Acontece no Estado

Economista prevê perspectivas melhores para 2017 e com isso dá novo ânimo para empresários na ACMC


Expectativa é de que o ciclo de recuperação finalmente comece, diz Alexandre Englert Barbosa, superintendente de Riscos e Economia do Sicredi. Reformas do Governo são essenciais e empresas ainda devem seguir com ajustes de custos em 2017


  Por Redação Facesp 07 de Dezembro de 2016 às 00:00

  | Das equipes de comunicação de entidades membros da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo


“A gente fica mais aliviado ao saber que as coisas caminham para começar a mudar. Precisa melhorar o quadro político, mas ajuda bastante conhecer esse cenário que se desenha”. A opinião do empresário Luiz Pimentel, dono de uma loja de material de construção, reflete o sentimento de alento da maioria do público ao final da apresentação sobre as “Perspectivas para 2017”, feita pelo economista Alexandre Englert Barbosa para convidados da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), na última semana.

Depois de dois anos consecutivos de queda drástica no Produto Interno Bruto (PIB), os empresários receberam a notícia de que finalmente as perspectivas para 2017 são melhores. Nada excepcional em termos de crescimento – a estimativa é de algo na casa de 0,7% -, mas alentador se comparado aos resultados negativos dos dois últimos anos, quando o PIB caiu de 3,5% a 4% em cada um deles. 

“A última vez que tivemos dois anos consecutivos de queda significativa no crescimento foi em 1930. De lá para cá ocorreram outras crises, porém, mais curtas e menos intensas do que a atual. A economia brasileira bateu o fundo do poço e a boa notícia é de que olhando para frente as perspectivas agora são melhores”, ressalta Barbosa, que é superintendente de Riscos e Economia do banco Sicredi, parceiro da ACMC na realização da palestra, que teve o objetivo de apresentar informações para que os empresários possam planejar seus negócios.

O economista aponta que o início de 2017 ainda será de dificuldades, principalmente no mercado de trabalho, mas a tendência é de que a partir do segundo semestre o cenário seja mais favorável. Portanto, o empresário terá de seguir com ajustes de custos e, se possível, investir em tecnologia para melhorar a produtividade e garantir condições de voltar a crescer.

“O empresário que passou por esses dois anos e ainda está com a cabeça fora d’água é porque fez a lição de casa: aumento a produtividade e reduziu custos. É o que se se pede do governo que ele não consegue fazer, e que no setor privado não tem outra alternativa. Estamos no final do ciclo recessivo para entrar na recuperação, portanto, tem mais um tempinho para seguir no mesmo modo que foi 2015 e 2016 e depois sair do modo risco”, pontuou Englert Barbosa, que veio do Sul especialmente para falar aos empresários mogianos.

“É um diagnóstico que a gente não quer ouvir, mas que precisa ouvir para se reinventar e continuar existindo”, diz Kátia Nagy Viana, empresário do ramo de cosméticos, que viu seu faturamento despencar 40% e o lucro mais 20%.

Na palestra, o público ouviu o economista explicar os muitos motivos que criaram a situação atual, assim como os cenários esperados para 2017, que devem ser impactados também pela política internacional, com o início do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, e as eleições na França, Espanha e Alemanha. No contexto nacional, a expectativa está principalmente nas grandes reformas discutidas no Governo Federal, como a de redução dos gastos públicos, previdenciária e a trabalhista.

“é fundamental que essas reformas sejam aprovadas e que sejam realmente relevantes. São reformas que afetam muito a população e certamente haverá grande pressão, mas  não dá mais para empurrar com a barriga. Estamos falando em criar condições para uma retomada do crescimento com o setor público mais enxuto e sem exigir demais do setor privado, dando liberdade para crescer. Mais do que o crescimento do ano que vem, são nessas reformas estruturantes que estão calcadas as possibilidades de crescimento mais robusto lá para frente”, constata Barbosa.

Também economista, a presidente da Associação Comercial, Tânia Fukusen Varjão, ressaltou a atipicidade dessa crise, que está muito mais extensa do que outras e lembrou que a concessão do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para incentivar o consumo é uma das razões do quadro atual de recessão. “É fundamental que o empresário entenda melhor o que está acontecendo para passar por essa crise de uma forma menos dolorosa”, comentou.

Diretor executivo do Sicredi, que é um banco cooperativo com unidade em Mogi das Cruzes, Inácio Cattani, destacou a parceria com a ACMC e a importância de se levar informações para orientar o empresário. “Isso é fundamental para que ele possa tomar as melhores decisões”, concluiu.