Brasil

Atos em defesa de Moro e da Lava Jato mobilizam cidades


Tanto em São Paulo (na foto), quanto no Rio de Janeiro, onde ocorreram as maiores aglomerações, movimentos foram hostilizados por grupos bolsonaristas por não colocar em pauta apoio ao presidente


  Por Estadão Conteúdo 30 de Junho de 2019 às 20:57

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Manifestantes favoráveis ao governo Jair Bolsonaro saíram às ruas neste domingo, 30, em diversas cidades pelo País para demonstrar apoio ao ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Os atos foram marcados por críticas ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional, e também pelo apoio ao pacote anticrime e à Reforma da Previdência.

Tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro, onde ocorreram as maiores aglomerações, movimentos que participaram do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foram hostilizados por grupos bolsonaristas por não por em pauta o apoio ao presidente da República.

Em Brasília, o ato contou com a presença do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), e com a manifestação do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno – é a primeira vez que alguém do alto escalão do governo participa diretamente de atos pró-governo.

O ministro Sérgio Moro, apoiado pelos manifestantes, também chegou a comentar a manifestação nas redes sociais. “Eu vejo, eu ouço”.

SÃO PAULO

Os grupos responsáveis pela mobilização da manifestação em defesa do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que ocorre neste domingo na Avenida Paulista, ficaram divididos quanto ao apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Estacionado na esquina da Rua Peixoto Gomide com a Avenida Paulista, o carro de som do “Nas Ruas” foi o ponto de encontro mais “governista” do ato. Entre os oradores, estão o empresário Luciano Hang, dono da Havan, o senador Major Olímpio (PSL) e o cantor Latino, que chegou a cantar uma de suas músicas.

“Nós apoiamos o ministro Sérgio Moro, o pacote anticrime, e o governo Bolsonaro”, disse ao Estado Tomé Abduch, porta-voz do Nas Ruas. Ele também fez críticas à divulgação de suposto diálogos comprometedores entre o ex-juiz Sérgio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato. “O Glenn [Greenwald] deveria estar preso, assim como o hacker. Há nesses vazamentos um direcionamento ideológico claro, já que o marido dele é deputado pelo PSOL, que é um partido comunista”.

Já os dois principais grupos responsáveis pelo movimento em defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) – MBL e Vem Pra Rua – não incluíram a defesa de Bolsonaro entre as demandas levadas para a Av. Paulista neste domingo.

NO RIO, COPACABANA FOI TOMADA POR MANIFESTANTES

As duas organizações optaram por manter distância do Palácio do Planalto e adotaram uma agenda própria. Os manifestantes carregavam muitas faixas em defesa de Moro.

Adelaide Oliveira, porta voz do Vem Pra Rua: “Seria inteligente ser conciliador, mas nem todos pensam assim”.

Houve um princípio de tumulto quando cerca de 20 integrantes do grupo Direita SP foi até o caminhão do MBL.
Eles puxaram palavras de ordem atacando o Movimento Brasil Livre por não defender Jair Bolsonaro. O MBL foi chamado de “traidor” e “pelego”.

Houve um princípio de tumulto e a Polícia Militar teve que agir para evitar uma briga generalizada. Horas depois, o MBL publicou em suas redes sociais um “agradecimento” a PM por ter agido na ocasião.

“A gente não puxa o saco do Bolsonaro e somos críticos ao Governo”, disse Renato Battista, coordenador nacional do MBL.

O ato também foi marcado por críticas ao Supremo. “O STF deveria agir como guardião da Constituição, mas age como seu algoz”, afirmou Battista, do MBL.

Um boneco inflável do ministro foi erguido ao lado do carro do “Nas Ruas”, grupo que foi fundado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

A manifestação chegou a ocupar quatro quarteirões da Paulista. O público é menor do que nas manifestações anteriores.

INTERIOR

Bolsonaristas retiraram uma bandeira da monarquia afixada por membros do movimento monarquista, durante manifestação em defesa da Lava Jato e do juiz Sergio Moro, na tarde deste domingo, 30, em Sorocaba, interior de São Paulo. Integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) alegaram que o tema estava fora da pauta e pediram que a bandeira, de grande porte, fosse retirada do local do evento, no Parque Campolim.

Como houve relutância, o deputado estadual Danilo Balas (PSL), ex-delegado federal e bolsonarista, ajudou a retirar o pavilhão.

“Há uma briga dos movimentos e nossa bandeira foi tirada sob protesto, pois estamos lutando pela mesma causa deles”, disse Michael Souza, do Movimento Monarquista Sorocaba.

FOTOS: Tomas Silva/Agência Brasil e Youtube/Reprodução