Brasil

Bolsonaro diz que é direito de Guedes desembarcar do governo


Em entrevista à revista Veja, o ministro da Economia disse que se não for aprovada uma reforma da Previdência que economize ao menos R$ 800 bilhões, pode deixar o cargo


  Por Estadão Conteúdo 24 de Maio de 2019 às 18:22

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira após participar da reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, no Recife, o presidente Jair Bolsonaro comentou sobre a entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes à revista semanal Veja, na qual disse que deixará o governo caso a reforma da Previdência não seja aprovada.

"Paulo Guedes está no direito dele. Ninguém é obrigado a ficar como ministro meu.", disse o presidente da República. 

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E, na linha defendida por seu ministro da Economia, voltou a dizer que sem a reforma previdenciária "será o caos na economia" "Tenho certeza que todos os governadores torcem pela aprovação da reforma", destacou ainda.

Na entrevista, Guedes fez um diagnóstico bastante pessimista para um cenário no qual a reforma da Previdência não passe ou ainda seja aprovada como um remendo. Ele afirmou que, no curto prazo, o Brasil pode virar uma Argentina, com 30% a 40% de inflação, e que, a médio prazo, e antes de o governo acabar, pode chegar a se tornar uma Venezuela, com desabastecimento, inflação alta, dólar explodindo, zero investimento, desemprego elevado, atraso de salários, atraso de pagamentos a aposentados e pensionistas. 

Ele frisou que, se os parlamentares aprovarem algo com uma economia menor do que R$ 800 bilhões, seria um remendo da velha Previdência que está falida e ele iria embora. 

"Deixa eu te falar um negócio que é importante. Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: 'Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo'. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa. Se eu sentir que o presidente não quer a reforma, a mídia está a fim só de bagunçar, a oposição quer tumultuar, explodir e correr o risco de ter um confronto sério pego o avião e vou morar lá fora", afirmou o ministro.

No sentido contrário, de aprovação de uma reforma com economia suficiente, ele disse: "Tenho absoluta confiança em que vai sair a reforma de R$ 1 trilhão e que as revisões de crescimento para cima serão feitas a partir da reforma, que vai clarear um horizonte fiscal por dez anos. É evidente que ela vai deflagrar ondas de investimento interno e de poupança externa. Hoje tem uma nuvem negra no Brasil. Na Argentina já é uma tempestade e na Venezuela é um furacão."

 

IMAGEM: Fernando Frazão/Agência Brasil