Brasil

Ato contra a corrupção reuniu centenas na Catedral da Sé


Representante da ACSP no evento, o vice-presidente Roberto Ordine destaca a importância do movimento pela ética por demonstrar a insatisfação da sociedade civil com a corrupção que assaltou o país


  Por Redação DC 11 de Dezembro de 2017 às 13:05

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Um chamamento à sociedade civil para ser protagonista em defesa de um Brasil mais ético e menos corrupto marcou a cerimônia inter-religiosa na manhã de sábado (09/12), na Catedral da Sé.

Organizado pela Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil em conjunto com a Cúria Metropolitana de São Paulo o ato contou com total apoio de mais de uma centena de entidades, entre elas a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que subscreve o manifesto ali divulgado, Fecomercio e Sescon.

A solenidade proposta no Dia Internacional contra Corrupção reuniu cerca de 400 participantes entre representantes da sociedade civil e de líderes de diferentes credos religiosos e dos povos indígenas.

Como afirmou o presidente da Seccional paulista da Ordem, Marcos da Costa, a sociedade será a grande protagonista das mudanças de que o país necessita, adotando a ética em suas relações pessoais, sociais e profissionais.

“Não podemos nos curvar diante desses feitos de corrupção. Temos presente entidades representantes de parcela significativa da população para conclamar a todos para essa grande causa”, acentuou.

O dirigente da Ordem paulista ressaltou ainda a proximidade das eleições que serão uma oportunidade de os cidadãos escolherem adequadamente aqueles que serão seus representantes, visando um ambiente melhor para o país.

Fato também lembrando no manifesto lido no encerramento do ato cívico na Sé e assinado por todas as entidades presentes. Independentemente de partido ou posição política, a sociedade precisa ajudar a superar esse momento de crise: “Todos somos responsáveis para formar os princípios básicos e fundamentais brasileiros”.

Representante da ACSP no evento, Roberto Ordine, advogado e vice-presidente da entidade considera esse movimento extremamente importante e oportuno para demonstrar "a insatisfação da sociedade civil com a corrupção que assaltou o Brasil, desviando vultosos recursos públicos da educação e saúde." 

PRÁTICA CORROSIVA

O anfitrião, dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, ponderou que a corrupção é uma prática que corrói as normas estabelecidas para o convívio comunitário, levando quem a pratica a viver na falsidade, com uma postura em desacordo com a esperada.

“Somos todos chamados a agir de modo responsável e manter o senso comum para a honestidade e a retidão. Quem não age desta forma não tem um sono tranquilo, está sempre com a consciência pesada, pois exerce uma conduta errada e marcada pela falta de solidariedade”, pregou.

Falando em nome do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, o advogado Luciano Capparroz, alertou que, para muitos brasileiros, honestidade passou a ser uma atitude e não uma obrigação.

Por conta disso, é um dever cívico das entidades se posicionarem como exemplos de combate aos atos ilícitos para mudar a cultura impregnada no país, destacando a consciência a ser seguida nas eleições. “Somente por meio do voto conseguiremos mudar essa situação e deixar um legado para nossos filhos e netos.”

Por sua vez, Raul Meyer, da Sinagoga do Centro de Cultura Judaica, ressaltou que o país vive um longo período de incertezas e falta de comprometimento ético, principalmente porque comete erros na formação de seus cidadãos.

“A falta de incentivo no sistema educacional faz com que o povo perca a chance de conhecer seus direitos e, consequentemente, não deixar se enganar.”

Mesma linha foi seguida por Rita de Cássia, representante de religiões afro-brasileiras: “O que falta é ensino adequado e respeito para superarmos os males causados pela corrupção”.

Fonte: OAB/SP

FOTO: José Luiz da Conceição/Divulgação