Brasil

Apesar da crise, trabalho por conta própria não cresceu em SP


Diferentemente de outras crises, quem perdeu emprego ainda tem esperança de voltar ao trabalho com carteira assinada, diz diretor técnico do Dieese


  Por Fátima Fernandes 24 de Agosto de 2015 às 17:57

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Com o aumento do desemprego, seria de se esperar um crescimento no número de pessoas que trabalham por conta própria, aqueles que, para sobreviver, saem às ruas para vender doces ou para prestar algum tipo de serviço.

Neste ano, isso não tem acontecido, ao menos na Região Metropolitana de São Paulo. Nos primeiros sete meses deste ano havia na região 1,6 milhão de trabalhadores por conta própria, praticamente o mesmo número (apens 0,8% mais) do registrado em igual período do ano passado.

O levantamento foi feito pelo IBGE e reflete a média mensal dos dois períodos. Considerando as seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo instituto, o trabalho por conta própria já mostra uma expansão maior, de 2%, no período. Havia 4,3 milhões de pessoas na atividade, nessas regiões, na média dos primeiros sete meses deste ano.

Diferentemente do que aconteceu em outras crises, por que o trabalho por conta própria está reduzido?

Para Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, o brasileiro acabou se acostumando com emprego com carteira assinada, que cresceu nos últimos anos. Antes de partir para um trabalho autônomo e ter de fazer algum investimento, mesmo que seja para a compra de um carrinho para a venda de pipoca, o trabalhador está preferindo fazer bico, como serviços em casa de família.

“Quem trabalhava com carteira assinada e ficou desempregado ainda tem a esperança de voltar a achar algum emprego com carteira. Neste momento, é bem provável que o desempregado esteja fazendo algum bico. Na medida em que houver persistência do desemprego, ele deve arriscar como trabalhador por conta própria, mas essa situação não deve ser imediata”, diz Ganz Lúcio.

O trabalhador por conta própria é aquele que não possui qualquer vínculo de emprego. Ele é o próprio vendedor ou o prestador de serviço. Não necessariamente ele está formalizado.

“A crise está no início e esperamos que ela seja breve. Ninguém sai da condição de assalariado e vira autônomo de uma hora para a outra, até porque precisa ter algum capital para investir”, diz o diretor-técnico do Dieese.

Para quem nunca foi autônomo, segundo Célio Antunes, fundador do grupo Impacta Tecnologia, pode parecer uma aventura partir para uma nova empreitada neste momento.

“Mas, se a pessoa souber se preparar, por meio da realização de cursos, existem muitas oportunidades. Acredito que a ocupação como autônomo tende a ser mais seletiva, pois começar uma atividade simplesmente por começar, pela falta de emprego, pode levar ao fracasso”, diz ele.

FOTO: Thinkstock