Acontece no Estado

Em 2016, indústria do Alto Tietê demitiu 6 mil trabalhadores


Pesquisa do Ciesp aponta retração de 9,36% no nível de emprego só no ano passado. Desde 2014, setor fechou 15 mil postos de trabalho na Região


  Por Redação Facesp 23 de Janeiro de 2017 às 00:00

  | Das equipes de comunicação de entidades membros da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo


Com 650 dispensas só em dezembro, a indústria de transformação do Alto Tietê encerrou 2016 com o fechamento de aproximadamente 6 mil postos de trabalho, segundo dados divulgados hoje (19/01) pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). A retração de 9,36% no nível de emprego foi uma das maiores do Estado e agrava uma situação que se arrasta desde 2014. Nos últimos três anos, o setor demitiu 15 mil trabalhadores em oito cidades da Região (Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano) e enfrenta um dos piores períodos da sua história.

Os dados do Ciesp mostram que a retração no emprego industrial no Alto Tietê, em 2016, foi pior do que a média do Estado (-6,58%), onde foi contabilizado um decréscimo de 152 mil vagas de trabalho. Das 6 mil vagas fechadas na Região, a maior parte se deu nas indústrias de metalurgia (o setor reduziu o nível de emprego em 67%); equipamentos de informática /produtos eletrônicos (35%); celulose/papel (10,44%) e artefatos de couro (10%). De 18 setores pesquisados, só três encerraram o ano com variação positiva no nível de emprego: produtos alimentícios (1,49%), bebidas (1,20%) e veículos automotores/autopeças (1,67%).

Na comparação com 2015, o saldo de 2016 é melhor, já que no ano anterior foram registradas 7 mil demissões no Alto Tietê. 
“Mas isso não traz qualquer conforto. Pelo contrário, 6 mil postos de trabalho fechados refletem uma condição igualmente desastrosa. No intervalo de 24 meses, são 13 mil trabalhadores dispensados e se somarmos também 2014, quando a curva entrou na descendente, o saldo não poderia ser pior: 15 mil industriários perderam o emprego na nossa Região. Estamos falando de uma retração de mais de 20% em três anos. Isso significa que mesmo com a eventual recuperação da economia, levará muito tempo para que esses postos de trabalho sejam reativados”, avalia o diretor do Ciesp Alto Tietê, José Francisco Caseiro.

A Região não está sozinha nesse cenário. Das 35 regiões industriais do Estado de São Paulo, 33 tiveram saldo negativo no nível de emprego em 2016 – as exceções foram São Carlos e Marília.  No Alto Tietê, apenas o mês de outubro interrompeu o processo, mas com fraca demanda interna e produção em baixa, as dispensas predominaram nos outros 11 meses. E no cenário mais otimista, as projeções para 2017 apontam para uma estabilização.

“As pesquisas do Ciesp mostram que as empresas adaptaram o emprego à queda da produção e a tendência é de que o quadro fique estável ao longo deste ano, com possibilidade de recuperação a partir de 2018. Essa retomada, no entanto, depende muito mais do que só baixar os juros nos patamares atuais. É preciso que os juros reduzam de forma significativa, como tem apontado o Banco Brasil, e acompanhado de outras medidas macro, como a redução dos impostos, da burocracia e a revisão das leis trabalhistas, além de ações regionais para atrair novas empresas para absorver a mão de obra”, diz o diretor do Ciesp Alto Tietê. 

Apenas em dezembro, a indústria da Região dispensou 650 trabalhadores. A retração de 1,09% no nível de emprego foi influenciada pelas variações negativas de Produtos Têxteis (-2,92%); Celulose, Papel e Produtos de Papel (-0,88%); Máquinas e Equipamentos (-1,07%) e Veículos Automotores e Autopeças (- 0,84%).

A tabela abaixo mostra o comportamento setorial dos meses de dezembro de 2015 e 2016 e o acumulado no ano:

Quando comparados os meses de dezembro dos anos de 2015 e 2016, temos um cenário melhor, pois em dezembro de 2015 o resultado foi negativo em 1,67%. 

O gráfico abaixo mostra os resultados comparativos da Diretoria Regional dos meses de dezembro nos anos de 2005 a 2016:

O gráfico abaixo mostra o desempenho das variações mensais da Diretoria Regional no período de dezembro/2014 a dezembro/2016

 

 






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