Brasil

Atacado sustenta abertura de vagas desde 2015


Novas possibilidades das jornadas de trabalho e desligamentos por acordo ocasionados pela reforma interferem nos números. No acumulado de 12 meses, foram cridas 8,7 mil vagas no setor


  Por Redação DC 04 de Setembro de 2019 às 14:29

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O mercado de trabalho dos setores de comércio (varejista e atacadista) e de serviços no Estado de São Paulo gerou vagas pelo segundo mês seguido. Em julho, 13,2 mil empregos formais foram criados, resultado de 286.046 contra e 272.750 desligamentos.

Com esse desempenho, os grupos encerraram o mês com um estoque ativo de 10.129.058 vagas. Houve bom desempenho nos três setores, mas serviços continuou puxando a alta, com 8.332 novos vínculos.

De acordo com a FecomercioSP, os dados demonstram continuidade da recuperação de vagas perdidas durante o período mais acirrado de crise entre 2015 e 2016.

O setor de serviços obteve o melhor estoque ativo (7.539.608 empregos) em julho. Desde maio de 2015 não se atingia esse patamar.

O varejo registrou o melhor saldo em 12 meses (22.017 vínculos), desde o período finalizado em janeiro de 2015. Já para atacado, o estoque ativo atual (518.859 vínculos) foi o maior desde em abril de 2015.

Com esses números históricos, as expectativas seguem boas para o fechamento do ano, principalmente com a entrada de recursos como FGTS, PIS e décimo terceiro salário, que aposentados e pensionistas já começam a receber entre agosto e setembro.

Por isso, a Federação recomenda ao empresariado que mantenha históricos semanal e mensal de vendas para observar sazonalidades e criar projeções factíveis de desempenho neste segundo semestre. Assim, será possível já se preparar para negociações com fornecedores, níveis de estoque e aberturas de vagas temporárias.

NOVAS MODALIDADES

Desde janeiro de 2019, a FecomercioSP também apura os dados das novas relações designadas pela Reforma Trabalhista, por intermédio da Lei n.º 13.467/2017, sancionada há dois anos e em vigor desde novembro de 2017.

Além do caráter estatístico, são informações importantes ao empresário, já que novas possibilidades das jornadas de trabalho e desligamentos por acordo são alguns dos principais pontos ocasionados pela reforma.

Em julho, foram registrados 4.274 desligamentos por acordo entre empregado e empregador, no qual, entre outras características, ressalta-se pagamento de metade da multa rescisória sobre o saldo do FGTS (20%), prevista no § 1º, do art. 18, da Lei n.º 8.036/1990, e saque de até 80% do saldo do FGTS por parte do trabalhador. Esse número corresponde a 1,56% do total geral no mês.

O setor de serviços (-3.065) foi o que registrou mais desligamentos, seguido pelos segmentos varejista (-946) e atacadista (-263).

Na modalidade intermitente, foram abertos 1.034 novos postos no Estado de São Paulo, provenientes de 2.634 admissões contra 1.600 desligamentos.

O setor de serviços criou 829 empregos formais, seguido pelo varejo, com 158 novos vínculos. Já atacado abriu 47 vagas nessa modalidade.

Considera-se como intermitente o contrato de trabalho não contínuo, e ocorre com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto ocupações regidas por legislação própria.

O trabalho parcial, jornada cuja duração não excede 30 horas semanais (CLT, art. 58-A), registrou 249 vínculos em julho. Serviços, novamente, foi o que gerou mais postos de trabalho (182), enquanto varejo abriu 62 vagas, e atacado, apenas 5.

VAREJO

O mercado de trabalho formal do comércio varejista gerou 3.260 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 73.134 admissões contra 69.874 desligamentos.

Assim, o segmento encerrou o mês com um estoque ativo de 2.070.591 vínculos empregatícios – leve alta de 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, 22.017 vagas foram criadas.

ATACADO

O comércio atacadista no Estado de São Paulo criou 1.704 postos de trabalho com carteira assinada em julho: foram 15.615 admissões contra 13.911 desligamentos. Dessa forma, o setor encerrou o mês com um estoque ativo de 518.859 vínculos empregatícios – alta de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, foram cridas 8.751 vagas.

SERVIÇOS

O setor de serviços permaneceu em destaque, com 8.332 empregos formais criados, resultado de 197.297 admissões contra 188.965 desligamentos.

Com esse desempenho, encerrou julho com um estoque ativo de 7.539.608 postos de trabalho – alta de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o saldo também foi positivo: 127.990 vínculos.

VAGAS NOS SUPERMERCADOS PAULISTAS CRESCEM 55%

O varejo alimentar gerou 2.055 vagas de emprego no Estado de São Paulo em julho, aumento de 55% em relação ao mesmo mês de 2018. O resultado foi alavancado pelas contratações em Minimercados e Hortifrutis, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), que subiram 468% e 433%, respectivamente, para 284 e 192 vagas.

Assim como no levantamento da FecomercioSP, o canal Atacados e Atacarejos também apresentou alta expressiva, de 170%, para 653 vagas, enquanto Hiper e Super recuou 7%, para 926.

"Os resultados demonstram que, aos poucos, a economia está se recuperando e refletindo em maior consumo nos supermercados, o que demanda contratações. Também podemos projetar uma melhor expectativa para o final de ano, uma vez que o número de empregos gerados em julho de 2019 é 55% maior que o de 2018", disse o economista da Apas, Thiago Berka.

No país, o mês de julho teve geração líquida de 43.820 vagas. O resultado acumulado nos sete primeiros meses de 2019 é o melhor desde 2014. O comércio varejista brasileiro em geral criou 2.140 postos e ficou em 8º lugar dentre os 25 subsetores da economia.

FOTO: Divulgação