Acontece no Estado

Crise hídrica no interior


Empresas dão exemplo de sustentabilidade na economia de água na cidade de Limeira (SP)


  Por FACESP 27 de Março de 2015 às 00:00

  | Informações da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo


A escassez de água deixou de ser um problema a ser enfrentado no futuro e passou a ser realidade para muitas pessoas nesses últimos anos. A região Sudeste enfrenta essa adversidade desde 2014, e a situação só piorou com a falta de chuva. As principais fontes de abastecimento da região, como o sistema Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo, sofrem com a seca. Esse sistema terminou o ano sem recuperar 492 bilhões de litros de água perdidos durante o ano de de 2014. O ano passado começou com o nível do reservatório em 27,2%, e terminou com 7,2%.

Em Limeira a população também tem enfrentado essa triste realidade. A crise hídrica fez com que a captação de água do Rio Jaguari fosse interrompida, dando início à captação no lago Ribeiro Pinhal em outubro do ano passado. Porém, a escassez e o risco de racionamento fizeram com que milhares de pessoas começassem a mudar seus hábitos em relação ao consumo e desperdício de água em suas casas.

Quem também decidiu entrar na onda da sustentabilidade foram as empresas, que começaram a investir e aumentaram o capital aplicado em projetos voltados para a economia de água. Há quase um ano, por exemplo, a Soma Bijuterias iniciou a implementação de um sistema de reutilização de água no processo de produção da indústria. “Temos um sistema de rebarbação em nossa linha de produção. Além de pensarmos em métodos de economia, queríamos colaborar com o não desperdício”, conta Luis Henrique Buoro Silva, gerente da empresa.

Para facilitar a execução do projeto, o prédio já possuía estrutura adequada para armazenamento de água, que é reutilizada somente na limpeza de peças. “Após utilizarmos a água nessa etapa da produção, ela é direcionada para um reservatório e depois vai para um tanque onde é feito o seu tratamento. Depois disso, a água tratada vai para um reservatório subterrâneo, volta para a caixa d’água e retorna para a produção”, explica Silva, que ressalta que o resultado já pode ser observado. “Nós tivemos uma economia de 30% desde a implementação do sistema e com isso já tivemos retorno de boa parte do capital investido, que não foi muito”. Com um projeto simples, porém eficaz, a Soma Bijuteiras conseguiu educar seus colaboradores e, além disso, utiliza outro método para capitação de chuva. “Nosso projeto é simples, não somos uma galvânica, que possui processos mais complexos, então a ideia atende as necessidades da Soma e cumpre bem o seu papel”.

“Além de pensarmos em métodos de economia, queríamos colaborar com o não desperdício”, afirma o gerente da Soma Bijuterias, Luis Henrique Buoro Silva

Quem também aderiu a campanha do não desperdício de água foi a Casa do Tubo, que tem lançado várias ações que visam a conscientização da comunidade. “Praticamos aqui na loja o ‘Projeto Gentileza’, que basicamente é tratar com gentileza o material e o imaterial, que são as pessoas e meio ambiente em que vivemos”, fala o coordenador de marketing da empresa Lucas Brito. Ele explica que são feitos treinamentos especiais sobre o tema, além de trabalharem no mural de comunicação dicas e orientações de como agir em casa ao escovar os dentes, lavar a louça, entre outros, além de esclarecerem quantos litros de água são gastos nessas ações rotineiras do lar e do local de trabalho. 

Para melhor atender os clientes, os vendedores da Casa do Tubo também são treinados para indicar os produtos que visam a economia de água, “como válvulas de descarga, torneiras, reparos, itens que a gente sabe que podem resultar na redução do consumo”, conta Brito. 

Outro projeto da empresa é o “Eu amo água”, que trabalha postagens na fanpage do Facebook com dicas de economia nas situações cotidianas, incitando a conscientização e ajudando as pessoas nesse quesito. Há ainda o ‘Eco Casa do Tubo’, uma linha de produtos em que a loja reforça a preservação ambiental e a conscientização da água. “Até nosso último cartão de Natal foi diferente! Nós fizemos uma nuvem com algumas dicas de economia e ficou muito legal. Nos empenhamos em muitas ações junto aos nossos clientes, além de nossos funcionários. Temos uma grande preocupação com o tema”. 

Conscientizar a comunidade não é a única responsabilidade da Casa do Tubo. A empresa também está recolhendo a água do seu ar condicionado para utilizá-la na limpeza. “Fizemos algumas modificações nas saídas e entradas de água para realizarmos a coleta. Tem dias em que utilizamos somente o que é recolhido, sem a necessidade de pegarmos mais água para a limpeza dos banheiros, cozinha e do chão”, finaliza Brito.

Com dois belos exemplos de consciência ambiental, só resta a cada pessoa compreender que cada um deve fazer a sua parte e que, de gotinha em gotinha, como explicou o coordenador de Marketing da Casa do Tubo, é possível educar a sociedade para que futuramente o mundo não sofra excessivamente com a falta daquilo que temos de mais precioso, a água.