Brasil

Boulos: não esperem privatizações em meu governo


Nome mais forte da esquerda na disputa pela prefeitura da capital paulista, Guilherme Boulos (Psol) participou de debate com empresários na ACSP


  Por Renato Carbonari Ibelli 27 de Outubro de 2020 às 14:54

  | Editor ibelli.dc@gmail.com


A esquerda tem chance de disputar o segundo turno das eleições para prefeitura de São Paulo com Guilherme Boulos (Psol). Com 14% das intenções de votos, pelo Datafolha, e em alta, o progressista aparece atrás de Bruno Covas (PSDB) e Celso Russomano (Republicanos), que perde espaço.

Boulos participou nesta terça-feira (27/10) de debate com empresários na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), onde descartou a possibilidade de uma política de privatizações caso assuma a capital. “Não esperem de mim privatizações, o que não significa que demonizo o setor privado”, afirmou o candidato aos empresários.

Passar o controle de parques para as mãos da iniciativa privada, por exemplo, um direcionamento da atual gestão, não faz parte de seus planos. “Somos carentes de espaços de lazer na cidade e com a iniciativa privada à frente haveria cobrança de entrada nesses locais”, disse.

O candidato não descartou, porém, as Parceria Público-Privadas (PPPs), que teriam de ser mais criteriosas, afirmou.

Boulos criticou a maneira como foram realizadas as PPPs da habitação em São Paulo, que teriam resultado em imóveis inacessíveis à baixa renda. “A prefeitura cedeu terreno para empreiteiras levantarem moradias populares que acabaram com prestações de R$ 800. É política habitacional que virou política de crédito”, disse.

Para o psolista, não são necessariamente as privatizações ou PPPs que irão atrair os investidores para a capital. Segundo ele, esse interesse será gerado com o aquecimento do consumo, esse sim estimulado em sua plataforma.

As diferentes frentes do programa de governo de Boulos orbitam uma proposta de transferência de renda que prevê um auxílio mensal entre R$ 200 e R$ 400 para 1 milhão de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Para financiar esse programa, o Renda Solidária, seriam reservados R$ 3 bilhões por ano. “Há espaço para isso no orçamento. Me surpreendi ao saber que temos R$ 17 bilhões parados nos caixas na prefeitura, o que é uma insanidade nesse momento de crise”, disse o candidato.

Segundo ele, o benefício mensal seria usado basicamente no consumo, estimulando o comércio. “Imagine como estaria hoje o comércio se não fosse o auxílio emergencial. Mas ele acaba em dezembro, e a prefeitura tem de assegurar que não ocorra uma nova onda de falências”, afirmou.

Para financiar um programa contínuo de transferência de renda sem afrontar a Lei de Responsabilidade Fiscal, Boulos disse que buscará outras fontes de financiamento, entre elas, o resgate de parte da dívida ativa.

De acordo com o candidato, do total da dívida, R$ 60 bilhões seriam recuperáveis, dos quais R$ 15 bilhões poderiam ser resgatados ao longo de quatro anos. “Vou cobrar dos grandes devedores, em sua maioria instituições financeiras.”

IMPOSTOS

O candidato pelo Psol se comprometeu a não elevar impostos, com uma exceção. O Imposto Sobre Serviços (ISS) para bancos que, segundo ele, aumentaram os lucros mesmo na crise.  

Por outro lado, disse que não há como reduzir os tributos, apenas negociar situações pontuais. “Seria demagógico eu falar em diminuir o IPTU para comerciantes prejudicados pela crise, mas podemos refinanciar porque a falência é pior para a cidade.”

O candidato disse que o diálogo será a marca da sua gestão caso assuma a prefeitura. Ele pretende criar grupos de trabalho envolvendo representantes da sociedade, entre eles, empresários.

Dentro dessa proposta, pretende descentralizar o poder municipal, dando mais força às subprefeituras. “Hoje, subprefeito é indicado por vereador em troca de governabilidade. Não conhece a região que administra. Subprefeito precisa ser da região”, disse Boulos, que prometeu mais recursos às regionais da prefeitura.

REVITALIZAÇÃO DO CENTRO

Para o candidato pelo Psol, a revitalização do centro de São Paulo não sai do papel porque é pensada como uma megaoperação urbana. “Se a ativação vier pela especulação imobiliária, o comerciante acaba expulso do centro porque o aluguel aumenta.”

Revitalizar o centro, segundo Boulos, é possível levando gente para a região. Ele pretende recuperar imóveis abandonados na cidade e transformá-los em moradias popular, espaços culturais e comerciais.

“Há leis federais e municipais que permitem à prefeitura tomar imóveis abandonados e que, portanto, não cumprem sua função social. Mas há lobby na câmara e na prefeitura que impede que essas leis sejam aplicadas”, disse o candidato.

Boulos, que está há 20 anos à frente do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), disse aos empresários que participaram do debate na ACSP que respeita a propriedade privada. “Não vou tomar o imóvel de ninguém se for prefeito, mas vou fazer as leis serem cumpridas. É uma vergonha São Paulo ter 25 mil pessoas morando nas ruas”, disse o candidato.

PANDEMIA

Boulos criticou a forma como Covas faz a gestão da pandemia na cidade. Segundo ele, a polarização política contaminou as ações. “Enquanto debatiam se deveriam salvar a economia ou vidas, perdemos os dois”, disse. “Só estamos atrás de Nova York e Cidade do México em mortes, e a economia da cidade está cambaleando.”

Para o candidato, faltou coragem à prefeitura para isentar ou postergar o IPTU do comércio, que foi obrigado a fechar mas continuou pagando aluguel e impostos. “Em alguns meses, se o poder público não ousar, metade da população economicamente ativa da cidade estará desempregado ou fazendo bicos.”

Boulos se colocou como uma terceira via na corrida pela prefeitura de São Paulo e acredita que seu crescimento nas pesquisas mostra que o paulistano busca uma alternativa. “São Paulo é grande demais para ser um puxadinho do Palácio do Planalto ou dos Bandeirantes”.  

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IMAGEM: Jeferson de Oliveira/Somniare





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