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Em Campinas, a transformação digital em debate


Do Watson, a plataforma de inteligência artificial da IBM, apresentada pelo executivo David Dias (foto) à estratégia da Porto Seguro, evento da Associação Comercial de Campinas atrai centenas de empreendedores


  Por Redação DC 20 de Outubro de 2017 às 10:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


De que modo os setores de comércio e serviços podem tirar partido de tecnologias de fronteira para potencializar vendas, ampliar o relacionamento com a clientela e ganhar eficiência na gestão?

Pistas para responder a essas questões foram fornecidas por especialistas no Fórum de Transformação Digital, que marcou na quarta-feira passada (18/10) o terceiro dia da 5ª edição da Semana de Negócios e Empreendedorismo promovida pela Associação Comercial de Campinas e Câmara de Dirigentes Lojistas de Campinas (CDL).

NA PLATEIA, 450 ATENTOS ESPECTADORES

Diante de uma plateia de 450 pessoas, David Dias, diretor de Canais e Ecossistemas da IBM demonstrou as múltiplas aplicações do Watson, a plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela gigante americana de tecnologia.

Já Rafael Caetano, diretor de vendas online da Porto Seguro, explicou a estratégia da companhia para suas operações online.

Maurício Vargas, fundador e CEO da ReclameAqui, relatou a história da empresa que fundou e Cláudio Souza, diretor de Inside Sales da Reach Local, debateu a presença online das marcas e o marketing digital.

“O que se observa atualmente é uma conjunção de mobile, mídias sociais, redes, big data, ferramentas de análises de dados, e internet das coisas”, disse Adriana Flosi, vice-presidente da Associação Comercial de Campinas (ACIC). “Podemos fazer muito, desde que cada um participar das mudanças de forma ativa, transformando sua maneira de pensar.”

Isso significa reinventar processos de gestão e adotar a prática de utilizar tecnologias inovadoras.

De acordo com Dias, da IBM, o Watson é um dos mais avançados sistemas de processamento, recuperação de informação, representação de conhecimento, raciocínio automatizado e tecnologias de aprendizado de máquina.

Ele é capaz de coletar informações não estruturadas da internet, como fotos, textos e vídeos, e processá-las como nós, humanos, fazemos, em vez de uma máquina.

Exemplar da inteligência artificial que somente se tornou possível graças à capacidade computacional massiva, algo que começou a acelerar bastante a partir de meados do século passado, o Watson foi apresentado ao público em 2011, para concorrer com participantes no Jeopardy, popular programa de perguntas e respostas da televisão americana.

Seis anos depois, a aplicabilidade do sistema, desenvolvido para ajudar a resolver problemas humanamente impossíveis de serem decifrados, se estende por diferentes áreas -da cultura à medicina, passando por instituições financeiras e pelo setor de educação.

“O Watson é muito engenhoso, e possui características muito semelhantes às humanas. Ele pode ouvir, entender, se identificar ou simpatizar com você. Ele entende, chega perto de raciocinar, aprende e interage. Essas são as quatro características que definem a inteligência artificial”, disse Dias.

Para ter uma ideia, basta citar que o que Big Data possibilita o processamento de 20% dos dados disponíveis mundialmente. Já o Watson consegue acessar e manipular a imensa volume de informações não estruturadas.

Dias apresentou à plateia um dinossauro de brinquedo que utiliza a inteligência artificial Watson, vendido a US$ 99 pela Amazon e que responde e interage com qualquer pergunta.

“Quando falo com ele, minha voz é transformada em texto depois que chega na caixinha. Aí que está a inteligência artificial, ela vai entender o que eu perguntei e entendendo o que eu perguntei ela vai buscar a melhor resposta para a minha pergunta e então transformá-la em voz”.

O Watson no Brasil é chamado de Isabela, e pode ser encontrado na Pinacoteca de arte em São Paulo. É possível “dialogar” com as obras de arte e qualquer questionamento é respondido pela tecnologia de inteligência artificial.

Outro exemplo de aplicação é fruto de uma parceria entre a IBM e o Fleury Medicina e Saúde, que resultou no uso de uma ferramenta de apoio –chamada de Watson Genomatics – para auxiliar a tomada de decisão médica no que se refere ao mapeamento do genoma humano.

Já no setor financeiro, um exemplo da aplicação dos recursos do Watson é o Bradesco.

A instituição usa a plataforma para melhorar a interação com os clientes e agilizar a resolução de problemas, como, por exemplo, uma consulta de saldo, ou até o cancelamento de um pagamento indevido.

Na cena musical, o Watson ajudou o produtor dos cantores Rihanna, Eminem e Imagine Dragons, Alex Da Kid, a produzir a música Not Easy, que, na semana de seu lançamento, teve mais de 18 mil downloads.

LEIA MAIS: Mobile e inteligência artificial são o presente e o futuro do varejo

Cláudio Souza, diretor de vendas da Reach Local, debateu as boas práticas no marketing digital.

“Na ótica de marketing digital os protagonistas são as pessoas. Queremos saber como impactar as pessoas com a internet através das plataformas digitais”, disse Souza.

SOUZA, DA REACH LOCAL: CLIENTES VIVEM ONLINE

Para ele, as pessoas não acessam a internet, e sim vivem online, demonstrando necessidades, aprendendo, trabalhando, compartilhando, reclamando, assistindo e comentando.

E é por isso que é importante que as marcas se preocupem com sua presença digital em todas as mídias sociais.

“Se você não se preocupar com sua presença no interior desse ecossistema, então não faz nem sentido você tomar a decisão de investir na internet”, explica Souza.

Mas com que exatamente as marcas devem se preocupar dentro das mídias digitais? Para Souza, três pontos são fundamentais:

1-Velocidade: Um site pesado e que demora para carregar é um problema,uma vez que. 40% dos usuários o abandonam após 3 segundos de espera.

2-Design: Ir direto ao ponto. O site precisa ser simples e objetivo.

3-Responsivo: Ótima experiência em todas as telas. Ou seja, o site precisa ter funcionalidade em todos devices.

Para Souza é importante também preocupar-se com a presença nos sites de busca – É possível patrocinar seu anúncio para ser encontrado de forma mais fácil e por mais pessoas.

“A estrutura digital proporciona uma grande oportunidade de investimento para os pequenos ou médios negócios. E é possível extrair resultado disso”, destaca.

RECLAME AQUI

De acordo com Maurício Vargas, fundador e presidente do ReclameAqui, o site está há 15 anos no ar e se tornou o quinto mais acessado no País.

Ele credita o sucesso se dá por seu objetivo: ajudar. Não se limita a postar reclamações de um mau serviço, atendimento ou outros problemas.

Segundo Vargas, o maior volume de acessos é de pessoas pesquisando a reputação das marcas e empresas – sendo que a maior parte delas estão próximas de fechar uma compra.

Em 2016, o Reclame Aqui registrou 30 mil reclamações por dia. Há 15 milhões de usuários cadastrados e 2 milhões de pesquisas por dia. 700 mil pessoas entram todos os dias no ReclameAqui –35% delas enfrentam problema com alguma marca.

Já Rafael Caetano, diretor de vendas online da Porto Seguro, sintetizou como funciona a presença online de sua empresa e compartilhou algumas estratégias adotadas:

*Multicanalidade: Estar disponível de forma perene nos diversos canais relevantes para o cliente ao mesmo tempo.

*Omni-canalidade: Integração dos canais disponíveis permitindo que o cliente transite entre eles sem perda na mensagem.

*Usabilidade: Utilização das funcionalidades de forma intuitiva, simples e fácil

*Personalização: Capacidade de personalizar a experiência do consumidor de acordo com suas características.

*Conveniência no serviço: Qualidade do processo de auto-atendimento e das funcionalidades acessíveis digitalmente.

*Conveniência na compra: Qualidade do processo de compra online.

 

FOTOS: Divulgação