Brasil

Assessores do presidente querem que Flávio explique depósitos


Para eles, as denúncias envolvendo o nome de Flávio seriam parte de uma campanha para tentar atingir a família e o governo Bolsonaro


  Por Estadão Conteúdo 19 de Janeiro de 2019 às 11:20

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro cobraram na noite desta sexta (18/1) que o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) explique 48 depósitos em dinheiro feitos em uma conta dele, somando R$ 96 mil, e que, se necessário, assuma a responsabilidade por eventuais erros.
 
Na avaliação desses assessores as denúncias envolvendo o nome de Flávio seriam parte de uma campanha para tentar atingir a família e o governo Bolsonaro. 

Auxiliares do Palácio do Planalto reforçam que o presidente não tem responsabilidade sobre o caso. Para eles, o fato de Flávio ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal para suspender as investigações contra o ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhou para o senador eleito, já havia sido um "tiro no pé" e acabou criando um problema para o governo.
 
A medida foi considerada equivocada porque provocou um fato político desnecessário. 

À noite, depois da divulgação do relatório do Coaf citando movimentações suspeitas na conta de Flávio, auxiliares do presidente avaliavam que o parlamentar deveria se explicar o mais rápido possível para evitar uma "sangria" política do governo, principalmente às vésperas da viagem de Bolsonaro a Davos para participar do Fórum Econômico Mundial.

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou, em entrevista gravada ao Jornal da Record, que quanto mais seu ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz "demora" para esclarecer acusações, mais ele o prejudica.
 
Flávio também acusou o Ministério Público (MP) do Rio de investigá-lo ocultamente desde meados de 2018. Segundo o deputado, o MP se utilizou de "vários atos ilegais, sem a devida autorização judicial", para investigá-lo.

Queiroz é alvo de investigação sobre movimentações financeiras atípicas detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio Bolsonaro afirmou que não se esconde atrás de foro privilegiado "nenhum" e que prestará os "devidos esclarecimentos".
 
Ele afirmou também que é contra o foro privilegiado, mas que não é uma escolha dele. "Não é que tenho o foro, é um questionamento. O STF é o único órgão que pode falar sobre o foro. Vou aonde tiver que ir para esclarecer qualquer coisa", disse, sobre a reclamação apresentada por ele para suspender a investigação sobre as movimentações de Queiroz, que foi acatada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"A ideia era para cumprir a obrigação legal. Estavam desobedecendo entendimento do STF na decisão sobre foro competente. Está escrito que eles (STF) têm de analisar caso a caso qual é a competência", prosseguiu.
 
FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil