Brasil

Abastecimento começa a ser afetado pela paralisação de caminhoneiros


Alencar Burti, presidente da ACSP, teme que situação saia do controle caso governo demore para adotar uma solução efetiva


  Por Redação DC 22 de Maio de 2018 às 17:31

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabiliza interrupções em rodovias federais de 22 Estados por causa da paralisação de caminhoneiros autônomos nesta terça-feira, 22/05.

Este é o segundo dia de greve da categoria, que pede a retirada dos encargos tributários sobre o diesel. Os motoristas também criticam o ajuste diário dos preços do combustível que, segundo eles, dificulta o planejamento do frete.

A paralisação já afeta o abastecimento de alimentos em vários Estados, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

"Todo o nosso setor de matérias-primas vivas (boi, suíno, aves), de leite, e o abastecimento em geral está sendo muito afetado", afirmou Péricles Salazar, presidente executivo da entidade.

Ele conta que são centenas de caminhões parados nas estradas com animais vivos, leite e produtos resfriados para serem entregues nos pontos de varejo em todo o País.

SOLUÇÕES

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), diz que o problema poderia ser minimizado com a redução da Cide.

“Passado o Dia das Mães, é natural que a demanda arrefeça e os estoques das lojas estejam abastecidos, inclusive acima da média, visto que o consumo de forma geral está abaixo das expectativas. Mas é preciso que o governo solucione esse problema, para que a situação não fuja do controle”, diz Burti.

“A medida mais viável para o governo é reduzir a Cide, ainda que somente sobre o diesel. Seria uma decisão equalizadora para combater a alta provocada pelo petróleo mais caro e pelo câmbio desfavorável”, afirma o presidente da ACSP.

Para Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustiveis, federação que reúne sindicatos de donos de postos de combustíveis no Brasil menos São Paulo, o aumento da arrecadação de royalties com a alta do preço do petróleo compensaria uma eventual redução de impostos incidentes na gasolina e no diesel.

Ele irá a Brasília na quarta-feira, 23/05, se encontrar com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, para apresentar alternativas visando a redução do preço dos combustíveis para o consumidor.

Vai sugerir que a Petrobras faça ajustes mais esporádicos, para dar maior previsibilidade ao empresário. "A política de preços da Petrobras está correta, sobram então alternativas que não vão resolver o problema, mas pelo menos amenizam", disse Soares.

Segundo ele, em vista do aumento de arrecadação com os royalties do petróleo, que sobem à medida que o petróleo e o câmbio estão mais elevados, o governo federal poderia abrir mão de parte do PIS/Cofins e o governo estadual de parte do ICMS, além de acabar com a cobrança da Cide.

"Até junho de 2017 o PIS/Cofins correspondia a R$ 0,38 por litro de gasolina, o diesel é um pouco menos que isso, mas agora (o PIS/Cofins) está R$ 0,79 por litro. O governo podia acabar com os R$ 0,10 cobrados pela Cide e voltar o PIS/Cofins para o patamar de 2017, isso já daria um desconto de R$ 0,51 por litro", calculou Soares. "Com a queda do PIS/Cofins, o Estado vai ter que rever o ICMS, que cairia 34%, ou mais R$ 0,15 de desconto", afirmou.

Segundo Soares, seriam R$ 0,65 a menos no preço da gasolina que já beira os R$ 5,00 o litro nos postos do Rio de Janeiro. "A Petrobras não teria prejuízo se fizesse o aumento semanal, os postos aumentam semanalmente ou de 15 em 15 dias, porque não dá para mudar todo dia", disse Soares. 

CIDE ZERADA

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou na tarde desta terça-feira, (22/05), pelo Twitter, que o governo vai zerar a Cide sobre a gasolina e o diesel para ajudar a reduzir o preço dos combustíveis no País.

Ele também anunciou acordo para destinar 100% dos recursos do projeto da reoneração da folha de pagamento para reduzir o impacto do aumento do diesel. 

Maia afirmou que as duas medidas foram acertadas por ele e pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

A diminuição da alíquota da Cide depende apenas de um decreto do presidente Michel Temer para que passe a valer. A medida, porém, só passará a valer três meses após a assinatura do decreto.

IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil / *Atualizada às 18h12