Brasil

ACSP homenageia brasileiros que mantêm o espírito da Revolução de 32


Exemplo de superação, o Maestro João Carlos Martins foi um dos agraciados. Ele lembrou que foi na Associação Comercial que regeu o primeiro concerto após perder os movimentos das mãos


  Por Wladimir Miranda 04 de Julho de 2018 às 18:20

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Segunda-feira, 9/07, a Revolução Constitucionalista de 1932 completa 86 anos. Presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na época, Carlos de Souza Nazareth foi um dos principais idealizadores do movimento contra a ditadura de Getúlio Vargas e por uma nova Constituição, que veio dois anos depois, em 1934.

Para lembrar esse líder empresarial, o Conselho Cívico e Cultural da ACSP criou o Colar Carlos de Souza Nazareth, que tem como objetivo homenagear pessoas e instituições que, pelos seus relevantes serviços prestados à sociedade, tornaram-se dignas de público reconhecimento.

A outorga do Colar mais uma vez foi no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, na segunda-feira, 2/07.

Os homenageados de 2018 foram o Embaixador Rubens Ricupero, o Maestro João Carlos Martins, a Fundação Cásper Líbero e a Estância Climática de Cunha.

Durante o movimento, Carlos de Souza Nazareth tornou célebre a frase “Não esmorecer, para não desmerecer”.

O lema de Carlos norteia a escolha dos agraciados com o Colar e foi lembrado por João Bico, vice-presidente da ACSP e da Facesp, que presidiu a solenidade, na ausência de Alencar Burti, presidente da entidade.

“Para mim é uma honra presidir esta solenidade. A ACSP sempre defendeu a livre iniciativa e valoriza pessoas e instituições que dão bons exemplos. Os que estão aqui para receber o Colar representam o Brasil que todos queremos”, disse João Bico.

Aos 78 anos, o Maestro João Carlos Martins segue o lema de Carlos de Souza Nazareth.

Ele começou a estudar piano aos oito anos de idade. Bastaram alguns meses de aula para vencer, com louvor, o concurso da Sociedade Bach de São Paulo. Em pouco tempo, desenvolveu uma carreira de pianista internacional e tocou nas principais salas de concerto do mundo. Dedicou-se à obra de Bach.

ALÉM DO MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS, FORAM HOMENAGEADOS TAMBÉM O EMBAIXADOR RUBENS RICUPERO, A FUNDAÇÃO CÁSPER LÍBERO E A ESTÂNCIA CLIMÁTICA DE CUNHA

Quando estava no apogeu da carreira, sofreu um grave acidente.

Jogando futebol, sua outra grande paixão, além da música, caiu sobre o próprio braço. Ficou sem os movimentos da mão. Para qualquer pessoa seria uma tragédia. Para ele, foi um desastre total.

Sem esmorecer, passou por cirurgia e a cansativas e dolorosas sessões de fisioterapia e injeções na palma da mão.

Ainda com dor, voltou ao piano e a realizar concertos nas melhores salas do mundo. Mas a sua persistência voltaria a ser colocada à prova anos depois, quando foi vítima de um assalto na Bulgária e foi covardemente agredido.

Perdeu o movimento nas duas mãos.

Teve de voltar às salas de cirurgias e à fisioterapia.

Recuperado, conseguia tocar piano. Em 2002, porém, a sequela das lesões venceu e a paralisia dominou definitivamente suas duas mãos. Acabava ali a carreira de pianista.

Teve de ficar longe do piano, mas não de sua grande paixão, a música. Então com 63 anos, foi estudar regência e dois anos depois, regia a Orquestra Inglesa de Câmara, em Londres.

Em 2003, em um concerto na sede da Associação Comercial de São Paulo, João Carlos Martins surpreendeu de novo e regeu a Nona Sinfonia de Beethoven, totalmente de cor. Sem poder virar as páginas da partitura, teve de decorar todas as notas da obra.

Ao receber o Colar, emocionado, o Maestro João Carlos Martins se lembrou deste concerto na ACSP.

“Tenho dois grandes motivos para estar feliz com a outorga do Colar. Foi na Associação Comercial de São Paulo que eu comecei na minha nova profissão, a de Maestro. E meu pai foi um dos grandes incentivadores da Revolução Constitucionalista de 1932”, recordou.

Perguntado sobre onde vai buscar tanta força para superar as adversidades, o Maestro disse: “Vou buscar forças no meu pai que, com 37 anos de idade foi diagnosticado com câncer e os médicos disseram que ele teria só mais seis meses de vida. Então, respondeu: Vocês não me conhecem. O meu pai viveu até os 102 anos. Morreu em um acidente, não de câncer”, contou.

RUBENS RICUPERO

Por estar em viagem ao Exterior, o Embaixador Rubens Ricupero não esteve presente à cerimônia, mas enviou uma carta de agradecimento.

O Colar Carlos de Souza Nazareth será entregue a Ricupero em uma sessão plenária, que será marcada brevemente.

Nascido em São Paulo em 1º de março de 1937, Rubens Ricupero é formado em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, foi diplomata de carreira e se aposentou após ocupar as embaixadas do Brasil em Genebra, Washington e Roma.

Foi Ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, bem como Ministro da Fazenda do Brasil, na época do lançamento do Real. É decano de Relações Institucionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

CÁSPER LÍBERO

A Fundação Cásper Líbero recebeu o Colar Carlos de Souza Nazareth por ser um complexo de comunicação que leva informação e entretenimento a um público amplo e variado.

O seu patrono, Cásper Líbero, criou, aos 21 anos, a primeira agência de notícias 100% nacional.

Aos 29 anos, tornou-se diretor e proprietário do jornal “A Gazeta”.

Apaixonado por esportes, fundou a “A Gazeta Esportiva” e idealizou importantes provas como a “Corrida de São Silvestre” e a “Prova Ciclística 9 de Julho”.

Em 1943, Cásper Líbero adquiriu a Rádio Educadora Paulista, que passou a se chamar Rádio Gazeta. A TV Gazeta e a Faculdade Cásper Líbero, a primeira escola superior de jornalismo da América Latina, fazem parte do grupo.

Outra homenageada com o Colar, a Estância Climática de Cunha fica no Alto do Vale do Paraíba e foi um dos pontos estratégicos e heroicos da Revolução de 1932.

O Conselho do Colar Carlos de Souza Nazareth é presidido por Alencar Burti, atual presidente da ACSP e da  Federação das Associações Comercial do Estado de São Paulo (Facesp), coordenado por Adolfo Bolívar Savelli e tem como membros Edimara de Lima, Eloy Gonçalves de Oliveira, Frances de Azevedo, Francisco Giannoccaro, Pedro Paulo Penna Trindade e Valdir Abdallah.

 

Fotos: Paulo Pampolin