Brasil

“Acho a reeleição um mal na política”


O prefeito paulistano João Doria diz ser favorável a um mandato único de cinco anos e da concentração de todas as eleições em um único período


  Por Redação DC 10 de Abril de 2017 às 19:32

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Por Renato Santana de Jesus, de Porto Alegre

O prefeito de São Paulo, João Doria, afirmou nesta segunda-feira, 10/04, que a reeleição não faz bem para política brasileira. A declaração foi dada em Porto Alegre, durante o 30º Fórum da Liberdade, evento promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE). 

“Sou contra a reeleição. Não vou disputar a reeleição em menor hipótese. Acho a reeleição um mal na política brasileira”, disse Doria, reiterando ainda que é a favor da instituição de mandatos únicos de cinco anos e da concentração de todas as eleições em um único período.
 
“Muitos, não digo todos, quando assumem o poder público, já assumem pensando o que vão fazer para se eleger e aí começam a fazer concessões que não deveriam. É melhor você ter espírito preparado, foco integral na gestão e manter a transparência”, Afirmou.
 
As declarações de Doria, embora não sejam necessariamente novas, ganham peso a partir do momento em que ele cresce nas pesquisas – e no meio político – como um dos principais candidatos à presidência da República para as eleições de 2018. 

Quando questionado sobre isso, Doria diz que foi eleito para ser prefeito e que vai “prefeitar até ao final”. Recentemente, contudo, tem feito algumas ponderações, admitindo, por exemplo, que o destino dos políticos depende da vontade do povo.

O Fórum da Liberdade é um dos grandes palcos de discussão de ideias liberais. Em sua 30º edição, o evento teve Doria como seu principal palestrante. 

Para uma plateia de mais de mais 5 mil pessoas alinhadas ao seu pensamento, o prefeito paulistano não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, provocar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

“Vou usar, sim, toda minha força como cidadão, como brasileiro, como prefeito da cidade de São Paulo, sendo correto, sendo honesto, para dizer: Lula, você não é um salvador de nada. Você quase destruiu o Brasil e os milhões de jovens, milhões de crianças. Você não vai destruir outra vez os sonhos do Brasil”, bradou sob aplausos dos presentes.

REFORMAS
 
Embora diga constantemente que vai “prefeitar”, Doria não se esquiva de opinar sobre assuntos nacionais. Desta vez, falou sobre a necessidade de a reforma da Previdência ser aprovada.

“Temos que mudar, que transformar. E essa mudança só ocorrerá se todos estiverem juntos, os empresários também. Os empresários têm que ter atitudes mais inovadoras. Eles têm que apoiar a reforma da previdência de forma mais clara. É importante para o Brasil fazer a reforma da previdência. Porque, senão, o que vai acontecer no Brasil é que a minoria ruidosa vai se sobrepor à maioria silenciosa.”
 
Já sobre a reforma trabalhista, Doria convocou o empresariado à luta: “Na reforma trabalhista, os empresários têm que ir a Brasília fazer o corpo a corpo com cada deputado, com cada senador. Não pode ficar apenas nas suas manifestações distantes”, disse. 

O prefeito afirmou que os empresários precisam ter uma estratégia. “Temos um governo de transição e temos que apoiá-lo para que essa transição seja pacífica e prepare o País, finalmente, para o grande salto de desenvolvimento econômico. Onde há desenvolvimento econômico há desenvolvimento social, há emprego e há prosperidade”, afirmou. 

Concluiu dizendo que “o País não pode ser uma república sindical.” 

O 30º Fórum da Liberdade acontece até esta terça-feira, 11/04, na sede da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

FOTO: Gabriel Campos Machado/Divulgação