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O futuro do varejo já chegou


Conheça as aplicações de tecnologias apresentadas na NRF Big Show e como elas vão transformar os negócios do setor


  Por Sérgio Teixeira Jr. 17 de Janeiro de 2017 às 17:02

  | Jornalista especializado em tecnologia e negócios, vive em Nova York (EUA)


Brian Krzanich, CEO da fabricante de microchipsIntel, fez uma apresentação diferente da que se costuma ver no palco principal do Big Show, o evento anual do varejo americano. 

Em vez de apresentar slides e falar sobre as promessas da tecnologia digital para o varejo, Krzanich mostrou ao vivo algumas das inovações que podem soar como algo futurista num PowerPoint, mas na realidade já estão em uso hoje. 

“Cheguei à indústria da tecnologia antes do advento dos computadores pessoais”, disse Krzanich, 60, sobre uma das maiores transformações tecnológicas do século passado. 

“Agora, estamos vivendo um momento de grandes mudanças mais uma vez. 

Tudo está ficando inteligente e conectado.” E isso significa que a própria definição do que é uma loja está mudando. 

“Os dados são o novo petróleo”, disse Krzanich. 

Veja algumas aplicações de novas tecnologias no varejo e como elas vão transformar os negócios do varejo.

NOVA YORK EM PEQUIM

O dia de maior movimento no comércio mundial não é a Black Friday, como muitos podem suspeitar, mas sim o Dia dos Solteiros, uma data comercial “comemorada” na China. 

O dia exato é 11 de novembro, ou 11/11 – os quatro números 1 servem para lembrar que quem está sozinho também merece ter seu próprio dia especial. 

Anualmente, os chineses gastam bilhões de dólares em presentes para si mesmos no Dia do Solteiro – no ano passado, só os sites do grupo de comércio eletrônico Alibaba venderam US$ 17,8 bilhões.

Uma parte desses consumidores fez compras em uma loja virtual de Nova York sem sair da China. 

A empresa, um dos maiores players de comércio eletrônico do mundo, lançou um sistema de realidade virtual para celulares. 

Com um adaptador feito de papelão, 8 milhões de chineses caminharam por uma típica loja de departamentos americana, observaram os produtos à venda e fizeram compras no ambiente virtual. 

“Imagine o número de clientes que poderão ‘visitar’ sua loja dessa maneira”, disse Krzanich.

EXPERIÊNCIAS VIRTUAIS

A realidade virtual não será usada somente do lado de lá do balcão. A empresa InContext Solutions, parceira da Intel, demonstrou um sistema que permite que os lojistas tenham maior visibilidade sobre a performance de seus produtos de acordo com o posicionamento na prateleira. 

Usando óculos de realidade virtual, o funcionário pode rearranjar os produtos na prateleira, além de sobrepor à imagem uma camada de informações que representa as áreas que chamam mais atenção e quais produtos são os mais vendidos. 

A tecnologia já foi adotada pelo Walgreens, um dos dez maiores varejistas dos Estados Unidos. 


MAIS AGILIDADE NOS ARMAZÉNS

A Recon Instruments, empresa que pertence à Intel, desenvolveu um sistema de realidade aumentada para aumentar a produtividade dos centros de distribuição. 

Diferentemente da realidade virtual, na realidade aumentada o usuário enxerga o mundo real com a sobreposição de uma camada de informações. 

O Recon Jet parece um par de óculos esportivos, com uma pequena tela na parte inferior da lente direita. A ideia é que funcionários responsáveis pelo picking (montagem dos pedidos) saibam exatamente onde estão os produtos procurados no armazém, sem a necessidade de consultar dispositivos de mão. 

UM ROBÔ PERAMBULANDO PELA LOJA

A Simbe Robotics levou ao palco do Big Show o Tally, um robô alto e estreito cuja função é circular pela loja para checar a estocagem das prateleiras, identificar produtos colocados no lugar errado e conferir preços. (O nome Tally é um trocadilho com duas palavras em inglês – tall significa alto, e tally significa contagem.) 

Máquinas parecidas já existem, mas em geral elas fazem a varredura da loja durante a noite e muitas vezes exigem etiquetas especiais para realizar a leitura. 

O Tally transita com segurança durante o horário de funcionamento (desviando dos clientes se necessário) e conta com um complexo sistema de câmeras de vídeo para identificar os produtos nas prateleiras. 

O robô foi desenvolvido há um ano e já está em fase de testes para adoção por varejistas americanos. 

FOTO: Thinkstock