Brasil

Bem-vindo à região de São Paulo que é um microcosmo do país


Do Morumbi (na foto), que ostenta o melhor padrão de vida, aos bairros de Rio Pequeno e Raposo Tavares, onde predomina a população das classes C e D, o retrato do Sudoeste é tema da primeira de uma série de reportagens sobre as regiões da metrópole paulistana


  Por Wladimir Miranda 13 de Junho de 2019 às 08:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


É uma região que se espalha por 56 quilômetros quadrados. com cinco distritos e 146 bairros onde 462 mil paulistanos vivem em 168 mil domicílios. Para além dos números, é nesta área que se localizam alguns dos marcos notáveis de São Paulo, como o palácio do governo, a cidade universitária, o Jockey Club e o estádio do São Paulo.

Equipada com oito hospitais,entre eles o Einstein, e cinco shopping centers -do Iguatemi ao Raposo-, a região Sudoeste da capital paulista assistiu a um acelerado processo de verticalização, com destaque para o bairro do Morumbi.

Na contracorrente, houve queda na construção de edifícios em Raposo Tavares. Ao mesmo tempo, a maior parte do forte crescimento demográfico de Vila Sônia parece ter sido absorvido pelo avanço dos prédios no bairro, que só perdeu neste quesito para o Rio Pequeno, onde a taxa de verticalização cresceu 47%, acima do Sudoeste (23%) e da própria capital paulista (33%).

A população residente na região cresceu mais que a média paulistana como um todo entre 2000 e 2019 (22% ante 15%), de acordo com levantamento da Cognatis Big Data Geomarketing.

Há porém forte diferenças no ritmo de crescimento demográfico dentro da região sudoeste. O Morumbi, por exemplo, apresentou um crescimento bem mais intenso que média municipal (48%) em contraste com bairros como o Butantã e Rio Pequeno (13%).

"Butantã é o bairro com população mais envelhecida (16% de idosos ante 11% em São Paulo), o que condiz com o baixo crescimento demográfico", afirma Reinaldo Gregori, presidente da Cognatis.

Do ponto de vista da renda familiar, o Sudoeste está um pouco acima da média paulistana, porém vem perdendo posições para outras regiões. Há bastante variação entre os bairros também.

Butantã, onde o crescimento demográfico foi mais modesto, e Morumbi, são notoriamente os bairros mais ricos com predominância das classes A e B, ao passo que em Raposo Tavares e Rio Pequeno reside uma população com renda mais modesta, principalmente das classes C e D.

“Estes dois últimos bairros, porém, apresentaram um ritmo de crescimento de renda mais forte que os demais, tendência esta que se mantida poderia resultar em convergência entre os bairros, em termos de renda média nas próximas décadas”, afirma Gregori.

A Universidade de São Paulo, a USP, a maior e mais importante instituição pública de ensino do país, o estádio do Morumbi, e a proximidade com o município de Osasco, com seu rico parque industrial, transformaram a região do Butantã em uma das mais prósperas de São Paulo.

“A USP foi um vetor de crescimento para a região do Butantã. Com ela, vieram centenas, milhares de pessoas. A chegada dos alunos, trouxe a necessidade de se construir moradias. Com o crescimento da construção civil, aumentou o número de lojas comerciais, de bares e restaurantes”, afirma o urbanista Walter Caldana, de 57 anos, professor de arquitetura e urbanismo do Mackenzie.

“A região do Butantã cresceu muito e de forma desorganizada. A distorção socioeconômica é grande. De um lado, temos o bairro do Morumbi, com moradores de elevado poder aquisitivo. De outro, há 96 comunidades/ocupações, que abrigam milhares de famílias”, afirma Ricardo Granja, de 60 anos, diretor superintendente da Distrital Sudoeste da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que acaba de completar 25 anos de fundação.

Paulistano do bairro da Mooca, na Zona Leste, Granja é formado em economia e administração pública, já ocupou cargos públicos, o último deles como prefeito regional do Butantã. Foi diretor da Prodam, Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo, e Superintendente Regional de São Paulo da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Fundada em 1994, a Distrital Butantã, depois rebatizada de Sudoeste, teve papel fundamental no desenvolvimento da região. 

“Todos os diretores superintendentes que passaram pela distrital deixaram marcas, afirma Granja. "Lembro de melhorias importantes, como a Ponte Bernardo Goldfarb, o Rodoanel, as estações do metrô, a criação do fórum. Participamos ativamente da vida política da região. Onde teve desenvolvimento, houve a participação da distrital.”, afirma Granja.

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GRANJA (À DIR.) COM ALFREDO COTAIT, PRESIDENTE DA ACS

Granja ressalta, porém, que ainda há muito o que fazer -principalmente na área da segurança.

“O índice de criminalidade na região caiu. Mas ainda temos problemas de assaltos, que ocorrem nas proximidades das estações do metrô Butantã e São Paulo Morumbi. Queremos a volta da Operação Delegada. E já temos reuniões agendadas com o Secretário da Segurança Pública para tratar deste assunto. A situação ainda é muito perigosa”, diz.

A Operação Delegada já é utilizada em locais onde há grande acúmulo de vendedores ambulantes, como o Brás e a região da rua 25 de março. Em seus dias de folga no batalhão, policiais militares são requisitados para coibir a presença de vendedores ambulantes ilegais e agir em casos de assaltos e furtos.

Em levantamento da Secretaria de Segurança Pública de 2017, o Butantã aparece na 18ª posição entre os distritos mais violentos e no número de roubos, com 224 ocorrências. Quando o assunto é furto, o Butantã é o 32º colocado, com 190 ocorrências.

“Mas em muitos aspectos não temos do que reclamar da região do Butantã. Em termos de meio ambiente, por exemplo, a região é um exemplo para a cidade. Temos 528 praças”, afirma.

Duas rodovias, a Raposo Tavares e a Régis Bitencourt, têm seu ponto inicial na região do Butantã. Este aspecto traz, para moradores e comerciantes, mais problemas do que benefícios.

“São 200 mil carros por dia que utilizam estas duas rodovias em seu ponto inicial. O problema é o transtorno que isto traz para comerciantes e moradores", relata Granja. "A Distrital Sudoeste tem projetos para melhorar o fluxo de veículos, notadamente na chegada à região. Ninguém aguenta mais os problemas que estas rodovias provocam.”

O Butantã se espalha por 12,5 quilômetros quadrados, tendo do lado leste a margem do Rio Pinheiros. Bem próximo ao rio, está um bairro de alto padrão, o City Butantã, muito parecido aos jardins, América e Europa, que fica na outra margem do Pinheiros.

Butantã faz divisa com os bairros de Pinheiros, Alto de Pinheiros, Jaguaré, Morumbi, Vila Sônia, Rio Pequeno e Raposo Tavares.

FOTOS: YouTube e ACSP