Brasil

Brasil tem queda drástica na confiança ao governo


Barômetro da Edelman, conduzido em 28 países, demonstra credibilidade menor dos poderes públicos; país ocupa apenas a posição de número 26 em credibilidade


  Por João Batista Natali 23 de Fevereiro de 2016 às 17:04

  | Ex-correspondente da Folha de S.Paulo em Paris, é autor "Jornalismo Internacional" (Contexto)


O desgaste do governo é demonstrado no Brasil de maneira eloquente pela pesquisa de credibilidade do barômetro mundial da Edelman de 2016. Dos 28 países pesquisados, o Brasil ocupa apenas a posição de número 26 com relação à confiança no governo.

Essa posição é muitíssimo diferente daquela que a Edelman fotografou na sua pesquisa de 2011. Naquele momento o Brasil ocupava, com relação à confiança no governo, a primeira posição.

Em outras palavras, no período de cinco anos a confiança dos brasileiros no governo caiu 26 posições, dentro de um universo de 28 países.

 

Pela atual pesquisa, em apenas um ano o governo no Brasil caiu 7 pontos em grau de confiança junto ao público mais informado e bem mais, em 11 pontos, no público em geral.

A tendência é oposta à verificada pela Edelman no plano internacional. A credibilidade dos governos nos 28 países pesquisados em um ano cresceu 3 pontos entre o público informado e um ponto no público em geral.

Com apenas 30% de confiança no primeiro grupo e 21% no segundo, o governo brasileiro é bem menos confiável que as demais instituições avaliadas.

Para o Edelman Trust Barometer, a noção de governo não se refere, especificamente, ao federal, estadual ou municipal. É o poder público. A queda de confiança no governo é, portanto, apenas em parte tributária do declínio da confiança inspirada pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

O governo perde para as mídias – 64% e 54% de confiança, respectivamente junto ao público informado e o público em geral- e para as empresas (75% e 64%). Tanto uma quanto a outra crescem em confiança com relação à pesquisa de 2015.

No caso das mídias, são mais 8 e mais 3 pontos, e no caso das empresas, mais 2 e mais 5 pontos, ainda com relação aos dois grupos em que a amostragem foi dividida.

Nessa comparação, o último espaço institucional estudado, o das ONGs, registra declínio apenas no público informado, de 70% a 66%. No público em geral, no entanto, há um aumento da confiança, de 57% a 62%.

 

 

O conceito de mídia adotado pela pesquisa não é apenas o das empresas de comunicação. Ele também engloba – como instrumentos mais frequentes de pesquisa do noticiário – as redes sociais e a busca online. As duas fontes são acessadas por 82% dos entrevistados.

Em seguida estão as emissoras de TV, com 77%, os jornais, com 46%, os blogs, com 44% e as revistas com 40%. Essas porcentagens não se referem ao grau de confiança, mas à frequência de consultas.

Os critérios da Edelman consideram público informado aqueles que estão na faixa etária de 35 a 63 anos, têm formação universitária, estão entre os 25% de maior renda familiar.
 
No caso do público total, os entrevistados têm idade igual ou superior a 18 anos, sem distinção de renda ou escolaridade, e que representa 85% da população.

Ao todo, foram 1.150 pessoas entrevistadas em cada país que foi objeto da pesquisa. Os questionários relativos a 2016 foram respondidos entre 13 de outubro e 16 de novembro do ano anterior.