Brasil

Afif busca apoio para emplacar candidatura


O pré-candidato à presidência da República participou de Ciclo de Debates promovido pela Associação Comercial de São Paulo


  Por Renato Carbonari Ibelli 23 de Julho de 2018 às 13:06

  | Editor rcarbonari@dcomercio.com.br


No próximo sábado (28/07), o PSD irá definir se disputará as eleições com candidato próprio, o empresário Guilherme Afif Domingos, ou se agregará uma chapa de apoio, provavelmente a encabeçada pelo ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

A segunda opção é a mais provável, reconheceu Afif, que participou nesta segunda-feira (23/07) do Ciclo de Debates com presidenciáveis realizado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Mesmo que a tendência seja eu ser atropelado pelo medo de se lançar candidato direto e acabar fortalecendo a esquerda ou a direita, vou lutar até o fim. Querem restringir as eleições a quatro candidatos. Isso impede o debate de ideias, não é democrático”, disse.

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Os partidos do chamado “centrão” estão fechando com o PSDB. Afif tenta demover o presidente licenciado do PSD, o ministro Gilberto Kassab, de compor esse bloco.

“Não vou retirar meu nome. Vai ficar para a convenção do partido. Não é rompimento, mas nesse ponto estou em desacordo com a visão estratégica do Kassab.”

Com o fim do financiamento privado, disse o pré-candidato, os partidos, incluindo o seu, estão direcionando as verbas do fundo partidário para disputar eleições no Congresso.

“A maior parte dos recursos vai para os atuais mandatários. Por isso, podem ter certeza que esta será uma das eleições com menos renovação”, disse.

No debate, realizado na ACSP, Afif falou como candidato, destacando a reforma política como principal ação de sua proposta de governo. Defendeu a realização de uma constituinte exclusiva para reestruturar o sistema político brasileiro. Para ele, o modelo ideal seria o do voto distrital.

Diferentemente do sistema atual, em que o número de votos de uma legenda é proporcional ao número de cadeiras, pelo sistema distrital o território é dividido em distritos onde apenas uma cadeira estará em disputa em cada um deles.

Há uma proposta de um sistema misto em análise na Câmara do Deputados, mas Afif não vê chance de aprovação.

“A reforma política teria de ser feita pelo Congresso, mas tiveram oportunidade e não fizeram. Apenas criaram uma cláusula de barreiras fraca e um sistema de caixa eleitoral que, na prática, vai servir para eleger os mesmos de sempre”, disse Afif. “Por isso defendo uma constituinte.”

Segundo ele, uma outra reforma importante, a da Previdência, começaria a ser resolvida com a reestruturação do sistema político. “A Previdência é um problema hoje porque há muitos privilégios para poucos. A monarquia acabou, mas a corte ficou”, disse.

O pré-candidato falou ainda na redistribuição das atribuições dos poderes federativos. Hoje, segundo Afif, há muito recurso nas mãos da União e pouco para os municípios, que é a esfera responsável por atender diretamente a população.

“Tudo aquilo que o município puder fazer, que faça sem a interferência de estado e da União. Da mesma forma, tudo o que o cidadão puder fazer, que não tenha nenhuma das esferas do poder interferindo”, afirmou.

Liberal da velha guarda, Afif se diz contrário ao estado mínimo. “O discurso liberal de que o povo quer estado mínimo é mentira, o povo quer um estado forte”, disse. “Precisamos de educação forte, saúde, Justiça, segurança e infraestrutura básica, como transporte e energia. Esse é papel fundamental do estado”, afirmou.

Com relação à segurança, sua proposta principal é tirar a Polícia Civil das mãos do executivo e integrá-la ao Judiciário. Segundo o pré-candidato, isso permitiria levar um juiz para dentro de cada uma das delegacias. “Assim a Justiça se aproxima do cidadão”, disse.

Ele também criticou o uso das forças armadas na intervenção que ocorre no Rio de Janeiro. Esse papel de repressão, afirmou, é da Polícia militar. “Vamos contaminar o exército com a intervenção no Rio. O papel do exército é controlar nossas fronteiras”, disse

Presidente licenciado do Sebrae para disputar a presidência, Afif tem a defesa do empreendedorismo como principal bandeira. No debate da ACSP, ele defendeu que o modelo de recolhimento do Simples Nacional, que agrega oito tributos em uma única guia, seria uma referência para a reforma tributária.

Citou ainda uma pesquisa do Ibope Inteligência que destaca a confiança da população nas micro e pequenas empresas, que diferentemente das grandes corporações, não estariam envolvidas em escândalos de corrupção.

A pesquisa, segundo Afif, mostra que o brasileiro está pessimista com o país e está convicto que a classe política, com a conivência dos grandes empresários, é a principal responsável pela situação precária atual do Brasil.

“Na visão da população, os grandes empresários estão no mesmo pacote dos políticos. Já os pequenos empresários foram identificados como aqueles que levam o país nas costas sem facilitação por parte do poder público”, disse.

Nesse sentido, o pré-candidato estratifica o país em três classes, compondo uma pirâmide. Na base, está o que chamou de Brasil real, composto por quem trabalha formalmente ou está na informalidade.

Na fatia do meio, ficam as micro e pequenas empresas e boa parte das médias e grandes companhias. Juntas, essas duas fatias responderiam por 85% da força de trabalho.

Já na ponta da pirâmide está o que Afif classificou como um estranho tipo de capitalismo, que não compete, mas consegue se financiar junto ao poder público.

“É na ponta da pirâmide que está a crise. É lá onde estão os governantes, as empresas privadas que detêm concessões e que conseguem subsídios, estão as estatais e, por fim, os legisladores, que só defendem quem os elegeu e assim perpetuam os privilégios”, afirmou.

De acordo com Afif, é preciso acabar com privilégios aos grandes empresários e estimular políticas econômicas que favoreçam o empreendedorismo.

“No Brasil não temos política econômica, só temos a fiscal e a monetária. Aí vêm economistas ligados ao setor financeiro dizendo que o Simples Nacional é renúncia fiscal, e não política de desenvolvimento. Eles trabalham para o mercado, que não passa de um bando de especuladores.”

Se sua campanha à presidência emplacar, Afif espera que seja empurrada pelos empreendedores. Segundo ele, são 27 milhões de micro e pequenos empresários, além dos MEI, a quem o pré-candidato tem chamado de batalhadores. 

 

FOTO: Renato Santana de Jesus/ACSP