Acontece no Estado

Concessões e privatizações são fundamentais para a retomada da economia


É o que afirma o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, especializado em economia. Para ele,o processo de recuperação já teve início, mas uma retomada definitiva só deve ocorrer após as eleições presidenciais


  Por Redação Facesp 26 de Agosto de 2017 às 09:06

  | Das equipes de comunicação de entidades membros da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo


 
“O País deslancha só depois das eleições, se deslanchar”. É o que prevê Carlos Alberto Sardenberg, comentarista de economia da Rede Globo, em palestra no encerramento do 11º Congresso Empresarial Acipi, no Teatro Unimep.
 
Segundo o jornalista, o Brasil já iniciou um processo de recuperação, mas uma retomada definitiva da economia está atrelada ao processo de eleições.
 
“O que pode acontecer é que, do jeito que a economia está se virando, você tem um crescimento já meio contado para o ano que vem. Só não vai ocorrer se acontecer alguma catástrofe. A economia pode crescer 2,5%, mas é pouco, depois de dois anos e meio de recessão. Se as privatizações andarem vai ter um pulso novo”, pontuou.
 
Em sua palestra: “Instabilidade 2017/Eleições 2018”, ele explicou que o maior problema da economia brasileira, hoje, é o das contas públicas. “Há um colapso das contas do setor público em todos os níveis. E esse colapso das contas públicas exige respostas políticas”, disse.
 
Segundo contou, a economia global está amistosa com o Brasil. “O mundo está ajudando. Depois da grande crise financeira de 2008-2009, houve um processo de recuperação e, já a algum tempo, temos uma média de crescimento na faixa de 3,5% ao ano – o que é bom para a economia mundial. Isso significa que nós temos mercados para exportação dos produtos brasileiros e capitais disponíveis para investimento no Brasil”.
 
“Além disso, a vizinhança está indo melhor”, disse o especialista, que explicou que, exceto a Argentina, os principais países da América Latina apresentam uma situação bastante confortável. “Peru, Colômbia, México e Chile estão crescendo, com inflação baixa e taxas de juros, também, baixas. O Brasil ficou descolado da realidade internacional”.
 
MATRIZ ECONÔMICA
Para Sardenberg, o período de recuo iniciado em 2014 que se estendeu até o final de 2016: “foi a pior recessão da história moderna do País”. Ele explicou que a retratação se deu por conta da chamada matriz econômica, que foi o conjunto de medidas tomadas no governo da presidente Dilma.
 
“A crise em que o Brasil mergulhou foi gerada internamente e por erros de política econômica da tal da matriz econômica, que basicamente trazia a ideia de que o aumento do gasto, financiamento e crédito público resultaria num crescimento exponencial. Mas, o que acabou acontecendo, na verdade, é que o setor público ficou deficitário, a dívida aumentou e o País não cresceu”, afirma Sardenberg. “É um desastre que pode ir para os livros de economia.”
 
Por conta da intervenção do governo, que interferiu no controle dos preços básicos da economia, como por exemplo: os preços da energia, a inflação subiu e os juros, por sua vez, também, tiveram que subir.
 
RECUPERAÇÃO
 
A situação mudou, segundo Sardenberg, depois do impeachment de Dilma. “Não foi por acaso que houve uma radical mudança de política econômica, a começar pela política do Banco Central, que com mais credibilidade, passou a reduzir a taxa de juros de uma maneira consistente”, falou.
 
Sardenberg fala à plateia da ACIPI
SARDENBERG FALA À PLATEIA DA ACIPI
“Hoje, você tem uma situação totalmente diferente em que há queda da inflação e taxa de juros acompanhando a queda. É uma política claramente consistente e adequada”, disse Sardenberg. “A inflação é um problema resolvido, no Brasil, para os próximos anos. Nós vamos ter inflação baixa neste ano, no ano que vem e no outro ano provavelmente. Isso significa que a taxa de juros vai cair mais ainda. Isso é o principal fato a estimular a volta do crescimento”.
 
Para a recuperação do País, o jornalista afirmou ser necessária, ainda, a adoção de outras medidas. Duas delas que dizem respeito às reformas do teto de gastos e trabalhista já foram tomadas. Mas, um programa de concessões e privatizações seria, na visão do jornalista, fundamental para essa retomada do crescimento.
 
“As privatizações trariam três coisas boas. A primeira delas é fazer caixa, juntar dinheiro. A segunda é que ela retira dos partidos políticos o instrumento de poder e de fazer finanças e corrupção. E a terceira é trazer eficiência e produtividade para a economia, pois você importa empresas e importa capitais, que trazem novidades”, defendeu.
 
ELEIÇÕES
 
Sobre as eleições de 2018, Sardenberg disse que o País precisa de um governo eleito com uma “agenda clara”. “O governo (Michel) Temer começou com uma agenda clara, o problema é que não tem força política mais. Precisamos de um governo eleito com uma agenda que se sustente, forte, e nós já estamos em agosto. Daqui a pouco já tem clima eleitoral”, frisou. Apesar de já se falar no pleito, ainda é muito cedo para haver definições, conforme ressaltou.
 
“Você tem conhecidos, mas estamos muito longe da eleição. O que muita gente olha com atenção é o que houve na França. O (Emannuel) Macron não tinha sido eleito nem vereador, fez um movimento extrapartidário e ganhou com uma agenda clara”, disse.
 
Sobre novos nomes surgirem para a disputa, o jornalista citou que Fernando Henrique Cardoso (presidente entre 1995 e 2002) era um nome improvável à Presidência. “Se dissesse, em 1993, que ele estabilizaria a moeda e seria eleito por oito anos ninguém acreditava. O que sabemos é que o velho morreu e o País está procurando quem é o novo”, concluiu.
 
FOTO: Divulgação Acipi