipal de infraestrutura urbana e obras de São Paulo, conta como o comércio local tem sido incluído na revitalização para minimizar o impacto e os problemas de queda no fluxo de clientes durante as obras. 

Qual é o cronograma para a execução dessas obras?

Em maio entregaremos desde a avendia São joao até o Viaduto do Chá e até junho, o Vale do Anhangabau inteiro, se não houver mais nenhuma determinalçao de paralisação. O Largo do Arouche, por exemplo, está parado – um prejuízo superior a R$ 400 mil. Estamos em contato com o Ministério Público para a liberação das obras. O Anhangabau também ficou parado por uma semana e gerou um prejuízo de R$ 300 mil.

A rua Boa Vista faz parte de um outro pacote que vai do Largo São Bento ao Pátio do Colégio, junto das ruas Líbero Badaró e Benjamin Constant, que formam a área denominada como Triângulo Histórico - outro ponto de partida dessas reformas. Vamos reconstruir 68 mil metros quadrados de calçadões, substituindo as pedras portuguesas. A previsão é de que as obras no Triângulo sejam concluídas até o final de 2020.

Uma das metas da revitalização do Centro é revigorar o comércio da região. Na prática, como os comerciantes estão participando desse projeto?

A intenção é realmente permitir e atrair um fluxo maior de pessoas e reativar a atividade comercial. Em relação as obras, vamos nos comunicar com o comércio. Nada será feito de forma autoritária e sem ter sido negociado previamente. Sabemos que apesar de gerar benefícios, as obras também trazem muitos transtornos. Por isso, a ideia é apresentar o cronograma e articular essas ações com esses comerciantes para causar o menor prejuízo possível nesse período.

Mas, esse diálogo já foi iniciado? A obra do Anhangabaú, por exemplo, tem gerado reclamações. Como vocês planejaram o acesso ao comércio, aos imóveis e a circulação de pessoas?

Nós estamos abertos ao diálogo. Fizemos audiências públicas, estou em contato com entidades representativas. O problema do Anhangabaú é que se trata de uma obra imensa. Vamos prolongar essa angústia fracionando a intervenção ou fazemos tudo de uma vez no menor tempo possível? Da forma como estamos fazendo, o Vale será devolvido ao público em maio completamente renovado. É uma obra de infraestrutura e que deve ser olhada como um todo. Tenho certeza de que após maio, ninguém mais vai se lembrar desse transtorno. É preciso uma dose de sacrifício.

Mas, com base nessa experiência, a Prefeitura vai repensar a logística do projeto para outros pontos levando em consideração a atividade comercial local?

Tudo é considerado. Um bom exemplo é que tiramos os veículos próximo ao Anhangabaú para priorizar os pedestres. Mas, mesmo tentando minimizar ao máximo esses transtornos, a população precisa entender que há um contexto – não tem como remodelar aquele espaço de forma tão profunda sem que seja dessa maneira. De outro jeito, seria muito mais caro e lento, e estamos fazendo tudo em menos de um ano.

FOTO: Pefeitura SP